Em meio a uma severa alta dos preços do petróleo por conta da guerra no Oriente Médio, o preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis do país subiu mais de 19,41% em duas semanas, mostram dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgados nesta sexta-feira (20). A pesquisa se refere à semana de 15 a 21 de março. Nesse período, o preço médio no Brasil subiu 6,76%, passando de R$ 6,80 para R$ 7,26. O desconto anunciado pelo governo federal não foi suficiente para frear a disparada do preço na bomba. ▶️ O preço máximo do combustível encontrado nos postos do Brasil foi de R$ 8,99.▶️ A gasolina registrou preço médio de R$ 6,65 o litro, alta de 2,94% na última semana. ▶️ O etanol nas bombas ficou em R$ 4,70 o litro, um aumento de 1,29%. Neste mês, a guerra no Oriente Médio elevou o preço do barril de petróleo de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112, aumentando em 86,67% o custo da matéria-prima usada na produção de combustíveis. O aumento foge do padrão, já que o mercado costuma reajustar preços dessa forma após mudanças anunciadas pela Petrobras. O caso virou alvo de investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), depois que sindicatos do setor apontaram preços mais altos em várias regiões, mesmo sem alteração até então nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias. Redução de impostos não impediu alta do diesel Entre as ações apresentadas estão: Zerar alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução de R$ 0,32 por litro;O aumento do imposto de exportação sobre o petróleo;Uma medida provisória que cria uma subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores de diesel;Novas regras de fiscalização para garantir que os benefícios cheguem ao consumidor final. Quais são os direitos do consumidor Quem compra combustível precisa ficar atento aos seus direitos. Segundo Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon-SP, a comunicação do posto deve ser clara e não pode levar o cliente a interpretações equivocadas. “O consumidor não pode ser atraído por uma propaganda que exibe um preço e, ao final, perceber que aquele valor só vale para uma forma específica de pagamento ou para um programa de fidelidade”, explica Orsatti. Essa prática pode gerar punição ao estabelecimento. Como identificar se o posto está com preços abusivos Orsatti explica que um preço é considerado abusivo quando aumenta sem um motivo que justifique a mudança. “Não existe um percentual específico para definir esse abuso; cada caso é avaliado de forma individual”. O consumidor pode denunciar à ANP e ao Procon se acreditar que o posto está cobrando valores abusivos. “Analisamos o preço exibido na bomba, o valor da nota fiscal da compra do combustível e verificamos se existe abuso”, afirma Orsatti. *Essa reportagem está em atualização.