🔎 O diesel puro é o produto que a Petrobras vende às distribuidoras. O combustível vendido na bomba é composto por esse diesel e pela mistura obrigatória de biodiesel. Atualmente, o preço médio do diesel vendido na bomba é de R$ 6,15, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a alta seria de R$ 0,70 caso o governo federal não tivesse anunciado, na véspera, medidas para conter o impacto da guerra no Irã nos preços do diesel. “Em números, o Governo Federal desonerou, em função da Medida Provisória, R$ 0,32 por litro na nota fiscal da venda do diesel. [Com o ajuste de hoje], a Petrobras onera em R$ 0,38 por litro na nota do diesel”, disse Chambriard a jornalistas. “O que isso significa? Que a gente ganha R$ 0,70, o governo desonera [o imposto], aplica o incentivo para a Petrobras e todos os outros agentes econômicos e, no final das contas, o aumento do diesel para a sociedade é absolutamente residual, de R$ 0,06”, completou a executiva. Chambriard destacou, ainda, que o impacto tende a ser menor no diesel vendido na bomba — combustível formado pela mistura obrigatória do diesel puro (vendido pela Petrobras às distribuidoras) com o biodiesel. “Quando for para o consumidor final [que recebe a mistura com o biodiesel], o impacto de R$ 0,06 será ainda menor”, acrescentou a presidente da Petrobras. Entenda como é formado o preço do diesel: Como é formado o preço do diesel — Foto: Arte/g1 Chambriard destacou, ainda, que a guerra no Irã foi um “fator determinante” para a decisão de aumentar o preço do diesel (entenda mais abaixo), mas reforçou que a alta está alinhada à estratégia de preços da Petrobras. “O reajuste de hoje do diesel está em consonância com a estratégia de preços da Petrobras, cujo pilar fundamental é não repassar a volatilidade de preços internacionais ao nosso mercado doméstico. Nossa estratégia está funcionando e é bem sucedida”, afirmou a executiva. Petrobras anunciou nova alta de preços no diesel. — Foto: Ueslei Marcelino/Reuters Por que a guerra no Irã impactou o preço do diesel? O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, tem pressionado os preços internacionais do petróleo. Desde o início da guerra, por exemplo, a commodity já acumula uma alta de cerca de 40%, passando de níveis próximos a US$ 60 no começo do ano para cerca de US$ 100. Esse aumento reflete principalmente o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do comércio global de petróleo. Com navios parados e restrições à passagem pelo estreito, aumentaram os temores de desabastecimento da commodity e, consequentemente, de desequilíbrio entre oferta e demanda — o que elevou os preços, mesmo após mais de 30 países da Agência Internacional de Energia (AIE) anunciarem a maior liberação de reservas de emergência da história. Na prática, a alta do petróleo afeta as economias globais de diferentes maneiras. O principal impacto aparece no preço dos combustíveis — como diesel e gasolina —, que tendem a ficar mais caros. Segundo Chambriard, a Petrobras não deve anunciar um novo aumento da gasolina por ora. “Não estamos pensando em mexer nisso nos próximos dias”, afirmou a presidente da estatal. Qual o impacto da alta do diesel na inflação? Como consequência, a alta dos combustíveis chega ao consumidor na forma de produtos e serviços mais caros. Além disso, se os preços do petróleo permanecerem elevados por mais tempo, outros efeitos tendem a aparecer na economia — como a alta das taxas de juros, por exemplo.
