SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Um estudo recente concluiu que o corpo humano compensa parte da energia gasta durante exercícios físicos para ter uma reserva para outros processos fisiológicos, como funções metabólicas básicas. Como resultado, o aumento no gasto energético é menor do que o previsto. Isso sugere que exercícios aeróbicos talvez não causem uma queima calórica tão alta quanto se pensava. O debate sobre se exercícios físicos levam a mudanças em como metabolismos de seres vivos manejam o gasto energético é baseado em dois modelos. O primeiro deles, chamado aditivo, defende que atividades físicas não levam a mudanças no uso de energia. Sendo assim, se um treino induz a um gasto de 500 calorias, esse consumo energético seria adicionado ao consumo diário de energia esperado para atividades básicas. Já o segundo modelo, conhecido como restrito, segue pelo caminho oposto. Ele aponta que, a partir de reajustes de gastos energéticos, o organismo compensa a queima de energia e o consumo causado por exercícios físicos é parcial. Publicado na revista Current Biology, o novo estudo parte dessas duas noções sobre o assunto. Os autores desenvolveram um modelo quantitativo para testar as duas ideias a partir de resultados de 21 estudos prévios. Desse total de pesquisas já publicadas, 14 envolviam dados de humanos. Ao analisar as informações, a principal conclusão foi que atividades físicas levam a reajustes de gasto energético, algo visto principalmente em exercícios aeróbicos. Em exercícios desse tipo, o dispêndio de energia em humanos aumentou somente 30% do que era inicialmente esperado considerando o modelo aditivo. Exercícios de resistência apresentaram resultados diferentes, com baixas taxas de compensação energética, mas os autores do artigo afirmam que é necessário ter cautela -a amostra desse tipo específico de atividade física foi pequena. O resultado indica que atividades aeróbicas podem, na realidade, ter um efeito menor no gasto energético comparado ao que se acreditava. “A compensação que observamos com o exercício aeróbico contribui para que o exercício seja uma ferramenta inadequada para a perda de peso. Mostramos no artigo que pessoas que experimentaram maior compensação energética perderam menos peso”, afirma Herman Pontzer, professor de antropologia evolutiva e saúde global na Universidade Duke, nos Estados Unidos, e um dos autores do novo artigo. Pontzer explica que ainda não está claro por que essa compensação energética mediante exercícios ocorre. Algumas explicações prévias são conectadas com o mínimo de calorias que um corpo requer para manter funções vitais quando ativo, a chamada taxa metabólica basal, e também durante o sono, conhecido como taxa metabólica do sono. A alimentação também aparenta impactar a compensação energética. O reequilíbrio no gasto de energia aumentou quando dietas restritivas foram adotadas em conjunto com exercícios aeróbicos, diminuindo ainda mais os benefícios para consumo calórico por aeróbicos. Mas Pontzer reitera que uma dieta controlada, de forma isolada, ainda é eficaz para perda de peso, mas adicionar exercício aeróbico na equação não auxilia no objetivo. O mecanismo pelo qual o corpo humano reduz o gasto energético em atividades rotineiras é, de início, positivo. O corpo faz esse ajuste para evitar o gasto excessivo de energia, mantendo um nível próximo ao necessário para que o metabolismo de diferentes seres vivos funcione normalmente, mesmo em uma situação de maior gasto energético. De acordo com Pontzer, uma teoria é que esse artifício tenha se estabelecido para ajudar organismos a sobreviver a momentos de alto índice de atividade física e gasto energético. Quando se trata do caso de atividades físicas, o reequilíbrio no gasto energético pode ser levado à exaustão e, nesse cenário, a redução no gasto energético de outras atividades do metabolismo pode ocasionar limitações significativas em funções fisiológicas. Pontzer afirma que essa regulação no gasto energético é uma das explicações para a síndrome do overtraining, distúrbio que ocorre quando praticantes de atividades físicas treinam acima de níveis normais e sofrem consequências por isso. “Os atletas se esforçam demais, o que compromete sua função imunológica, reprodutiva, entre outras”, explica o pesquisador. Leia Também: Celulite além do açúcar: estresse, sapato e sal estão são vilões ocultos
Corpo compensa gasto energético durante exercícios físicos, sugere estudo
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