“Quero dizer ao presidente dos EUA, Donald Trump, que não queremos uma nova Guerra Fria”, ressaltou Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Délhi, onde cumpre visita oficial. “Não queremos qualquer interferência em nenhum outro país; queremos que todos os países sejam tratados de forma igual”, disse Lula aos jornalistas. O presidente brasileiro afirmou que não comentaria decisões dos tribunais de outros países, mas demonstrou otimismo em relação à visita planejada a Washington em março. “Estou convencido de que as relações entre o Brasil e os Estados Unidos voltarão à normalidade após nossa conversa”, declarou Lula. “O mundo não precisa de mais turbulência; precisa de paz”, reforçou o líder brasileiro, que chegou à Índia na quarta-feira para participar de uma cúpula sobre inteligência artificial. Após meses de crise, Lula e Donald Trump têm se reunido diversas vezes desde o primeiro encontro oficial, em outubro. Como resultado dessa reaproximação, o governo norte-americano isentou vários produtos brasileiros que estavam sujeitos a tarifas de 40% nos EUA. Washington também suspendeu as sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, relator do processo que levou à condenação por tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. O presidente norte-americano anunciou no sábado que a nova tarifa alfandegária global aumentará de 10% para 15% “com efeito imediato”, após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos considerar ilegais grande parte das taxas impostas por ele. “Como presidente dos Estados Unidos da América, vou aumentar com efeito imediato as tarifas globais de 10% (…) para o nível totalmente autorizado (…) de 15%”, escreveu Donald Trump em sua rede social, a Truth Social. Na sexta-feira, também pela mesma plataforma, Trump anunciou que havia assinado “uma tarifa global de 10% sobre todos os países”. Em entrevista coletiva, Trump afirmou que iria impor a nova tarifa global de 10% e acusou o Supremo Tribunal de ter cedido a “influências estrangeiras” ao anular as taxas previamente impostas por ele. Essa nova taxa será somada às “tarifas normais já em vigor”, declarou o republicano, sugerindo que a maioria dos acordos comerciais com os EUA permanece válida. “O acordo com a Índia continua em vigor”, exemplificou, acrescentando que “todos os acordos” seguem válidos e que Washington apenas irá “proceder de forma diferente”. O presidente norte-americano classificou a decisão do Supremo Tribunal dos EUA como “profundamente decepcionante”, afirmando que os juízes que votaram pela anulação das tarifas foram “antipatrióticos e desleais” à Constituição. Leia Também: Afinal, tarifa de 10% passa para 15%: “Permitido e legalmente testado”
