
Rodovia Arlindo Béttio (SP-613), onde morreram duas onças-pintadas atropeladas no último mês de abril, corta o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP)
Semil
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) anunciou, neste sábado (3), um investimento de R$ 23 milhões em iniciativas para aumentar a segurança da biodiversidade no entorno do Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP).
Entrarão em operação quatro novos radares de controle de velocidade dos veículos, além dos dois já existentes, totalizando seis em funcionamento, ao longo da Rodovia Arlindo Béttio (SP-613), via que corta o parque, e serão construídas três novas passagens subterrâneas de fauna, com dimensões para animais de maior porte e direcionamento dos bichos.
Também serão implantados 30 quilômetros de cercas de segurança ao longo da via e outros 10 quilômetros na Estação Ecológica do Mico-leão-preto.
Ainda foi anunciada a instalação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) no Oeste Paulista para o atendimento de bichos atropelados e apreendidos.
As medidas foram anunciadas após duas onças-pintadas terem morrido atropeladas na Rodovia Arlindo Béttio em um intervalo de menos de uma semana no último mês de abril. O primeiro caso, no dia 23 de abril, havia vitimado um filhote de aproximadamente nove meses de idade, no km 16. O segundo atropelamento, no dia 28 de abril, tinha causado a morte de uma onça-pintada com cerca de dois anos, no km 15. Os felinos pertenciam a uma espécie ameaçada de extinção.
Neste sábado (3), a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, visitou o parque e vistoriou a SP-613, que atravessa a área da unidade de conservação da Mata Atlântica.
“Esse é um ótimo exemplo de política transversal e integrada da Semil, a partir de uma iniciativa em prol da preservação da fauna local, unindo um dos braços ambientais da secretaria, a Fundação Florestal, e o Departamento de Estradas de Rodagem [DER]”, comentou.
Não foram estabelecidos prazos para a execução das medidas anunciadas pelo Estado, mas apenas um cronograma que seguirá até 2026.
Os prazos ainda estão indefinidos porque, segundo o Estado, dependem de procedimentos burocráticos, como a elaboração de projetos e a abertura de licitações.
Governo do Estado anunciou neste sábado (3), em Teodoro Sampaio (SP), um investimento de R$ 23 milhões para aumentar a segurança da biodiversidade no entorno do Morro do Diabo
Murilo Zara/TV Fronteira
Mata Atlântica
Localizado no Pontal do Paranapanema, no extremo oeste do Estado de São Paulo, e próximo ao bioma do Cerrado, o Parque Estadual do Morro do Diabo é um dos raros trechos de Floresta de Planalto do país, abrangendo quase 34 mil hectares de Mata Atlântica interiorana.
O parque abriga espécies ameaçadas de extinção, como anta, queixada, bugio, puma e onça-pintada, além de ser o lar da maior população livre do mico-leão-preto, uma espécie de primata entre as mais ameaçadas do planeta. Além disso, a unidade de conservação possui a maior reserva de peroba-rosa do país, desempenhando um papel importante nos trabalhos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
Além de ser utilizado para atividades de lazer e esporte, o Parque Estadual do Morro do Diabo desempenha um papel importante nas pesquisas científicas. O parque serve como base para o Programa Monitora BioSP, da Fundação Florestal, instituição ligada à Semil.
Os estudos realizados no parque fornecem subsídios para a tomada de decisões, não apenas para a proteção de espécies e a conservação da biodiversidade, mas também para a implementação de ações relacionadas ao aumento da cobertura vegetal e à redução da fragmentação das paisagens. Isso contribui para ampliar os serviços ecossistêmicos e ambientais das unidades de conservação e das zonas de amortecimento.
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Governo do Estado anunciou neste sábado (3), em Teodoro Sampaio (SP), um investimento de R$ 23 milhões para aumentar a segurança da biodiversidade no entorno do Morro do Diabo
Murilo Zara/TV Fronteira
Em 2022, o governo de São Paulo realizou investimento de R$ 6 milhões na reforma das edificações do Parque Estadual do Morro do Diabo. Essas melhorias incluíram a revitalização do centro de visitantes, alojamentos, hospedarias, playground e museu. Além disso, recursos foram destinados para aprimorar as áreas das churrasqueiras e pontos de apoio para atividades de camping, bem como para receber motorhomes e trailers.
