Em entrevista ao Conexão GloboNews, Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), repercutiu o levantamento e destacou alguns pontos negativos da mudança em discussão no Congresso – que pode reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais e acabar com a escala 6×1. “Quando se trata da escala, as realidades variam muito de setor para setor. Em geral, ela está diretamente ligada à natureza das funções. A realidade da saúde é diferente da do transporte, da indústria e do comércio. Há segmentos que necessitam do modelo 6×1 e nos quais esse formato de trabalho se encaixa”, afirma. Outro ponto citado pelo presidente da Fiesp é a necessidade de analisar os impactos da medida na economia, no desemprego e na informalidade no mercado de trabalho. Skaf também defende a livre negociação entre trabalhadores e empregadores e afirma que “é um erro a interferência governamental em algo que pode acabar atrapalhando setores e trabalhadores”. Skaf também comparou a situação com a de países vizinhos, como o Chile, onde houve aumento do desemprego e da informalidade. “Quando a natureza de um segmento exige uma escala de trabalho, mas são impostas regras sem dar liberdade para as partes negociarem, isso acaba levando à informalidade. As atividades continuam acontecendo, mas de forma ilegal”, afirmou. Na análise do presidente da Fiesp, falta transparência no debate com a população. “A gente tem que ser verdadeiro: aumenta o custo, sim; gera desemprego por causa desse aumento; o país perde produtividade. Proibir a escala 6×1 atrapalha setores cuja natureza exige esse formato e tira a liberdade de quem prefere trabalhar nessa escala”, completou. De acordo com o estudo da Fiep, mudanças abruptas na jornada de trabalho podem gerar impactos econômicos relevantes, especialmente quando não são acompanhadas por ganhos de produtividade. As simulações realizadas pela consultoria indicam que, mesmo em um cenário considerado otimista, o efeito sobre a economia seria significativo. Nesse cenário, a economia teria um ganho de produtividade de 2%. Ainda assim, o PIB brasileiro poderia cair até 3,7% no primeiro ano após a mudança na jornada de trabalho. No horizonte de cinco anos, a queda acumulada poderia chegar a 4,9%. Supermercados — Foto: Reprodução/ TV Gazeta
