O novo recorde da bolsa reflete a percepção dos investidores de que o cenário está mais estável, no Brasil e no exterior — o que amplia a previsibilidade do fluxo de negócios. Segundo Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos, o mercado já assimilou os efeitos do tarifaço de Donald Trump. Além do ambiente de menor incerteza, pesam ainda a inflação brasileira, que tem se mantido dentro das expectativas, a percepção de que a Selic não deve voltar a subir e a queda do dólar, fatores que reforçam um cenário mais otimista para a bolsa. O Ibovespa fechou o mês com alta de 6,28%. Nesta sexta, os investidores reagiram à inflação dos EUA, que veio em linha com as estimativas dos analistas. Embora a atividade econômica ainda esteja resiliente, as projeções de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, dê início aos cortes de juros na reunião de setembro subiram. ▶️ O Departamento de Comércio dos EUA divulgou o índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE) — indicador inflacionário que o Fed acompanha de perto para ajustar a política monetária. O resultado ficou em linha com as expectativas de analistas, apresentando um avanço mensal de 0,2% e, na base anual, em 2,6%. O resultado não mostra uma desaceleração mais consistente da atividade econômica, mas os investidores aumentaram as expectativas de corte de juros americanos (entenda mais). ▶️ Falando em movimentações no câmbio, o Banco Central realiza a PTAX de fechamento de mês — usado para a liquidação de contratos futuros. Em meio à disputa entre comprados e vendidos, o dólar acaba operando com volatilidade. ▶️ No Brasil, o governo federal iniciou ontem o processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os EUA pela aplicação de um tarifaço contra produtos brasileiros exportados para os americanos. Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado. Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair 💲Dólar Acumulado da semana: -0,07%;Acumulado do mês: -3,19%; Acumulado do ano: -12,26%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +2,50%;Acumulado do mês: +6,28%; Acumulado do ano: +17,57%. Juíza analisa demissão de Lisa Cook por Trump Uma juíza federal analisou nesta sexta o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de demitir a diretora do Federal Reserve, Lisa Cook. A audiência começou pela manhã, em Washington, e foi conduzida pela juíza Jia Cobb, do Tribunal Distrital dos EUA, mas terminou sem conclusão. Trata-se da primeira audiência do caso envolvendo o presidente americano e a economista, que entrou com um processo na quinta-feira (28) para contestar a tentativa de Trump de removê-la do cargo. No processo, Cook acusa o presidente dos EUA de violar a Lei do Federal Reserve, de 1913, que permite a demissão de um governador apenas por “justa causa”, e não por “alegações infundadas sobre pedidos de hipoteca privada apresentados por Cook antes de sua confirmação no Senado”. Inflação dos EUA Os gastos dos consumidores norte-americanos aumentaram em julho, enquanto a inflação subjacente acelerou visto que as tarifas sobre as importações aumentaram os preços de alguns produtos. Segundo o Departamento de Comércio, os gastos do consumidor, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica dos EUA, aumentaram 0,5% no mês passado — após um ganho revisado para cima de 0,4% em junho. Veja os dados de julho do PCE: O Índice de preços PCE subiu 0,2% no mês passado, após um aumento não revisado de 0,3% em junho. Nos 12 meses até julho, o índice PCE avançou 2,6%, igualando o resultado de junho.Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice teve alta de 0,3% no mês passado, mesma taxa de junho. Nos 12 meses até julho, o chamado núcleo da inflação avançou 2,9%, de 2,8% em junho. Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, ressalta que a economia americana tem desafiado as projeções de economistas, se mostrando resiliente mesmo com o aperto monetário, pressionando a inflação. Ele avalia que o Fed pode dar início à redução dos juros em setembro, conforme já foi sinalizado pelo dirigente, Jerome Powell, mas não da forma como os investidores esperam — o que está mantendo-os cautelosos. “Uma economia americana ‘mais avançada’, no mínimo, sugere um ritmo mais lento para os cortes. Com juros elevados por mais tempo nos EUA, a taxa de câmbio no Brasil sofre pressões para cima, pois o valor global do dólar é favorecido”, acrescenta. De acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group, as apostas dos investidores sobre um possível corte de juros nos EUA em setembro subiu com os dados do PCE. De ontem para hoje, as projeções subiram de 85,2% para 87,2%. Vale lembrar que a perspectiva de corte de juros nos EUA também influenciam a economia e o mercado brasileiro. Isso porque uma menor taxa reflete na rentabilidade dos títulos americano (Treasuries) — considerados de baixo risco. 🔎 Quando os rendimentos dos títulos caem, investidores costumam migrar para mercados com maior potencial de retorno — como moedas de países emergentes (incluindo o real), commodities e ações negociadas em bolsas como o Ibovespa Brasil inicia processo de Lei da Reciprocidade O Ministério das Relações Exteriores (MRE) enviou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) um comunicado informando que o Brasil iniciou as consultas e medidas para aplicar a legislação contra os EUA. A Camex tem 30 dias para avaliar se é possível a aplicação da lei. O Brasil vai notificar oficialmente o governo americano sobre o início do processo nesta sexta-feira (29). A TV Globo apurou que os diplomatas acreditam na medida como uma forma de abrir um caminho de diálogo com os americanos, que têm evitado negociações sobre o tema. Bolsas globais Os principais índices acionários de Wall Street recuaram nesta sexta-feira, diante dos receios de que as tarifas possam elevar os preços dos produtos nos EUA. O Dow Jones caiu 0,20%, aos 45.544,88 pontos. O S&P 500 fechou em queda de 0,64%, aos 6.460,27 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 1,15%, aos 21.455,55 pontos As bolsas europeias também fecharam em baixa, com o mercado repercutindo preocupações de bancos britânicos sobre possíveis medidas mais rígidas da ministra das Finanças, Rachel Reeves, para fortalecer as contas públicas. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,55%, enquanto o DAX, da Alemanha, cedeu 0,57%. No Reino Unido, o FTSE 100 teve baixa de 0,32%, e o CAC 40, da França, caiu 0,76%. Na Ásia, as bolsas fecharam mistas. Na China, os índices avançaram, impulsionados pela liquidez abundante, apesar dos alertas de empresas de tecnologia após reajustes de preços. O CSI300 teve o maior ganho mensal desde setembro de 2024. Em Xangai, o SSEC subiu 0,37% e o CSI300 avançou 0,74%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve alta de 0,32%, enquanto o Nikkei, em Tóquio, caiu 0,26%. Em Seul, o Kospi recuou 0,32%, o Taiex, em Taiwan, teve leve baixa de 0,01%, e o S&P/ASX 200, em Sydney, caiu 0,08%. Já o Straits Times, em Cingapura, avançou 0,37%. *Com informações da agência de notícias Reuters