Veja os vídeos que estão em alta no g1 Já mirando na eleição deste ano, o Executivo deve intensificar as articulações para aprovar pautas populares e importantes no debate eleitoral. São elas: Segurança públicaFim da jornada 6x1Regulamentação do trabalho por aplicativoMedidas provisórias Acordo Mercosul-UE A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou nesta semana que o governo trabalha para enviar ao Congresso nos primeiros dias de fevereiro o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia. O objetivo é fazer com que o pacto comercial entre logo em vigor. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já disse que, assim que o acordo chegar à Casa, “dará celeridade” na análise do tema. Segundo Gleisi Hoffmann, há sinalização dos líderes pela aprovação da proposta. Assinatura do tratado do acordo entre Mercosul e União Europeia — Foto: Reprodução/TV Globo No Executivo, a avaliação é que a judicialização pode atrasar o cronograma de ratificação e, na prática, comprometer a expectativa de funcionamento do acordo no segundo semestre, além de aumentar a insegurança jurídica em torno do texto negociado. A estratégia brasileira agora é tentar a vigência provisória. Na avaliação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento e Comércio, Geraldo Alckmin, a aprovação do acordo pelo Congresso Nacional ajudará na Comissão Europeia para que haja uma vigência provisória enquanto há uma discussão na área judicial. O governo brasileiro entende que, mesmo tendo recurso judicial do Parlamento Europeu, já é possível colocar em prática a relação de comércio definida no acordo. A expectativa do governo é que, no segundo semestre do ano, o acordo já esteja em funcionamento. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e Alckmin avaliam que o esforço agora se concentra na etapa de ratificação e que a entrada em vigor do acordo pode ampliar o acesso do Brasil a mercados estratégicos, impulsionar exportações e fortalecer a posição do país no comércio internacional. Alckmin diz que vai acelerar aprovação aqui no Brasil do acordo do Mercosul com a UE A votação do acordo não deve encontrar resistências na Câmara, segundo os parlamentares. Motta sinalizou aos deputados que, se houver procrastinação em alguma comissão temática, ele levará a proposta diretamente ao plenário por meio de um requerimento de urgência. “Avançou bem o debate. A oposição e o governo estão alinhados. É uma prioridade do país”, afirmou o deputado Mendonça Filho (União-PE). Segurança pública O relator da proposta, deputado Mendonça Filho (União-PE), afirmou que vai debater possíveis ajustes no texto com as bancadas nas próximas semanas. Depois, a previsão é que o tema seja apreciado na Comissão Especial na semana de 23 de fevereiro e, após essa etapa, siga para plenário. 🔎A PEC da Segurança Pública é uma proposta do governo federal que busca ampliar a atuação da União no combate ao crime organizado e na coordenação das políticas de segurança no país. O texto cria mecanismos para integrar forças de segurança pública do país, incluindo: fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal;ampliação da cooperação com estados e municípios;possibilidade de atuação mais integrada das forças de segurança em crimes de alcance nacional, como tráfico de drogas, armas e atuação de facções. Lei Antifacção e PEC da Segurança na pauta da Câmara em 2026 Um líder de um partido do Centrão disse que o tom da conversa entre os líderes na reunião da última quarta-feira (28) aponta para a busca de consenso entre governo e o relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), para aprovação da PEC da Segurança. Segundo esse líder, o debate entre os deputados na Residência Oficial mostrou a boa-vontade do governo em negociar e do relator em fazer ajustes no texto. Um deputado da base afirmou que, embora o governo estique a linha, deve trabalhar pela construção de um acordo, porque já deu o discurso de “defensor de bandido” para a oposição ao votar contra o projeto Antifacção. O governo quer votar uma proposta mais parecida com a que foi enviada pelo então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. Mendonça fez mudanças que desagradaram o Executivo. “A espinha dorsal do projeto precisa ser mantida”, afirmou o líder do governo, José Guimarães (PT-CE). O deputado cita como exemplos o planejamento integrado das ações de segurança pública e a autonomia para a Polícia Federal (PF) enfrentar as facções nos estados. Os líderes presentes no encontro disseram que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), está disposto a ajudar, o que deve agilizar a análise da proposta. No final da tarde de quarta, Motta recebeu o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na Residência Oficial. Mendonça afirmou que também vai se reunir