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COP30 considera possibilidade de quase metade dos países não entregarem metas climáticas

por Folhapress
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(FOLHAPRESS) – A presidência da COP30, a conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, espera que pelo menos cem países entreguem suas metas voluntárias de redução de emissões de gases do efeito estufa antes do evento, que ocorrerá em novembro em Belém. O cálculo considera um atraso de 97 nações. Até o momento, apenas 29 dos 197 países que fazem parte da convenção do clima da ONU entregaram suas novas NDCs (contribuições nacionalmente determinadas). O prazo para apresentar os compromissos, que teriam vigência até 2035, venceu em fevereiro deste ano e foi prorrogado até setembro. O Acordo de Paris exige versões mais ambiciosas das metas a cada cinco anos e os documentos devem estar alinhados ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C. Ana Toni, CEO da COP30, afirma que o ideal seria que o conjunto das NDCs entregues antes da cúpula abrangesse de 60% a 70% das emissões globais de gases do efeito estufa. “Se forem cem metas só de países muito pequenininhos, que emitem pouco, não adianta. Tem que envolver os grandes países também, como China e Índia”, disse à Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (27) após participar de um evento da Rio Climate Action Week no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. A UNFCCC, o escritório climático da ONU, tem até outubro para apresentar o que se chama de relatório-síntese dessas metas, uma avaliação de quanto o mundo avançou, ou não, no objetivo de evitar o aquecimento do planeta. Toni avalia que o documento precisa considerar um grande volume de emissões para ser fiel à realidade. O Brasil entregou sua nova NDC em novembro de 2024, durante a COP29, no Azerbaijão. O país se comprometeu a cortar as emissões de 59% a 67% em 2035, na comparação com os níveis de 2005. “É muito triste ver que só 29 países fizeram [as novas metas]. Mas o presidente Lula e o secretário-geral da ONU, António Guterres, têm conversado com os presidentes e os líderes de muitos países, não para pressionar, mas para perguntar como é que estão as suas NDCs”, afirma Toni. A sexta carta do presidente da COP30, divulgada em 19 de agosto, cobrou a entrega das metas. “Nenhuma ação é demonstração mais forte de compromisso com o multilateralismo e com o regime climático do que as NDCs que nossos países apresentam como determinação nacional de contribuir para o Acordo de Paris”, disse o embaixador André Corrêa do Lago. Apesar do atraso generalizado, a diretora da COP30 mostra otimismo: “A União Europeia e a China fizeram uma declaração e disseram que também vão fazer as suas NDCs. Então, a gente tem esperança que elas sejam depositadas e comunicadas antes da COP”. Países da América Latina e do Caribe também planejam entregar as novas metas antes da cúpula climática, segundo ela. Nesta quinta-feira (28), em Brasília, Corrêa do Lago afirmou que alguns países vinham elaborando suas NDCs conjuntamente com os planos internos para executá-las, o que não é necessário e pode estar atrasando o processo. O Brasil, por exemplo, apresentou sua NDC em novembro de 2024, e depois começou a elaborar essas diretrizes internas –que ainda estão sendo finalizadas. O presidente da COP30 disse que, em viagem recente ao México para um encontro preparatório da cúpula, a delegação brasileira fez uma reunião com outros países para dar esse exemplo e tentar acelerar o processo de outras nações. Financiamento Toni afirma que o Brasil vai oferecer propostas reais para aumentar aportes financeiros para combater as mudanças climáticas, mas reconhece não ser possível contar apenas com repasses de países ricos. “A gente está trabalhando muito próximo ao Ministério da Fazenda para trazer coisas concretas, porque não adianta chegar na COP30, mais uma vez, pedindo grandes números e esperando que esse recurso público vai vir dos países desenvolvidos”, diz. As nações em desenvolvimento exigem ao menos US$ 1,3 trilhão ao ano para financiar a adaptação e a mitigação aos impactos da mudança climática. Porém, o acordo final da COP29, em 2024, determinou apenas US$ 300 bilhões anuais, um aumento em relação aos US$ 100 bilhões anteriores, mas ainda considerado incompatível com os objetivos do Acordo de Paris. Toni afirma que o tema segue na pauta da conferência. “A COP30 é uma COP de financiamento, porque é uma COP de implementação. Sem financiamento, vamos combinar, não tem implementação”, diz. Os presidentes das COPs 29 e 30 preparam um documento com orientações para aumentar o financiamento climático. Economistas defendem a inclusão de fontes privadas nessa conta. “Se alguém pensou que a COP29 era a COP de finanças, da nova meta de financiamento em que passamos dos US$ 100 bilhões para os US$ 300 bilhões, eu acho que as pessoas não notaram o que está acontecendo em preparação para a COP30”, afirma Toni. Brasil pede que ONU amplie auxílio a hospedagem de países na COP30 O Brasil negou usar dinheiro público para hospedagens de outros países para o evento Folhapress | 21:20 – 22/08/2025

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