O Morro do Diabo é considerado um dos quatro “parques-modelo” do Estado, ao lado dos parques estaduais da Ilha Anchieta, em Ubatuba (SP), da Ilha do Cardoso, no Vale do Ribeira, e de Intervales, na Serra de Paranapiacaba.
Oferece atrações como a Trilha do Morro do Diabo, que conduz ao topo da montanha e proporciona uma vista panorâmica exuberante. Também está disponível a ciclorrota Caminho das Onças, um percurso de 51 quilômetros. Além disso, o parque conta com trilhas inclusivas, como a Trilha da Lagoa Verde, que pode ser percorrida utilizando cadeiras Julietti, especialmente projetadas para pessoas com limitações físicas.
Governo do Estado anunciou neste sábado (3), em Teodoro Sampaio (SP), um investimento de R$ 23 milhões para aumentar a segurança da biodiversidade no entorno do Morro do Diabo
Murilo Zara/TV Fronteira
Risco de extinção da onça-pintada
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino do continente americano. Tem até 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros de altura. Os machos pesam cerca de 20% a mais do que as fêmeas, podendo chegar a 135 quilos.
A onça-pintada pode viver em vários tipos de hábitats, desde que uma parte da vegetação seja densa. É um animal solitário e territorial. Tem hábitos noturnos. Pode ocupar áreas de 22 km² a mais de 150 km² (dependendo da disponibilidade de presas).
A espécie era encontrada desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Mas está oficialmente extinta nos Estados Unidos e já é uma raridade no México.
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Na onça-pintada, ocorre também o fenômeno do melanismo, comum em outros felinos. A coloração amarela é substituída por uma pelagem preta. Dependendo da luz em que o animal se encontra, percebem-se as rosetas. O animal na forma melânica é chamado de onça-preta.
As populações vêm diminuindo devido ao confronto com atividades humanas, como a pecuária. A espécie é classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como vulnerável e está no Apêndice I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (Cites).
Ou seja, o risco de extinção está associado ao comércio e sua comercialização só é permitida em casos excepcionais, mediante autorização expressa.
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Semana do Meio Ambiente em Fernando de Noronha tem atrações gratuitas; confira programação

Imagem de arquivo mostra o meio ambiente em Fernando de Noronha
Admistração de Fernando de Noronha/Divulgação
Fernando de Noronha comemora a Semana do Meio Ambiente com uma programação gratuita que começa na quinta-feira (1º) e segue até o dia 7 de junho. São realizadas expedições, gincanas, trilhas e debates. Segundo os organizadores, o objetivo do evento é colocar o tema da conservação em pauta.
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A abertura da programação acontece às 17h no Forte Nossa Senhora dos Remédios. Participam a administradora da ilha, Thallyta Figuerôa; a secretária de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Fernando de Noronha, Ana Luiza Ferreira; e a chefe do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Carla Guaitanele.
Programação
Sexta-feira (2):
🛬 Às 8h: O Aeroporto Carlos Wilson recebe uma ação de divulgação do programa Plástico Zero. O programa, criado em 2019, determina a redução do uso de descartáveis e plásticos na ilha. Os turistas vão receber informações do trabalho em Noronha para reduzir a geração de resíduos.
🐬Às 17h: O painel interativo “Conservação oceânica: o desafio perante o aumento do lixo marinho” é realizado no Forte dos Remédios. O encontro conta com a participação do oceanógrafo do Projeto Golfinho Rotador, José Martins.
Sábado (3):
🌳 Das 8h às 11h: A Gincana Ambiental ocorre na Praia da Conceição, com atividades ambientais para crianças.
🐢 Das 16h às 18h: Uma roda de conversa acontece na Praça Tamar, com contos de temas ecológicos.
Domingo (4):
🏝️ Das 8h às 12h: Expedição à Ilha Rata, a segunda maior do arquipélago, que faz parte do Parque Nacional Marinho e só pode receber visitação com autorização especial do ICMBio.
