Segundo o BC, a decisão foi “motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [Sistema Financeiro Nacional]”. Ainda de acordo com o órgão, a empresa “se enquadra no segmento S4 da regulação prudencial” — ou seja, é de pequeno porte e segue regras mais simples do que as aplicadas aos grandes bancos. 🔎 Na prática, isso significa que eventuais problemas nessas instituições não representam risco relevante para o sistema financeiro. Segundo o BC, a companhia representa menos de 0,001% do ativo total ajustado do SFN. Em nota, o BC informou que continuará a tomar todas as medidas cabíveis para apurar a responsabilidade da empresa no suposto esquema de fraude envolvendo o Banco Master. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”, informou a instituição em nota, reiterando que, pela lei, os bens dos controladores e dos ex-administradores da empresa estão bloqueados. Com a decisão, todas as operações da empresa foram encerradas de imediato. A medida atinge a instituição, mas não os fundos em si — que permanecem ativos, mas precisarão buscar novas instituições para assumir sua administração. A CBSF, controlada pelo Grupo Reag, atuava sobretudo como administradora de mais de 80 fundos de investimento. Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos — Foto: Reprodução/Instagram O que é a Reag? A Reag é um grupo financeiro independente, que oferece produtos e serviços financeiros integrados. Entre as empresas que antes faziam parte do grupo estava a Reag Investimentos, fundada em 2013 por João Carlos Mansur e que se tornou uma das maiores gestoras independentes do país, sem vínculos com bancos. Ela chegou a administrar R$ 299 bilhões de pessoas físicas, empresas, fundos de pensão e investidores institucionais e foi a primeira gestora de patrimônio a ter ações negociadas na bolsa brasileira. O Grupo Reag também administrava a Ciabrasf, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, em agosto.A Ciabrasf teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner na terça-feira passada (6). O negócio incluiu uma condição específica: a realização de uma oferta pública de aquisição de ações, mecanismo pelo qual o novo controlador faz uma proposta para comprar as ações em circulação e, assim, assumir oficialmente o controle da empresa. O fechamento de capital aconteceu em um momento de reorganização das empresas controladas pela holding, após a Reag Investimentos ter sido incluída entre as companhias investigadas pela megaoperação da Polícia Federal contra o PCC. Poucos dias depois da operação, a companhia anunciou a venda da Reag Investimentos para a Arandu, formada pelos principais executivos da própria Reag. Quem é João Carlos Mansur Bacharel em ciências contábeis, Mansur fundou a Reag Investimentos em 2013, acumula 35 anos de experiência no mercado financeiro e atua como conselheiro independente autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O empresário declara experiência em auditoria, controladoria, gestão financeira, planejamento estratégico, análise de investimentos e desenvolvimento de negócios. 👉 Em seu perfil no LinkedIn, afirma ter estruturado mais de 200 fundos de investimento — entre eles fundos imobiliários, de participações e de direitos creditórios —, além de ter atuado em outras operações no mercado de capitais. Além de sua ligação com o futebol por meio da Reag, Mansur trabalhou na Trump Realty Brazil, empresa que utilizava o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A joint venture foi criada em 2003, mas o contrato durou apenas até 2006, após o projeto fracassar antes da conclusão de qualquer empreendimento imobiliário. Operação Carbono Oculto Segundo as investigações, o grupo deixou de recolher mais de R$ 7,6 bilhões em impostos e operava irregularidades em diferentes etapas da cadeia de produção, distribuição e comercialização de combustíveis. 👉 Ao menos 40 fundos, entre multimercado e imobiliários, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, teriam sido controlados direta ou indiretamente pela facção. Muitos eram fundos fechados, com um único cotista, o que dificultava a identificação dos beneficiários finais.👉 A Reag Investimentos apareceu nas investigações como uma das empresas citadas na apuração sobre o uso de fundos de investimento para a ocultação de recursos. Segundo a PF e a Receita Federal, administradoras de fundos teriam conhecimento das irregularidades e deixado de cumprir obrigações legais, contribuindo para ocultar a movimentação financeira da organização criminosa. Os valores obtidos com o esquema foram usados para adquirir ativos e blindar patrimônio, incluindo usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras, postos de combustíveis, imóveis, fazendas e um terminal portuário. Operação Compliance Zero O caso do Banco Master se tornou o centro de um escândalo financeiro nacional e de uma disputa institucional. A instituição já operava sob risco de falência por causa da emissão de CDBs com juros muito acima do padrão de mercado e da exposição a investimentos considerados arriscados. Também passou a ser investigada uma possível fraude na venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB), no valor de R$ 12,2 bilhões. Nesta quarta-feira (14), a segunda fase da operação cumpriu mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag. A PF também realizou ações em endereços ligados a Vorcaro e a seus parentes. O empresário Nelson Tanure também estava entre os alvos. Nesta etapa da operação, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Também foram apreendidos carros e itens de luxo.
