Acordo UE-Mercosul provoca comemoração entre governos e protestos; veja repercussão

Enquanto governos e setores empresariais celebraram o avanço de um tratado negociado há mais de 25 anos, agricultores foram às ruas em diferentes países para protestar contra o que consideram uma ameaça ao setor rural europeu. Veja abaixo as principais repercussões da aprovação do acordo. Lula “Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”, afirmou Lula em uma rede social. Para Lula, trata-se de um “dia histórico” para o multilateralismo. — Foto: Reprodução Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen também comemorou a decisão, que classificou como “histórica”. “A Europa está enviando um sinal forte. Levamos a sério a criação de crescimento, empregos e a garantia dos interesses dos consumidores e das empresas europeias”, afirmou em comunicado. “Após 25 anos de negociações, concretizamos um acordo substancial e mutuamente benéfico, que impulsionará a prosperidade e criará oportunidades incríveis. Este acordo marca uma nova era de comércio e cooperação com nossos parceiros do Mercosul. Mas também é uma prova da resiliência e da força de nossa relação com a América Latina, e um passo que nos aproximará ainda mais.” Von der Leyen afirmou ainda que o bloco está atento às preocupações dos agricultores e do setor agrícola, contrários ao acordo. “Este acordo traz salvaguardas robustas para proteger os meios de subsistência. Além disso, estamos reforçando as ações de controle sobre as importações, porque as regras precisam ser cumpridas — inclusive pelos importadores”, disse. Friedrich Merz, chanceler da Alemanha Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz classificou o acordo como um “marco histórico” para a política comercial da União Europeia. Segundo ele, o tratado representa um sinal de força em um cenário global cada vez mais instável. “O acordo UE-Mercosul é um marco na política comercial europeia e um forte sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação. Isso é bom para a Alemanha e para a Europa”, afirmou. chanceler Friedrich Merz classificou o acordo como um “marco histórico” — Foto: X/ Reprodução Federico Pinedo, presidente do Senado argentino Do lado do Mercosul, a reação também foi positiva. O presidente do Senado argentino, Federico Pinedo, afirmou que a aprovação provisória do acordo representa um avanço decisivo após décadas de negociações. A publicação foi compartilhada pelo presidente argentino, Javier Milei. “É um novo e decisivo passo rumo à aprovação do acordo Mercosul–União Europeia. Um passo importante para o futuro. A Argentina prosperará”, declarou. presidente do Senado argentino, Federico Pinedo, afirmou que a aprovação provisória do acordo representa um avanço — Foto: X/ Reprodução Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados No Congresso brasileiro, o presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o tratado representa um avanço histórico em um momento de tensões comerciais globais e defendeu o fortalecimento da cooperação entre países. Hugo Motta vê acordo como histórico em um momento de tensões comerciais globais — Foto: X/ Reprodução Beate Meinl-Reisinger, ministra das Relações Exteriores da Áustria Outro governo que comemorou o avanço do acordo foi o da Áustria. A ministra das Relações Exteriores, Beate Meinl-Reisinger, celebrou publicamente a formação de uma maioria favorável dentro da União Europeia. “Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE a favor do acordo do Mercosul. Precisamente porque a ordem mundial está mudando drasticamente, a Europa precisa de novos parceiros”, afirmou. Segundo ela, o tratado deve trazer benefícios diretos para a economia e para as empresas austríacas. A ministra também defendeu que a UE avance em novos acordos comerciais, como o que está em negociação com a Índia. Protestos na Europa Em Paris, vários tratores se posicionaram na entrada da cidade. Os protestos também ocorreram em cidades como Bordeaux e Le Mans, segundo a agência AFP. Na Polônia, fazendeiros protestaram em Varsóvia contra a abertura do mercado europeu a produtos agrícolas sul-americanos. Na Bélgica, agricultores bloquearam rodovias com tratores e fogueiras, repetindo cenas de outros momentos de tensão entre o campo e as instituições europeias. 🔎 O principal temor é a entrada de alimentos mais baratos, especialmente carne bovina, produzidos sob regras ambientais diferentes das exigidas na União Europeia. Protesto contra acordo de livre comércio UE-Mercosul, em Paris — Foto: Sarah Meyssonnier/Reuters Governo europeus defendem acordo como estratégico A Comissão Europeia e países favoráveis ao acordo, como Alemanha e Espanha, argumentam que o tratado vai além do comércio agrícola. Para o bloco, o pacto com o Mercosul é visto como uma forma de reduzir a dependência econômica da China e fortalecer o acesso a matérias-primas estratégicas, como o lítio — essencial para a produção de baterias e para a transição energética. Segundo a Comissão, o acordo garante isenção de impostos para a exportação da maioria desses minerais e contribui para diversificar as cadeias globais de suprimento. Defensores do tratado também afirmam que a medida pode amenizar os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo do presidente Donald Trump, que afetaram produtos europeus. Em termos numéricos, o acordo é apresentado como o maior já firmado pela União Europeia em redução tarifária. A expectativa é eliminar mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre exportações do bloco. Além disso, empresas europeias poderão disputar contratos públicos nos países do Mercosul nas mesmas condições que fornecedores locais — algo inédito nos acordos comerciais do grupo sul-americano. Saiba mais sobre o acordo na reportagem abaixo. Agricultores franceses protestam em frente à Assembleia Nacional contra o acordo UE-Mercosul — Foto: Benoit Tessier/Reuters

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