Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz, e Irã ataca oleoduto

Países recusam ajuda a Trump no estreito de Hormuz, e Irã ataca oleoduto

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O misto de apelo e ameaça feito por Donald Trump para que outros países enviem navios de guerra para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz, na prática controlado hoje pelo Irã, por ora não surtiu muito efeito. Nesta segunda-feira (16), os governos do Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram a ideia, enquanto Japão, Coreia do Sul e Holanda disseram estar avaliando se enviarão navios, mas tendem a não fazer nada. Outros europeus, como a Espanha, já descartaram operações militares. “Alguns [países] estão muito entusiasmados com isso, outros não. Alguns são países que ajudamos há muitos e muitos anos. Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não se mostraram tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo importa para mim”, disse Trump na Casa Branca. Como é usual, o presidente não listou os interessados. Ele se queixou dos britânicos, com quem vem se estranhando há tempos: “Estou bastante surpreso com o Reino Unido. Não estou feliz”. Antes, em Londres, o premiê Keir Starmer disse que seu país “não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla no Oriente Médio”. Trump ainda disse acreditar que a França irá ajudar de alguma forma, citando uma conversa com o presidente Emmanuel Macron, embora Paris tenha até aqui criticado a guerra e dito que não enviaria navios a Hormuz. No sábado (14), o republicano havia feito um pedido na sua rede social Truth, dizendo que seria do interesse de países como “China, França, Japão, Coreia do Sul e outros” manter o estreito por onde passam cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito aberto. Com a guerra iniciada há pouco mais de duas semanas pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, o maior sucesso até agora da teocracia, além de se manter no controle do país, foi o de criar caos no comércio de petróleo global, obrigando o acesso a reservas de emergência de diversos países. A estratégia é contar com que o mundo pressione pelo fim da guerra em nome da estabilidade econômica, mantendo o regime islâmico em pé. Com a extensa campanha aérea contra o Irã em curso, contudo, o sucesso é incerto. Sem obter resposta ao longo do fim de semana, Trump passou ao campo da ameaça em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times no domingo (15). Nela, disse que a falta de apoio europeu “será muito ruim para o futuro da Otan”. Os EUA lideram a aliança militar criada em 1949 para conter Moscou, que tem também o Canadá e 30 membros europeus. Desde seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, Trump se dedica a pressionar os aliados, a quem considera frágeis e dependentes em excesso de Washington. Ele já havia passado a conta do apoio à Ucrânia contra a invasão russa para os europeus no ano passado, suspendendo completamente o envio de dinheiro e armas para Kiev -a ajuda que chegou foi por meio de um esquema em que a Otan compra equipamento de estoques americanos e o repassa aos ucranianos. Em resposta à pressão, o premiê alemão, Friedrich Merz, disse por meio de seu porta-voz que “a guerra no Irã não é assunto da Otan”. Nesta nova guerra contra o Irã, Trump está sozinho com Binyamin Netanyahu. Diversos países europeus criticaram a ação militar, dizendo que a diplomacia era o melhor caminho para lidar com Teerã. Agora, estão pressionados por uma crise global, e viram os EUA relaxarem parcialmente o embargo ao petróleo russo que financia a guerra de Vladimir Putin para evitar uma escalada descontrolada de preços. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse nesta segunda que o bloco não “tem apetite” para agir em Hormuz. “Esta guerra não é da Europa”, afirmou a estoniana. Trump também buscou atrair a China, sua rival estratégica e compradora de quase todo o petróleo do Irã, para o jogo. Na sexta (13), atacou a ilha de Kharg, centro de produção da teocracia, mas aparentemente deixou os terminais de embarque intactos. Depois, disse que poderia destruí-los “só por diversão”. Na entrevista ao FT, o presidente tentou pressionar os chineses dizendo que poderia adiar a visita prevista no mês que vem a Xi Jinping. Nesta segunda, confirmou o pedido a Pequim, que antes havia dito esperar a manutenção da visita. “Tenho de estar nos EUA”, justificou Trump. O Irã também manobra. Primeiro, logo após o início da guerra, disse que o estreito estava fechado e passou a atacar navios e infraestrutura petrolífera dos vizinhos árabes. Recentemente, adotou um discurso de que Hormuz só não é acessível para os EUA, Israel e seus aliados. “Do nosso ponto de vista, o estreito está aberto”, disse nesta segunda o chanceler Abbas Araghchi. Como prova de boa vontade, Teerã permitiu sem incidentes o trânsito de um petroleiro paquistanês com óleo dos Emirados Árabes Unidos. Segundo o monitor Marine Traffic, o navio Karachi completou o percurso ao longo do domingo, chegando nesta segunda à costa de Omã. A rota que ele fez, passando por entre ilhas iranianas e navegando junto a águas territoriais de Teerã, sugere que o caminho normal possa estar minado. Trump afirmou nesta segunda que os EUA destruíram 30 navios que posicionam minas marítimas, mas que não sabe quantas já haviam sido posicionadas. Segundo ele, isso “espanta os donos de navios” da região. Por outro lado, os iranianos mantêm a pressão com ataques de mísseis e drones em todo o Oriente Médio, e nesta segunda atingiram o terminal de Fujairah, 1 dos 7 emirados árabes sob a presidência de Abu Dhabi. O porto no golfo de Omã tem importância estratégica pois é onde chega o único oleoduto dos Emirados que dribla o estreito de Hormuz, trazendo petróleo dos campos de Habshan, em Abu Dhabi. Embarques de navios foram suspensos. Os Emirados são o principal alvo da retaliação iraniana na guerra, sofrendo mais ataques do que Israel. Nesta segunda, o aeroporto de Dubai, em tempos de paz um dos mais movimentados do mundo, foi fechado após um drone de Teerã explodir um tanque de combustível próximo do terminal. Leia Também: Trump diz acreditar que ‘terá a honra’ de tomar Cuba

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