Em nota, o BC alegou que a empresa descumpriu “regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu a sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei”. A Reag é investigada em duas operações da PF, incluindo envolvimento com o escândalo do Banco Master. Veja abaixo os últimos passos da empresa antes da operação de hoje. O ‘desmonte’ da Reag O cancelamento do registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), aprovado em outubro de 2025, transformou a holding em empresa de capital fechado. À época, a companhia afirmou que a decisão fazia parte de um processo de reorganização societária. Nesse processo, deixaram seus cargos Altair Tadeu Rossato, que era conselheiro independente e membro do comitê de auditoria, e Fabiana Franco, que renunciou ao posto de diretora financeira. Segundo a PF, a gestora teria sido usada para estruturar fundos destinados à compra de empresas e à blindagem patrimonial de recursos ilícitos do PCC. Em nota publicada em outubro, a Reag Capital Holding negou qualquer envolvimento em irregularidades ou com organizações criminosas, afirmou atuar dentro da lei e das regras do sistema financeiro, e garantiu que os fundos não se confundem com o patrimônio da administradora, colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos. Venda do controle para a Arandu Partners A participação vendida pertencia à Reag Asset Management Ltda. e ao Reag Alpha Fundo de Investimento em Ações, integrantes do antigo Grupo Reag. Com a venda, a Arandu Partners passou a controlar a Reag Investimentos, enquanto Mansur deixou oficialmente a administração. A transação foi divulgada à CVM e marcou a saída da Reag Investimentos do controle anterior. Desde dezembro de 2025, a gestora opera na bolsa brasileira sob o novo ticker ARND3, substituindo o antigo REAG3. Dentro do grupo, a Reag Trust DTVM, depois rebatizada como CBSF DTVM, era a empresa responsável por administrar fundos e executar operações financeiras, sempre sob fiscalização do Banco Central. O grupo Reag também incluía a CiabraSF, outra holding independente citada na Operação Carbono Oculto, que teve sua compra finalizada pelo Grupo Planner em 6 de janeiro, por meio de uma oferta pública de aquisição de ações. Banco Central (BC) decreta liquidação extrajudicial da Reag Investimentos — Foto: Reprodução/Instagram Efeitos da liquidação da CBSF DTVM Segundo Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, os cotistas dos fundos administrados pela Reag possuem garantia de segregação patrimonial. “O dinheiro do fundo não se mistura com o dinheiro da administradora que quebrou. O CNPJ do fundo é um, o da DTVM é outro. Juridicamente, os credores da Reag/CBSF não podem tocar no dinheiro dos cotistas. O que acontece agora é um congelamento operacional”, afirmou. Bolico explicou ainda que o liquidante nomeado pelo BC vai convocar uma assembleia para transferir esses fundos para outra administradora saudável. “Até lá, resgates e aplicações ficam congelados. O único risco real para o cotista é se a investigação descobrir fraude dentro da carteira do fundo, como a compra de ativos problemáticos do próprio grupo, mas, via de regra, o ativo está preservado”, disse. O BC classificou a CBSF DTVM no segmento S4, destinado a instituições de porte pequeno, o que significa que “o caso não vai contaminar outros bancos nem gerar uma crise de crédito generalizada”. Suposto envolvimento com o Banco Master Segundo as apurações, a gestora teria atuado como parceira do banco na estruturação e administração de fundos usados em operações consideradas atípicas, incluindo a circulação de recursos entre fundos e o próprio banco. A Polícia Federal apura se esses mecanismos teriam sido usados para inflar resultados, ocultar riscos e dar aparência de solvência ao Banco Master. João Carlos Mansur foi um dos alvos das buscas. Nesse caso, a empresa é citada como prestadora de serviços a fundos que, segundo a Receita Federal, teriam sido usados para ocultação de patrimônio da facção. O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag — Foto: Reprodução/LinkedIn
Investigado pela PF, fundador deixou a Reag em meio a apurações; veja quem controla hoje a gestora
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