🔎 O projeto prevê que 520 quilômetros de rodovias estaduais passem à iniciativa privada por 30 anos. A estimativa é de R$ 9,4 bilhões em investimentos para ampliar, modernizar e manter as estradas. Ao todo, nove cidades da região de Campinas serão impactadas. ➡️A concessionária vencedora ficará responsável pelas obras previstas, manutenção da malha e operação do pedágio, sob fiscalização da agência reguladora estadual. Entre as mudanças previstas estão duplicação de vias e implementação de pedágio free-flow. O governo do estado afirma que a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% em algumas praças de pedágios. Para o professor doutor da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp Creso de Franco Peixoto, embora haja redução inicial nas tarifas, a concessão implica custo direto ao usuário ao longo do contrato, que é de 30 anos – leia mais abaixo. Nesta reportagem, você vai ver: Leilão daconcessão do Lote Rota Mogiana recebe 4 propostas e acontece nesta sexta (27) na sede da B3. — Foto: Divulgação O que está em jogo? A concessão da Rota Mogiana abrange trechos que cruzam 22 municípios (nove da região de Campinas) e, segundo o governo, devem beneficiar cerca de 2,3 milhões de pessoas. São eles: Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul. Ao todo, estão previstos: duplicações de mais de 217 quilômetros, em rodovias estratégicas como SP-107, SP-215, SP-333, SP-338, SP-340, SP-342, SP-344 e SP-350.138 quilômetros de faixas adicionais86 quilômetros de vias marginais58 novas passarelas para pedestres129 novos dispositivos de interseçãoimplementação do Sistema Automático Livre (Free Flow) O pacote de obras promete ampliar a capacidade das rodovias e reduzir gargalos históricos, especialmente em trechos que hoje concentram retenções. Para Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, o problema dos congestionamentos nem sempre está na extensão da pista, mas nos chamados pontos de estrangulamento — como acessos, interseções e praças de pedágio. Segundo ele, intervenções que eliminam esses bloqueios tendem a aumentar a fluidez e elevar a velocidade média dos veículos. O efeito imediato costuma ser a redução de retenções e colisões típicas de tráfego congestionado. “Você duplica, é claro que o risco diminui, tem uma fluidez maior, então você troca um pouco de um tipo de acidente para outro”, explica o professor. Na avaliação dele, rodovias congestionadas registram mais colisões associadas à proximidade entre veículos e ao anda-e-para. Já pistas ampliadas e mais fluidas reduzem esse tipo de ocorrência, mas podem elevar o número de acidentes relacionados à velocidade. O saldo, segundo o especialista, tende a ser positivo — mas não elimina o risco. Ele apenas transforma a dinâmica dos acidentes e exige uma nova cultura de direção em vias mais rápidas. Em nota, o Governo de SP destacou que a concessão da Rota Mogiana foi estruturada com base em estudos técnicos de demanda, engenharia e segurança viária, e que as concessões rodoviárias no estado estão associadas à redução consistente de acidentes e mortes. Informou também que o contrato estabelece e assegura padrões técnicos de qualidade e manutenção da via sob fiscalização permanente da Artesp. Segundo o Governo de SP, “não há meta contratual de redução de acidentes, uma vez que ocorrências de trânsito envolvem múltiplos fatores, especialmente o comportamento do condutor, que não é gerenciável pela concessionária”. “De acordo com dados do Infosiga, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa. Esses resultados decorrem dos investimentos em duplicações, ampliação de capacidade, melhorias geométricas, sinalização, iluminação e atendimento permanente ao usuário”, diz a nota. Quais rodovias serão incorporadas Segundo a Secretaria de Parcerias e Investimentos de SP, a proposta é fazer uma concessão utilizando trechos atualmente operados pela Renovias e incluir novas vias do DER-SP (Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo). Os trechos que hoje já são administrados pela iniciativa privada também passarão a integrar o novo contrato da Rota Mogiana. Com o encerramento das concessões atuais, esses segmentos serão incorporados ao pacote que será assumido pela empresa vencedora do leilão desta sexta-feira (27). Na prática, isso significa que a futura concessionária ficará responsável tanto pelos trechos que hoje estão sob gestão do Estado quanto pelos que já são operados por empresas privadas, unificando a administração, as obras previstas e o modelo de cobrança ao longo de todo o corredor rodoviário. Entre os trechos incluídos estão: Sob concessão estadual atualmente SP-215 – km 29,600 ao km 49,840SP-344 – km 200,700 ao km 241,600SP-340 – km 114,10 ao km 279,609SP-350 – km 238,410 ao km 272,100SP-342 – km 171,500 ao km 251,150SPI-225/342 – km 0 ao km 1,97 Trechos que estão sob concessão da iniciativa privada SPA-050/215 – km 0 ao km 4,1SPA-279/340 – km 0 ao km 2,4SPA-280/340 – km 0 ao km 1SP-338 – km 268,3 ao km 310,96SP-333 – km 0 ao km 20,4SPA-015/333 – km 0 ao km 0,5SPA-002/333 – km 0 ao km 0,68SPA-309/338 – km 0 ao km 0,86SP-133 – km 0,5 ao km 15,1SP-350 – km 272,100 ao km 296,70SPA-127/340 – km 0 ao km 2,930SP-107 – km 18,45 ao km 43,8SPA-179/340 – km 0 ao km 2,5SP-225 – km 0 ao km 6,50SPA-228/344 – km 0 ao km 3,55SPA-238/344 – km 0 ao km 16SPA-225/340 – km 0 ao km 2Contorno de Águas da Prata (SP-342) – km 0 ao km 9,45 Pedágios free flow e impacto econômico Pórtico free flow — Foto: divulgação/Concessionária Novo Litoral O governo do estado afirma que, além de melhoria da segurança viária, a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% em Jaguariúna, 26% em Estiva Gerbi e e 20% em Espírito Santo do Pinhal, além da implantação da cobrança proporcional pelo sistema free flow — em que o motorista paga apenas pelo trecho percorrido. Creso de Franco Peixoto analisa que a modernização tecnológica tende a melhorar a fluidez do tráfego, especialmente com o fim das praças físicas de pedágio. Segundo ele, a eliminação de pontos de parada pode reduzir gargalos clássicos das rodovias, mas o modelo também exige adaptação por parte dos motoristas. “Com o free flow, ainda nós temos outra questão negativa, que são os motoristas que não querem usar o sistema automático. Inclusive, desde o primeiro sistema aqui no nosso Sudeste, se a gente pensar em termos da BR-101, onde a concessão naquele local colocou o free flow e nós temos um passivo sensível dos motoristas que não pagaram, com uma certa dificuldade de entender o sistema. Então, tem que, com o tempo, se adequar. É algo negativo também, que com o tempo pode minimizar”, afirma o especialista. O especialista também pondera que, embora haja redução inicial nas tarifas, a concessão implica custo direto ao usuário ao longo do contrato. Já o Governo de SP afirmou que o modelo adotado é baseado no “princípio da justiça tarifária”: a modernização e manutenção da rodovia são vinculadas ao uso efetivo da infraestrutura, e não financiadas indistintamente por toda a sociedade. A cobrança é proporcional ao trecho percorrido, dentro da política estadual de padronização do valor por quilômetro. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região
Rota Mogiana: governo de SP leiloa 520 km de rodovias nesta sexta-feira; veja trechos e impactos
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