À frente do Benfica, José Mourinho volta aos holofotes na Europa

À frente do Benfica, José Mourinho volta aos holofotes na Europa

(FOLHAPRESS) – A emocionante vitória sobre o Real Madrid que classificou o Benfica para a fase decisiva da Champions League trouxe de volta às manchetes esportivas um dos patriarcas do futebol europeu moderno: o técnico português José Mourinho. O triunfo do time lisboeta sobre o bilionário clube espanhol foi puro suco de Mourinho. O Benfica “espartilhou” as estrelas do adversário, nas palavras de António Veloso -colega de Mourinho na Universidade de Lisboa, onde hoje preside o conselho científico na área de educação física. “Não à toa Mourinho recebeu, no Reino Unido, o apelido de ‘Dark Lord’, por anular e aniquilar os oponentes”, disse Veloso à Folha. Em um estádio da Luz lotado, o Benfica chutou 22 bolas a gol diante de uma atônita defesa do Real Madrid. O goleiro belga Thibaut Courtois, considerado um dos melhores do mundo, praticou sete defesas difíceis, salvando o esquadrão espanhol de um resultado ainda pior. O jogo ficou em 4 a 2 para o Benfica. A epopeia incluiu um gol de cabeça do arqueiro benfiquista Trubin no último minuto. Mourinho, 63, é um dos precursores do uso de estatísticas no futebol moderno. De acordo com Veloso, ele era obcecado por analisar os adversários desde os tempos de faculdade. Viajou algumas vezes aos Estados Unidos para ver como os times de basquete da NBA utilizavam os números para melhorar seus desempenhos em quadra. “Não basta coletar estatísticas, é preciso saber como convertê-las em informações que possam ser usadas pelos jogadores”, diz Veloso. O técnico português ficou famoso por distribuir vídeos editados a seus comandados, com cenas dos adversários que teriam de enfrentar. Quando um jogador de Mourinho entra em campo, ele já sabe para que lado seu oponente dribla, quem costuma errar passes em zonas perigosas e onde haverá espaço nas costas dos defensores que sobem, entre outros pontos que abrem o caminho para a vitória. No futebol hiperconcentrado dos dias de hoje, é raro um time de fora do grupo dos dez mais ricos triunfar contra os gigantes. O Real Madrid, com faturamento anual que supera € 1 bilhão (R$ 6,19 bilhões), é o líder de um top 10 que conta com seis clubes ingleses -o que faz da Premier League britânica a mais emocionante do mundo. No ranking elaborado pela consultoria financeira Delloite, o Benfica pontua em 19º lugar, com € 293 milhões (R$ 1,81 bilhão) de faturamento. No futebol europeu, os principais clubes portugueses -Benfica, Porto e Sporting- são considerados potências intermediárias. Nenhum clube brasileiro figura no ranking dos 30 mais ricos do planeta. Mourinho conquistou duas vezes a Champions League, o principal torneio de clubes do mundo, à frente de times que estavam fora do top 10: o Porto, em 2004, e a Inter de Milão, em 2010. A década passada marcou a rivalidade entre Mourinho e Josep Guardiola, a maior do futebol europeu recente. À frente da Inter e do Real Madrid, o técnico português foi um dos únicos a encarar o melhor Barcelona de todos os tempos -que contava com Messi, Xavi e Iniesta em campo e Guardiola no banco. “São dois estilos diferentes de jogo”, afirma Veloso. “Guardiola foca seu próprio time, dispondo os jogadores em torno da bola, retendo sua posse e criando linhas de passe. Mourinho se preocupa em estudar profundamente o adversário para anular seus pontos fortes e explorar os pontos fracos.” Mourinho não treina um time “top 10” desde dezembro de 2018, quando encerrou seu ciclo no Manchester United, da Inglaterra. Foi na Premier League inglesa que o treinador português ficou famoso, conquistou seus maiores triunfos e recebeu seus dois apelidos, “Dark Lord” e “Special One”. Quando acabara de chegar a Londres para dirigir o Chelsea, em 2004, Mourinho concedeu uma entrevista coletiva. Um jornalista perguntou como ele encarava a responsabilidade de comandar um dos clubes mais ricos da Europa vindo do pequeno Portugal, onde acabara de vencer a Champions League pelo Porto. “Por favor, não me chamem de arrogante, mas eu sou campeão europeu, e o especial aqui sou eu”, respondeu, dizendo em inglês: “I am the special one”. Ele aludia ao fato de que o Chelsea não era campeão inglês havia 50 anos. Com Mourinho no banco, os “blues” de Londres foram bicampeões na Premier League, batendo recordes no ataque e na defesa. Para o jornalista esportivo britânico Adam Clery, Mourinho não apenas ganhou títulos mas revolucionou o futebol inglês. “Ele nos mostrou novas formas de jogar, num futebol que estava engessado desde os anos 1960 no esquema tático 4-4-2”, disse Clery, em um vídeo recentemente gravado para a revista esportiva Four Four Two. “Graças a ele nos libertamos do four-four-two, e a liga inglesa é o que é hoje.” Além do espírito inovador e da falta de modéstia, Mourinho é conhecido por negociar bem seus contratos -sempre longos e com multas rescisórias gigantescas. Estima-se que o técnico português tenha amealhado cerca de € 100 milhões (R$ 619 milhões) só com demissões. Entre suas “vítimas” recentes estiveram a Roma e o Fenerbahçe, da Turquia. Como muitos técnicos portugueses, o estudioso Mourinho concilia a militância no banco com atividades acadêmicas. Ele acaba de ser convocado para dar aulas no mestrado em futebol da Universidade de Lisboa, coordenado por António Veloso. Os cursos superiores para técnicos constituem o segredo do sucesso dos treinadores portugueses espalhados pelo mundo -não por acaso especialistas em analisar os adversários. Rico, bicampeão europeu e vencedor em quatro ligas nacionais (inglesa, espanhola e italiana, além da portuguesa), Mourinho diz que, em seu momento atual, pretende morar em Lisboa e se concentrar em um trabalho de longo prazo no Benfica. Parte dos portugueses, no entanto, quer vê-lo na seleção, à frente da melhor geração da história do país. Nos bastidores da FPF (Federação Portuguesa de Futebol) especula-se que o convite virá depois da Copa do Mundo deste ano. Despedida de campeã olímpica termina em queda e resgate de helicóptero A esquiadora norte-americana de 41 anos caiu durante a prova de downhill nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, que marcava sua última competição na carreira. A prova foi interrompida por cerca de 20 minutos para o resgate aéreo da atleta Notícias ao Minuto | 12:45 – 08/02/2026

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