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Caso Master leva BC a estudar regras para limitar risco dos bancos e reforçar proteção de clientes

por Redação
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Entre as medidas, disse o presidente do BC, estão limites mais claros sobre até quanto uma instituição poderá ampliar seus investimentos usando recursos de terceiros, além de regras mais definidas sobre a obrigação de manter parte desses valores em reserva ou aplicá-los em ativos mais seguros — como títulos públicos, por exemplo — como forma de proteção. Galípolo também mencionou uma medida em consulta pública que trata da qualidade dos ativos, com o objetivo de evitar que instituições que captam recursos de pessoas físicas utilizem esse dinheiro de maneira incompatível — por exemplo, aplicando valores que podem ser sacados a qualquer momento em investimentos de longo prazo. “Não quero dizer que não possa voltar a ocorrer a liquidação de outro banco, mas isso é como polícia e ladrão: você fecha uma porta e eles tentam abrir outra”, disse Galípolo em evento do BTG Pactual, reiterando a importância de o sistema financeiro adaptar suas regras para evitar novos casos. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 O presidente do BC também ressaltou a importância da colaboração do sistema financeiro e da Polícia Federal nos casos de fraude registrados no último ano. “Tivemos um evento específico, que foi o caso Master, mas também tivemos uma série de ataques que demandaram respostas rápidas e ativas do Banco Central, de entender por onde estava acontecendo aquele problema e de que maneira poderíamos apertar as regras”, afirmou. Galípolo se referia, nesse caso, ao ataque cibernético que afetou pelo menos seis instituições financeiras quando, em julho do ano passado, a C&M Software — uma empresa de tecnologia que conecta bancos menores e fintechs ao PIX — teve seus sistemas invadidos, gerando prejuízos de centenas de milhões de dólares. “Foi essencial contar com a parceria das principais instituições do mercado para que pudéssemos fazer um ajuste adequado: não prejudicar quem atua de forma regular e, ao mesmo tempo, impedir quem tenta fazer mau uso”, afirmou Galípolo. “Isso é um trabalho contínuo.” Cortes de juros e meta de inflação O presidente do BC afirmou que o atual momento do país e do mundo traz uma série de incertezas que podem influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Por isso, segundo ele, o órgão precisa aguardar dados que reforcem a confiança necessária para iniciar o ciclo de cortes de juros. “Estamos em um ambiente com diversas fontes de incerteza”, afirmou Galípolo, destacando dúvidas sobre os rumos da geopolítica internacional, da política econômica dos Estados Unidos e de outros países, além da incerteza relacionada ao ano eleitoral brasileiro. “É uma correlação de variáveis econômicas que não têm sido bem comportadas. Então ainda que a política monetária tenha, sim, conseguido trazer o nível do crescimento da economia brasileira para um nível mais baixo, inflação corrente para um patamar mais baixo ainda temos outras variáveis no Brasil que dificultam extrair uma evidência mais clara [sobre o futuro dos juros]”, disse. Galípolo afirmou ainda que a sinalização do Copom de que um ajuste nos juros só deve começar a partir de março visa justamente permitir que o comitê “reúna maior confiança” para iniciar o ciclo de cortes. Ele também defendeu a meta de inflação brasileira — de 3% em 2026, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — reiterando que o país “está em linha” com seus pares. “O que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é o porquê de o Brasil precisar sustentar taxas de juros [que], comparativamente aos seus pares, são mais elevadas, para com muito esforço conseguir fazer uma convergência maior [da inflação] para a meta”, disse durante evento. Galípolo reiterou que a resposta envolve fatores conjunturais (de curto prazo) e estruturais (de longo prazo) e que esse cenário não é exclusivo do Brasil. Segundo o banqueiro central, várias séries históricas — especialmente as do mercado de trabalho — ficaram distorcidas e mais difíceis de analisar desde a pandemia. Além disso, programas sociais e estímulos econômicos ampliaram significativamente a liquidez na economia, o que ainda impacta os dados. “Além disso, temos novas formas de empregabilidade associadas às plataformas [digitais] e, agora, a chegada da inteligência artificial. Ainda é bastante cedo para a gente conseguir ter algum tipo de conclusão [sobre os efeitos disso no mercado de trabalho]”, afirmou. No caso do Brasil, disse Galípolo, ainda há sinais mistos no mercado de trabalho: o desemprego segue em níveis historicamente baixos, mas os ganhos de produtividade continuam reduzidos. “O tema central é como a gente consegue colaborar para um ambiente mais convidativo para que o investimento privado possa concorrer, e consiga manter a produtividade [em patamares] mais elevados. Essa é uma agenda central para que a gente consiga se desenvolver”, completou.

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