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Mobilização social é uma das armas para promover a mudança de hábitos e a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti.
O combate à dengue é prioridade em Betim. É uma ação de governo que tem a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) à frente. As afirmações foram feitas pela prefeita Maria do Carmo Lara durante reunião do Comitê de Dengue na manhã dessa quarta-feira, 20, no Centro Administrativo. Ela anunciou, ainda, que o município passou a realizar os exames laboratoriais para confirmar ou descartar os casos suspeitos da doença.
De acordo com a prefeita, a realização dos exames em Betim irá conferir maior rapidez aos resultados e agilidade para desencadear as ações adequadas em cada caso. Para ela, a população e o governo precisam fazer sua parte para que o município vença o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. "Não podemos aceitar o aumento de casos de dengue, mesmo que isto seja esperado pelas autoridades de saúde nesta época do ano. Combater a dengue é tarefa de todos, todos os dias", disse.
Maria do Carmo Lara acrescentou que as atividades de combate à dengue devem ser coordenadas pela Secretaria Municipal de Saúde, mas intersetoriais, envolvendo as secretarias de Meio Ambiente, Educação, Obras, entre outras, e as administrações regionais. Ela pontuou que mutirões de limpeza, tratamento dos focos do Aedes e aplicação de fumacê (caminhão que passa pulverizando inseticida contra o mosquito adulto) são algumas das ações realizadas.
Saúde Pública. A dengue é um dos principais problemas de saúde pública não só em Betim, mas no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 50 e 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da dengue.
Em 2009, dos 1.841 casos notificados da doença no município, 890 foram confirmados, sendo 870 por dengue clássica, 14 com complicação (paciente necessitou de internação) e seis de dengue hemorrágica. Não houve nenhum óbito. Ainda aguardam resultados de exames 128 casos. Outros 822 foram descartados. Em 2010 foram notificados até o momento 144 casos que estão em investigação.
A doença. Doença febril aguda causada por vírus, a dengue tem como vetor o mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. "O vírus causador da dengue possui quatro sorotipos e três deles estão circulando na Região Metropolitana de Belo Horizonte: DEN-1, DEN-2 e DEN- 3. A infecção por um deles dá proteção permanente para o mesmo sorotipo, ou seja, quem teve DEN-1 fica imune a ele", explica Juliana Veiga Costa Rabelo, gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Betim.
Existem duas formas de dengue: a clássica e a hemorrágica. A dengue clássica apresenta-se geralmente com febre, dor de cabeça, no corpo, nas articulações e por trás dos olhos, podendo afetar crianças e adultos. A dengue hemorrágica é a forma mais severa da doença, pois além dos sintomas citados, é possível ocorrer sangramento, ocasionalmente choque e consequências como a morte.
Transmissão. A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa. O mosquito, após um período de 10 a 14 dias, depois de picar alguém contaminado, pode transportar o vírus da dengue durante toda a sua vida.
O ciclo de transmissão ocorre do seguinte modo: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. O Aedes aegypti procria em velocidade prodigiosa e o mosquito adulto vive, em média, 45 dias.
A transmissão da doença raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a mais propícia gira em torno de 30°C a 32° C. A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente e úmido) e em 48 horas o embrião se desenvolve. É importante lembrar que os ovos que carregam esse embrião podem suportar até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Essa é uma das razões para a difícil erradicação do mosquito.
O mosquito Aedes Aegypti mede menos de um centímetro, tem aparência inofensiva, cor café ou preta e listras brancas no corpo e nas pernas. Costuma picar nas primeiras horas da manhã e nas últimas da tarde, evitando o sol forte, mas, mesmo nas horas quentes, ele pode atacar à sombra, dentro ou fora de casa. Há suspeitas de que alguns ataquem durante a noite. O indivíduo não percebe a picada, pois no momento não dói e nem coça.
Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a fêmea do Aedes voa até mil metros de distância de seus ovos. Com isso, os pesquisadores descobriram que a capacidade do mosquito é maior do que os especialistas acreditavam. Até então, eles sabiam que o Aedes só se distanciava cem metros.
Sintomas. Após a picada do mosquito, os sintomas se manifestam a partir do terceiro dia. O tempo médio do ciclo é de 5 a 6 dias. O intervalo entre a picada e a manifestação da doença chama-se período de incubação. É depois desse período que os sintomas aparecem.
Febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, que piora com o movimento dos mesmos, perda do paladar e apetite, manchas e erupções na pele semelhantes ao sarampo, principalmente no tórax e membros superiores, náuseas e vômitos, tonturas, cansaço, dor no corpo, dores nos ossos e articulações.
Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue comum. A diferença ocorre quando acaba a febre e começam a surgir os sinais de alerta: dores abdominais fortes e contínuas, vômitos persistentes, pele pálida, fria e úmida, sangramento pelo nariz, boca e gengivas, Manchas vermelhas na pele, sonolência, agitação e confusão mental, sede excessiva e boca seca, pulso rápido e fraco, dificuldade respiratória, perda de consciência.
Na dengue hemorrágica, o quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas. De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 5% das pessoas com dengue hemorrágica morrem. O objetivo do Ministério é que esse número seja reduzido a menos de 1%.
Tratamento. A reidratação oral é uma medida importante e deve ser realizada durante todo o período de duração da doença e, principalmente, da febre. O tratamento da dengue é de suporte, ou seja, alívio dos sintomas, reposição de líquidos perdidos e manutenção da atividade sanguínea. A pessoa deve manter-se em repouso, beber muito líquido (inclusive soro caseiro) e só usar medicamentos prescritos pelo médico para aliviar as dores e a febre.
Ao ser observado o primeiro sintoma, deve-se buscar orientação na unidade de saúde mais próxima.
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