Home » Lula entre o silêncio estratégico e a soberania brasileira

Lula entre o silêncio estratégico e a soberania brasileira

Um duelo velado com Trump.

por Gilberto Cruz
0 comentário

→ Brasília — Em um momento de tensão crescente nas relações entre Brasil e Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou, com um misto de franqueza e estratégia, os dilemas de liderar um país soberano diante da pressão de potências globais. Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil, Lula desabafou diante da militância do PT, deixando claro que há um limite entre a coragem e a prudência quando se trata de enfrentar o poder americano.

Tenho um limite de briga com o governo americano. Não posso falar tudo que eu acho que devo falar, tenho que falar o que é possível falar”, afirmou o presidente, durante a posse de Edinho Silva como novo presidente do partido.

As palavras de Lula ecoaram como um grito contido — um líder que conhece o peso de suas palavras e a responsabilidade de suas escolhas. Não é medo, é cálculo. É a arte política de quem precisa preservar o país, mesmo quando o orgulho ferve por dentro.

Horas antes, Trump havia dito que Lula pode “ligar quando quiser”. A resposta veio carregada de simbolismo: “Nosso governo sempre esteve aberto ao diálogo”, disse Lula, numa tentativa de manter a diplomacia viva, mesmo diante do silêncio.

Mas o silêncio entre os dois líderes permanece. E nele há mais do que distância protocolar: há desconfiança, há estratégia, há resistência.

No encerramento do evento nacional do PT, Lula reforçou que a postura altiva e independente do Brasil incomoda “pessoas que acham que mandam no mundo”. A crítica, ainda que sem nome, mirava direto na figura de Trump — o mesmo que agora tenta impor sua força sobre o Brasil com barreiras comerciais.

Lula não falou alto, mas falou firme. Seu discurso é um chamado à reflexão sobre os limites da soberania em um mundo onde o poder muitas vezes se impõe na base da ameaça.

Essa tensão, mais do que uma disputa comercial, representa o velho embate entre o Sul que quer ser ouvido e o Norte que insiste em dar ordens. E neste cenário, cada gesto, cada palavra — ou a ausência delas — carrega o peso da história e o futuro de milhões de brasileiros.
———
Redação: Gilberto Cruz

 

você pode gostar

Deixe um comentário