Dubai, o hub internacional mais movimentado do mundo, e Doha permaneceram fechados pelo terceiro dia consecutivo, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos. O setor aéreo enfrenta seu maior desafio desde a pandemia de Covid-19. Nesta segunda-feira (2), a Jordânia se tornou o mais recente país da região a fechar parcialmente seu espaço aéreo. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os preços do petróleo chegaram a saltar 13%, atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2025, à medida que Irã e Israel intensificavam os ataques, aumentando a expectativa de custos mais altos de combustível para as companhias aéreas. As ações das companhias aéreas americanas caíram na abertura dos mercados nesta segunda-feira, com American Airlines e United Airlines recuando mais de 6%. Um grupo de 29 companhias aéreas, redes hoteleiras e agências de viagens líderes da Europa, Ásia e América do Norte perdeu um total de US$ 22,6 bilhões (R$ 117,5 bilhões) em valor de mercado nesta segunda-feira, segundo cálculos da Reuters. A empresa de análise de aviação Cirium informou que pelo menos 1,5 mil voos foram cancelados nesta segunda-feira, totalizando mais de 4 mil cancelamentos desde sábado. As ações da TUI, a maior empresa de viagens da Europa, caíam 9,6%, enquanto a Lufthansa recuava 5,7% e a IAG, controladora da British Airways, perdia 5,4%. A rede hoteleira Accor e a empresa de cruzeiros Carnival também registravam quedas acentuadas. “Todas as companhias aéreas estão lotadas e todos os voos estão lotados porque as pessoas estão tendo que aceitar o que podem”, disse Paul Charles, chefe da consultoria de viagens PC Agency, que ficou preso no exterior à Reuters. Charles disse que as aeronaves e as tripulações estavam espalhadas pelo mundo nos lugares errados, em um “cenário de pesadelo”. Analistas destacam o aumento dos custos com combustível, os cancelamentos e as despesas com redirecionamentos como os principais pontos de pressão para as companhias aéreas. JPMorgan, Goodbody e Citi apontam a Wizz Air como a companhia aérea europeia mais exposta devido à sua grande presença em Israel. As ações da empresa caíam 7% nesta segunda-feira. A Etihad, de Abu Dhabi, retomou alguns voos, enquanto o Aeroporto Ben Gurion, em Israel, informou que reabrirá de forma limitada. A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos começará a operar “voos especiais” nos aeroportos do país, informou a agência estatal WAM, como parte dos esforços para permitir que parte das dezenas de milhares de passageiros retidos no Oriente Médio deixe a região. Mesmo antes do conflito, o setor já estava sob pressão, já que viajantes preocupados com os custos vinham evitando viagens mais caras. A Norwegian Cruise Line Holdings previu, nesta segunda-feira, lucro em 2026 abaixo do esperado. Muitas companhias aéreas do Oriente Médio continuavam cancelando voos. A flydubai suspendeu todos os voos de e para Dubai até as 15h (8h, no horário de Brasília) de terça-feira. As ações das companhias aéreas asiáticas também foram afetadas: a japonesa ANA Holdings, a Air China, a China Eastern Airlines e a malaia AirAsia X caíram pelo menos 4%. A Cathay Pacific cancelou todos os voos para o Oriente Médio — incluindo Dubai e Riad — e isentou as taxas de remarcação. A Singapore Airlines cancelou voos de e para Dubai até 7 de março, enquanto a Japan Airlines suspendeu os serviços entre Tóquio e Doha. O analista independente de aviação Brendan Sobie afirmou à Reuters que as companhias aéreas indianas estão particularmente expostas devido às frequências intensas de voos para o Oriente Médio — que atendem trabalhadores migrantes — e à proibição do uso do espaço aéreo do Paquistão em voos de e para a Europa. A Air India cancelou voos entre a Índia e Zurique, Copenhague, Birmingham, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel e Catar, e informou que voos para Nova York e Newark farão reabastecimento em Roma. Passageiros correm para mudar de voo Os efeitos em cadeia afetaram viajantes em todo o mundo. Dubai foi o aeroporto internacional mais movimentado do mundo em 2024, com 92 milhões de passageiros, de acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos, à frente de Heathrow, em Londres, por 13 milhões. Doha ficou em 10º lugar. A Lufthansa cancelou voos de passageiros de e para os Emirados Árabes Unidos, mas tentou deslocar um jato Airbus de Dubai para Munique sem passageiros. Passageiros da Qatar Airways em Sydney disseram à Reuters que se apressaram para reorganizar suas viagens com pouca informação. Ascanio Giorgetti, 16, e sua mãe, Alessandra Giorgetti, italianos, descobriram que seu voo para Milão via Doha havia sido cancelado. Eles conseguiram uma rota alternativa para casa via Los Angeles, em outra companhia aérea. “Não temos nenhuma informação, nenhuma resposta no telefone da Catar (Airways)”, disse ela, acrescentando que as passagens custaram 4 mil euros. Jenni e Doug Stewart, ambos com 78 anos, estavam voando de Sydney para a Escócia via Doha quando seu voo voltou para Melbourne, antes de seguir para Sydney. “Fomos informados de que o espaço aéreo havia sido fechado”, disse Jenni. “Estava caótico em Melbourne, centenas de pessoas procurando até mesmo a mais vaga informação”, disse Doug à Reuters.