5 de junho:
☕ A partir das 6h: No Dia Mundial do Meio Ambiente, as atividades começam com ioga e café da manhã, no Mirante do Boldró. Temas ambientais são abordados com os alunos da Escola Arquipélago, durante o dia de aula.
🌊 A partir das 18h: Comemoração dos 37 anos da Área de Proteção Ambiental, também no Mirante do Boldró.
6 de junho:
🦈 A partir das 17h: O painel “Desafio na conservação da biodiversidade marinha: dos tubarões ao peixe-leão” é realizado no Forte dos Remédios, com a participação de especialistas como Rhiel Venuto, representante do ICMBio.
7 de junho:
🌤️ Às 17h: O Forte dos Remédios recebe o painel “Necessidade da resiliência e adaptação às mudanças do clima”, com a participação de Dalla Bell, representante da Secretaria de Meio Ambiente.
A programação é realizada em parceria pela Administração da Ilha, pelo ICMBio, pela Secretaria do Meio Ambiente, pelo Forte Noronha, pela Escola de Surfe Alma Solar, pelo Projeto Golfinho Rotador, pela Escola Arquipélago e pelo Projeto Tamar.
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Inter TV Rural deste domingo, 22 de fevereiro
Organizações indígenas se manifestam contra a exploração de petróleo pela Petrobras na Bacia da Foz do Rio Amazonas

Dança do Turé na aldeia Manga, etnia Karipuna, em Oiapoque
Mário Vilela/Funai
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) se manifestaram contra a exploração de petróleo pela Petrobras na bacia da Foz do Rio Amazonas, no litoral do Amapá, extremo norte do Brasil.
A declaração foi divulgada em um documento que destacou o impacto socioambiental nas terras indígenas e as mudanças climáticas globais em função da exploração petrolífera.
Manguezais, corais e terras indígenas: conheça a foz do Amazonas alvo da disputa
As organizações disseram que este tipo de empreendimento não converge com o discurso de valorização da região amazônica e fizeram críticas aos apoiadores.
“Para nós, é impossível que um governo se comprometa em ter uma política ambiental que combate as mudanças climáticas e, ainda assim, se posiciona a favor do licenciamento de projetos que terão impacto socioambiental e aumento do uso de combustíveis fósseis, um dos maiores gargalos para barrar a crise climática”, escreveram.
Em 14 de maio, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) negou licença para a Petrobras iniciar a exploração petrolífera na bacia da Foz do Rio Amazonas.
O órgão informou que o plano da Petrobras para a área não apresenta garantias para atendimentos à fauna em possíveis acidentes com o derramamento de óleo, e que viu lacunas na previsão de impactos da atividade em três terras indígenas em Oiapoque.
Infográfico mostra o local em que a Petrobras quer explorar petróleo na bacia da Foz do Amazonas
Editoria da Arte/g1
A Petrobras declarou que atendeu a todos os requisitos do Ibama no processo de licenciamento e que a área em que pretende perfurar o poço está a 175 km costa do Amapá e a mais de 500 km da foz do Rio Amazonas.
O Ministério de Minas e Energia declarou que recebeu a decisão do Ibama com naturalidade e respeito, e que o poço, de pesquisa, serviria para reconhecimento do subsolo e das potencialidades da região.
Na primeira manifestação sobre o assunto, Lula (PT) disse nesta segunda-feira (22) achar difícil haver algum problema para a Amazônia, mas que ainda avaliaria o caso.
Aldeia Manga, Amapá, Oiapoque
Ibge/Divulgação
O texto, que também carrega a logo da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), descreve que “não há lógica em possuir um discurso de sustentabilidade e desejar ‘explorar’ recursos em detrimento da vida de toda a humanidade”.
As organizações citam também que apenas a preservação das florestas em pé não deve ser suficiente para impedir que o planeta ultrapasse o aumento de 1,5º, considerado o “limite seguro” das mudanças climáticas.
