A Justiça brasileira e dois órgãos federais determinaram que a rede social X, do bilionário Elon Musk, adote medidas imediatas para impedir que sua ferramenta de inteligência artificial, o Grok, seja usada na criação de imagens de cunho sexual envolvendo crianças, adolescentes ou adultos sem consentimento. A decisão foi anunciada na quarta-feira pelo procurador-geral da República, pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Os órgãos exigem que a plataforma implemente mecanismos eficazes para bloquear a geração de conteúdos sexualizados ou erotizados produzidos com o auxílio da ferramenta de IA. A X terá o prazo de cinco dias para cumprir a determinação. Caso contrário, poderá ser alvo de novas ações judiciais e da aplicação de multas. Segundo as autoridades brasileiras, a empresa já havia sido advertida em janeiro sobre o problema. À época, a plataforma informou ter removido milhares de publicações e suspendido centenas de contas relacionadas à divulgação de imagens inadequadas. Mesmo assim, de acordo com os órgãos de controle, usuários ainda conseguem gerar imagens de teor sexual por meio do Grok, o que levou à nova cobrança e à crítica por “falta de transparência” na resposta da empresa. No fim de 2025 e início de 2026, o robô conversacional passou a responder a comandos de usuários com imagens criadas por inteligência artificial, incluindo montagens que colocavam celebridades e pessoas comuns, majoritariamente mulheres, em situações de nudez ou trajes íntimos, sem autorização. A repercussão internacional gerou investigações em países como França e Reino Unido, além de apurações no âmbito da União Europeia. A Comissão Europeia também anunciou investigação sobre o Grok por suspeita de disseminação de imagens sexualmente explícitas manipuladas, inclusive conteúdos que poderiam configurar abuso sexual infantil. Em alguns países do Sudeste Asiático, como Malásia, Indonésia e Filipinas, o acesso à rede social chegou a ser suspenso temporariamente em meio à controvérsia, sendo restabelecido depois. Em meados de janeiro, a X afirmou que passaria a bloquear a geração de imagens de nudez de pessoas reais “nas jurisdições onde isso é ilegal”. No entanto, não há clareza sobre a efetividade dessas restrições. Relatório da organização não governamental Center for Countering Digital Hate (CCDH) apontou que o Grok teria gerado cerca de três milhões de imagens sexualizadas em apenas 11 dias, incluindo aproximadamente 23 mil envolvendo crianças e 1,8 milhão retratando mulheres. O levantamento indica uma média de cerca de 190 imagens por minuto no período analisado. Inicialmente, a criação desse tipo de conteúdo estava restrita a usuários pagantes da plataforma, mas as medidas de contenção vêm sendo questionadas por autoridades e entidades de defesa de direitos digitais. No Brasil, a relação entre a X e o Judiciário já passou por outros momentos de tensão. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal determinou a suspensão temporária da rede no país após o descumprimento de decisões relacionadas ao combate à desinformação. Não vai querer perder a próxima atualização do iPhone Atualização do iPhone deve trazer melhorias na Siri com integração ao Gemini, do Google, mas mudanças mais profundas na assistente virtual só são esperadas para junho, durante a conferência anual de desenvolvedores da empresa Notícias ao Minuto | 06:30 – 10/02/2026
Brasil dá 5 dias para X bloquear imagens sexuais feitas por IA
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