Redução da jornada para 40h semanais pode aumentar custos das empresas em até R$ 267 bilhões ao ano, diz CNI

Redução da jornada para 40h semanais pode aumentar custos das empresas em até R$ 267 bilhões ao ano, diz CNI

Isso equivale a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos, diz a entidade. “Esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção, do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”, disse o presidente da CNI, Ricardo Alban. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A projeção da CNI considera dois cenários para a manutenção do nível de horas trabalhadas: a realização de horas extras aos empregados atuais ou a contratação de novos trabalhadores. Proporcionalmente, diz a entidade, o impacto para o setor industrial pode ser de até 11,1% da folha de salários, o que resultaria em aumento de despesas de R$ 87,8 bilhões (horas extras para os atuais empregados) e de R$ 58,5 bilhões anuais (considerando a contratação de novos trabalhadores). Segundo a projeção da CNI, de um total de 32 setores industriais, 21 apresentariam elevação de custos acima da média da indústria, independentemente da estratégia adotada pela empresa para manter o número de horas atuais de produção. Exemplos de impactos por setores econômicos: Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%Comércio: entre 8,8% e 12,7%Agropecuária: 7,7% e 13,5% Supermercado de Araraquara adota a escala 5×2 e funcionários aprovam — Foto: Reprodução/EPTV Micro e pequenas empresas A entidade avaliou, ainda, que as empresas industriais de menor porte seriam as mais impactadas pela redução da jornada de trabalho, uma vez que a proporção de empregados com jornadas superiores a 40 horas semanais é maior nessas empresas. “A dificuldade de adaptação para micro e pequenas empresas, que correspondem a 52% do emprego formal do país, mas que não dispõem de recursos ou estrutura física para ampliar equipes, será ainda maior. Como resultado, essas indústrias tendem a reduzir a produção, perder a competitividade e comprometer os postos de trabalho”, diz Ricardo Alban, da CNI. Para o presidente da CNI, a discussão sobre a redução da jornada e mudança da escala de trabalho exige cautela e, se não for feita com o devido debate e análise criteriosa dos impactos, corre o risco de comprometer não apenas a competitividade da indústria, mas toda a economia e o desenvolvimento do país. “Qualquer mudança na legislação trabalhista deve considerar a diversidade de realidades produtivas do país, os efeitos sobre os setores econômicos e empresas de diferentes portes, além das disparidades regionais e do impacto sobre a competitividade e a criação de empregos formais”, conclui.

Postagens relacionadas

Fies 2026: prazo para aluno complementar inscrição termina nesta terça

Soldado da PM depõe por ter matado cachorro comunitário em São Paulo

Saiba como foi operação que matou El Mencho, chefe de cartel no México