A empresa esteve no centro segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14), a mesma que investiga fraudes no Banco Master. João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos foi alvo de mandados de busca e apreensão. O g1 entrou em contato com a Reag Investimentos mas não obteve retorno. Em nota, o Banco Central informou que a instituição se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial e representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Segundo a autoridade monetária, a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”. O BC afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais”. De acordo com o comunicado, o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”, conforme a legislação vigente. “Ainda nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, concluiu o Banco Central. ▶️ Com a decretação da liquidação da administradora pelo Banco Central, os fundos ligados à Reag não foram encerrados. A Reag atua como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento. A medida do BC atinge a instituição responsável pela administração, e não os fundos em si, que permanecem ativos no mercado. As carteiras seguem existindo, mas deverão buscar novas instituições para exercer a função de administração e garantir a continuidade das operações. Master é investigado por fraude bilionária O caso do Banco Master virou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. Em novembro, o Banco Central (BC) determinou a liquidação extrajudicial do banco. A liquidação ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, essa pode ser a “maior fraude bancária” do país. Deflagrada nesta quarta-feira, uma operação da Polícia Federal resultou na apreensão de carros, relógios de luxo e outros bens de alto valor em endereços ligados a suspeitos de fraudes financeiras no Banco Master. Por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram autorizados 42 mandados de busca e apreensão, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que, segundo a PF, ultrapassam R$ 5,7 bilhões. Durante as diligências, os agentes também encontraram dinheiro em espécie. Até a última atualização, haviam sido apreendidos R$ 97,3 mil em numerário. As ações ocorreram em São Paulo — inclusive em endereços na Avenida Faria Lima, um dos principais polos financeiros do país — e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Investigação por elo com PCC A operação é considerada a maior já realizada no país contra o crime organizado e mirou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis, que teria sonegado mais de R$ 7,6 bilhões em impostos. Segundo as investigações, o PCC atuava desde a importação irregular de produtos químicos para adulterar combustíveis até a lavagem de dinheiro por meio de fundos de investimento e fintechs. A Receita Federal identificou ao menos 40 fundos, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, controlados pela facção e usados para ocultar recursos no mercado financeiro, especialmente na região da Avenida Faria Lima. Mais de 350 pessoas físicas e jurídicas são investigadas por crimes como lavagem de dinheiro, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes ambientais. À epoca, a Reag afirmou em nota que colaborou com as autoridades, diz que agiu de forma regular nos fundos em que prestou serviços e negou qualquer envolvimento com atividades criminosas. – Esta reportagem está em atualização.