com o ministro na próxima semana. A ideia é votar a proposta no plenário da Câmara nos dias 24 e 25 de fevereiro. “Não foi discutido muito mérito. Mas ficou claro que é uma prioridade do governo e do parlamento. Eu tenho uma adesão bastante significativa junto aos líderes. Não houve uma grande ponderação, mas o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), se mostrou disposto a levar o debate para junto do ministro”. Deputado José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara. — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados Apesar do otimismo em parte do centro e da base, a matéria deve sofrer resistência da oposição. O líder da oposição, Cabo Gilberto Nascimento (PL-PB), afirmou que a PEC só “cria confusão entre as categorias”. “A gente é contra. Não resolve em nada o problema da segurança pública. É só eleitoreiro. Não tem nada de concreto. Não ataca as facções. Não faz nada”, afirmou. Em outra frente, o governo também aposta no avanço das discussões sobre combate ao crime organizado. O tema está contemplado no projeto de Lei Antifacção, aprovado em dezembro no Senado. Já sobre essa proposta, Motta sinalizou que deve deixar para um segundo momento. A proposta cria o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado e aumenta a punição, estabelecendo até 60 anos de prisão para lideranças e com possibilidade de agravantes, e dificulta a progressão de regime para membros de grupos criminosos. Também prevê que chefes de facções e milícias terão de cumprir as penas em presídios federais de segurança máxima. Câmara transferiu para 2026 votações da PEC da Segurança e do PL Antifacção O chamado PL Antifacção é uma das apostas do governo para endurecer o combate ao crime organizado no país. A proposta altera a legislação penal para ampliar instrumentos de investigação e punição contra organizações criminosas, com foco especial em facções que atuam de forma estruturada dentro e fora dos presídios. Entre os pontos estão o aumento de penas para líderes de facções, regras mais rígidas para progressão de regime e maior integração entre órgãos de segurança e inteligência. O projeto é apresentado pelo governo como complementar à PEC da Segurança Pública, mas enfrenta resistência no Congresso por envolver mudanças sensíveis no sistema penal e prisional. Muitos avaliam que o texto, apesar de ampliar o poder do Estado, pode gerar impactos no sistema prisional, já sobrecarregado. Há também críticas sobre a real eficácia do endurecimento penal no enfrentamento das facções e preocupações com possíveis violações de garantias individuais. Diante desse cenário, a tramitação tende a ser mais lenta, com pressão por alterações no texto antes de qualquer avanço. Entretanto, o PL Antifacção ganhou também um forte apelo eleitoral, justamente porque a segurança pública tem sido apontada como um dos pontos de maior fragilidade na imagem do governo. Aliados e integrantes da base aliada afirmam que avançar com medidas contra facções criminosas pode ajudar a responder às críticas de eleitores preocupados com violência e sensação de impunidade, além de sinalizar compromisso com a ordem pública. No entanto, essa mesma dimensão eleitoral intensifica o debate no Congresso, já que opositores veem na proposta uma tentativa de capitalizar politicamente sobre o tema, tradicionalmente associado às bandeiras da direita. Fim da escala 6×1 O fim da jornada de trabalho 6×1 virou um dos temas prioritários do governo Lula para este ano, podendo ser até um dos “motes” de campanha do presidente à reeleição. A Câmara dos Deputados e o Senado Federal reúnem uma série de propostas que tratam do tema. Quaest: 72% apoiam o fim da escala 6×1 Nenhuma delas, no entanto, avançou à fase de votação. A resistência e as divergências em torno do assunto levaram ministros palacianos a entrar diretamente nas negociações. Empossado ministro da Secretaria-Geral da Presidência em outubro, Guilherme Boulos definiu o avanço do tema no Congresso como uma das prioridades da pasta responsável pelo diálogo do governo com os movimentos sociais. Ao lado da ministra Gleisi Hoffmann, ele é um dos principais articuladores do fim da escala 6×1. Protesto em maio de 2025 pediu o fim da escala 6×1 — Foto: Hermínio Bernardo/TV Globo Uma outra proposta que chegou a avançar no fim do ano passado no Senado também tem sido vista com bons olhos pelo governo. Relatada pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE), a proposta de emenda à Constituição reduz a jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais. A ministra Gleisi Hoffmann afirmou que o governo não descarta enviar um projeto para unificar as propostas que já estão em tramitação no Congresso sobre o tema e que a expectativa é pela aprovação ainda no primeiro semestre. Segundo ela, Motta “é simpático” em colocar o tema em discussão. Para Gleisi, o projeto tem apoio popular e, assim como a isenção do Imposto de Renda, deve ter o apoio de todo o parlamento. Líderes ouvidos pelo g1 disseram acreditar na aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso neste ano, mas afirmaram que o texto só avançará se o “padrinho” ou a “madrinha” do projeto for neutralizada. “Haverá alguma mudança, porque necessariamente não dá para votar a escala 6×1 dando crédito a A,B ou C. Para que avance, precisa neutralizar o padrinho ou madrinha. Eu acredito que passa, mas precisa ser algo neutro”, afirmou um deputado de centro. A ideia é fazer da proposta uma demanda da sociedade sem que nenhum deputado colha os benefícios da sua aprovação em ano eleitoral. Na Câmara, quem alavancou o projeto foi a deputada Erika Hilton (PSOL-SP). “Se for do PSOL, em ano eleitoral, para depois dizer que a Erika quem fez, a direita não vai deixar”, afirmou um parlamentar ouvido pelo g1. Uma saída ventilada é o envio de um projeto do Executivo à Câmara. Deputada Erika Hilton (PSOL) — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias Por outro lado, o líder do PDT, Mário Heringer (PDT-MG), afirmou que não dá para afastar a autoria da proposta. “Acredito que passa, mas não tem jeito isso [mudar autoria]. A dona do projeto é a Erika Hilton e pronto. Ela foi a primeira que falou no tema e isso está mais do que sabido. Não dá para mudar a narrativa”. Mesmo a oposição é cautelosa a respeito da pauta, tema que é popular e pode desgastar os parlamentares que votarem contrariamente em ano eleitoral. “Somos a favor de um diálogo com o setor que será afetado, tanto dos trabalhadores, como dos empregadores”, afirmou Cabo Gilberto Nascimento. Regulamentação do trabalho por aplicativo Além da Secretaria-Geral e de representantes de entregadores e motoristas de aplicativo, o grupo reúne integrantes dos ministérios do Trabalho e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O objetivo é consolidar diretrizes que orientem a atuação do Executivo e contribuam para a tramitação de um projeto de lei no Congresso. O Executivo tem defendido três eixos centrais na regulamentação: a fixação de uma remuneração mínima por entrega ou corrida, com limite para o percentual apropriado pelas plataformas;a transparência dos algoritmos que definem valores pagos aos trabalhadores; ea garantia de acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente patronal. A previsão é que o Executivo leve à Câmara um relatório produzido pelo grupo e que deve servir de subsídio ao projeto que tramita na Câmara relatado pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). Espaço para descanso e suporte de condutores e entregadores de aplicativo é inaugurado em Fortaleza. — Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução Boulos e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pretendem se reunir em fevereiro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para alinhar o conteúdo da proposta. O documento será uma das bases levadas pelo governo para a negociação do texto final do projeto. O tema, no entanto, ainda está fora do radar e pode não avançar no primeiro semestre, segundo deputados. Medidas provisórias 🔎As medidas provisórias são editadas pelo governo federal e enviadas ao Congresso Nacional. Para se tornarem leis definitivamente precisam ser votadas em até 120 dias na Câmara e no Senado Federal. O programa vai oferecer gratuidade no botijão de gás de cozinha (GLP) e pretende ampliar o atual Auxílio Gás, com uma nova modalidade do auxílio, direcionada para famílias inscritas no Cadastro Único, com renda igual ou inferior a meio salário mínimo. Outra MP que precisa ser votada ainda em fevereiro para não perder validade é o que transforma a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em uma agência reguladora, chamada de Agência Nacional de Proteção de Dados. A MP vence em 25 de fevereiro e foi votada em uma comissão mista também em dezembro de 2025. Alçada à condição de autarquia especial, a agência passa a comprar estrutura da administração indireta, com autonomia funcional, técnica, decisória e administrativa. Além disso, outras três MPs abriram créditos extraordinários para ministérios e para operações financeiras. Embora o dinheiro já tenha sido liberado, porque as MPs tem validade a partir de sua edição, o texto costuma ser votado pelos parlamentares. Duas dessas medidas perdem validade no dia 9 de fevereiro e uma terceira “caduca” no dia 24 de fevereiro. Outras cinco medidas provisórias caducam em fevereiro, mas ainda não foram votadas na comissão mista.
Com volta dos trabalhos no Congresso, governo prioriza aprovação de acordo Mercosul-UE e pautas com potencial eleitoral
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