Um juiz federal vai analisar nesta sexta-feira (29) se deve impedir temporariamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de demitir a diretora do Federal Reserve (Banco Central americano), Lisa Cook. A audiência está marcada para as 10h em Washington (11h em Brasília) e será conduzida pela juíza Jia Cobb, do Tribunal Distrital dos EUA, que analisará o pedido de emergência de Lisa Cook para suspender sua demissão enquanto o processo contra Trump prossegue. Será a primeira audiência do caso envolvendo o presidente americano e a economista, que entrou com um processo na quinta-feira (28) para contestar a tentativa de Trump de removê-la do cargo. No processo, Cook acusa o presidente dos EUA de violar a Lei do Federal Reserve, de 1913, que permite a demissão de um governador apenas por “justa causa”, e não por “alegações infundadas sobre pedidos de hipoteca privada apresentados por Cook antes de sua confirmação no Senado”. Entenda o impasse envolvendo Trump e a diretora do Fed O anúncio de demissão, sem precedentes, é visto como uma nova escalada dos ataques do republicano à independência do banco central norte-americano. Para justificar o afastamento, Trump diz que Cook teria cometido fraude hipotecária ao declarar duas residências como principais para obter melhores condições de financiamento. No processo movido contra a decisão do republicano, Cook nega ter cometido fraude hipotecária, mas disse que, mesmo que tivesse cometido, isso não seria motivo para remoção porque a suposta conduta ocorreu antes de ela assumir o cargo no conselho de governadores do Fed em 2022. A legislação do Banco Central americano estabelece que o presidente dos EUA não tem autoridade direta para demitir membros do conselho sem comprovação de falta grave. O presidente dos EUA, então, associou essa acusação à justa causa necessária para afastar a diretora do Fed. O documento foi classificado como uma “referência criminal” e levou a instituição a solicitar investigação ao Departamento de Justiça. Agora, o caso chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos, onde uma maioria conservadora permitiu que Trump demitisse funcionários de outras agências, apesar das leis que os protegem da remoção. Com informações de agências internacionais* Lisa Cook, diretora do Fed. — Foto: reuters