Segundo o ministro, o processo todo deve durar menos de um mês. Segundo ele, há um acordo entre o órgão e o Banco Central (BC) para que a análise dos documentos seja realizada. A expectativa é que o plenário do TCU vote a proposta de inspeção na decisão do BC no caso Master em 21 de janeiro. O objetivo, segundo Vital do Rêgo, era encontrar uma forma de conciliar o poder de fiscalização do TCU com a autonomia do BC, que questionava a possibilidade de inspeção técnica em suas dependências. Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo — Foto: TCU/Divulgação Vital do Rêgo disse, ainda, que acredita que a reunião desta segunda afasta as chances de aplicação de medida cautelar. Isso porque o ministro relator escreveu, mais de uma vez em despachos, que poderia determinar a suspensão da venda de ativos do Master. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, Vital do Rêgo negou que tenha sido um erro a entrada do TCU no processo sobre a liquidação do Banco Master e afirmou que não haverá reversão da decisão do Banco Central. “O que nós veremos é que o BC teve toda razão em liquidar o Banco Master, como faz qualquer agência reguladora”, disse o ministro do TCU. Relator diz que inspeção terá caminho normal Após a conversa, o ministro Jhonatan de Jesus soltou uma nota afirmando que a conversa entre o TCU e o BC “ocorreu em tom amistoso e cooperativo”. “Na ocasião, houve alinhamento quanto à competência do TCU para fiscalizar atos do Banco, respeitados o sigilo documental e a discricionariedade técnica da autoridade monetária. A inspeção seguirá os trâmites regimentais normais, respeitado o devido processo legal. O diálogo fortalece a segurança jurídica e a estabilidade das decisões públicas”, disse. Entenda o caso No entendimento do ministro, faltavam informações para embasar as explicações dadas pela autoridade monetária sobre a liquidação, decretada em novembro. O BC reagiu à decisão e recorreu, argumentando que o procedimento não poderia ser determinado por um único ministro, mas deveria ser submetido à deliberação do colegiado do TCU. Jesus acolheu o pedido, ou seja, decidiu levar a discussão sobre a inspeção ao plenário, mas deixou clara a sua insatisfação com o questionamento do BC. Em um dos trechos do despacho, o ministro disse que “sob o ângulo regimental, não procede à premissa de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado”. Além disso, Jhonatan de Jesus afirmou que o recuo se deu diante da “dimensão pública” que o caso ganhou. “Ocorre que a dimensão pública assumida pelo caso, com contornos desproporcionais para providência instrutória corriqueira nesta Corte, recomenda que a controvérsia seja submetida ao crivo do Plenário, instância natural para estabilizar institucionalmente a matéria”, afirmou o relator. Antes mesmo da determinação da inspeção, as explicações solicitadas por Jhonatan de Jesus já haviam sido alvo de críticas. No mesmo dia em que mandou o BC responder, em até 72 horas, sobre o que fundamentou a liquidação do banco de Vorcaro, instituições do setor bancário reagiram. Em nota, a Federação Brasileira de Bancos manifestou plena confiança na decisão do BC. Afirmou que “a solidez e a resiliência do setor bancário e a independência do regulador do sistema financeiro são um ativo e um patrimônio nacional”. “A força do setor bancário se alicerça na força do regulador, que somente se sustenta com respeito, credibilidade e dignidade institucional, pilares que sempre forjaram a atuação do Banco Central brasileiro”, disse a entidade.