Terras indígenas localizadas no extremo norte do Amapá
Crianças e adultos participam da soltura de tracajás nas terras indígenas de Oiapoque
Marcelo Domingues/Instituto Iepé
De acordo com Renata Lod, vice coordenadora do Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO), 4 povos vivem no litoral do estado: Karipuna, Galibi Marworno, Galibi Kali’ na e Palikur-Arukwayene.
Ao todo, são cerca de 13 mil indígenas vivendo em 3 Terras demarcadas e homologadas (TI Uaçá, TI Jumina e TI Galibi).
As TIs são compostas por 56 comunidades dentro de uma área contínua de 518.454 hectares, organizada em 5 regiões: BR-156, Rio Oiapoque, Rio Uaçá, Rio Urukawá e Rio Curipi.
Terras indígenas podem ser afetadas por exploração na costa do Amapá
Maksuel Martins/Secom
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Dono de lotérica é assaltado quando seguia com R$ 42 mil para depositar em Montes Claros

Viatura da Polícia Militar de Minas Gerais, dez 2023
Raquel Freitas/TV Globo
O proprietário de uma lotérica em Juramento foi assaltado enquanto seguia com mais de R$ 42 mil para depositar em Montes Claros nesta quarta-feira (18).
A vítima, de 43 anos, disse à Polícia Militar que seguia de moto pela MG-308 quando percebeu que havia dois homens parados na rodovia. Ao passar pela dupla, foi perseguido por eles.
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Em um determinado momento, a moto do empresário foi emparelhada pelo outro veículo. O garupa desceu apontando uma arma para ele, ordenando que encostasse.
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Após fazerem ameaças, os assaltantes fugiram no sentido Montes Claros levando a mochila com o dinheiro.
A vítima disse que não conseguiu visualizar a placa da moto, que estava tampada com um adesivo.
A PM fez buscas, inclusive com o apoio do helicóptero, mas nenhum suspeito havia sido preso até a última atualização desta reportagem
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Agenda cultural: Show de Edson e Hudson e festival gastronômico são atrações no Triângulo e Alto Paranaíba

A dupla Edson & Hudson se apresenta em Uberlândia no domingo
Marcos Hermes/ Divulgação
O fim de semana chegou e o G1 preparou uma lista de eventos para todos os gostos. Tem festa junina com show de Edson e Hudson, festival para comemorar o Dia do Amigo e muito mais. Veja a programação de Uberlândia e Patrocínio, no Alto Paranaíba.
Uberlândia
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Patrocínio
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Homem morre ao ser baleado depois de ir para cima de policiais com faca em Curvelo, diz PM

Batalhão da PM em Curvelo
42º Batalhão da Polícia Militar/Facebook
Um homem morreu ao ser baleado depois de partir para cima de policiais com uma faca em Curvelo na madrugada desta quarta-feira (18).
Segundo as informações da Polícia Militar, uma equipe fazia patrulhamento preventivo quando se deparou com o homem, de 38 anos, golpeando outro, de 34. A vítima já estava caída no chão.
“Imediatamente, os militares determinaram que o agressor largasse a arma, ordem que não foi acatada”, detalhou a PM.
Por conta da resistência apresentada e do comportamento agressivo, os policiais usaram um dispositivo de incapacitação neuromuscular.
“Contudo, o autor avançou contra os policiais com a faca em punho, configurando risco iminente à integridade física da equipe. Para conter a injusta agressão e preservar vidas, foi necessário o uso progressivo de força, sendo efetuado um disparo que atingiu o agressor.”
Ainda conforme a PM, o homem foi socorrido pelos próprios policiais para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
A PM informou ainda que a vítima inicial, que tentava defender uma terceira pessoa que estava sendo ameaçada pelo homem, teve uma lesão na mão e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros ao Pronto Atendimento.
“As armas utilizadas na intervenção foram recolhidas para os procedimentos de Polícia Judiciária Militar. O militar envolvido foi conduzido à sede do 42º Batalhão da Polícia Militar para adoção das providências legais cabíveis. A perícia técnica compareceu ao local e realizou os trabalhos de praxe.”
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Presença de guarda-vidas em piscinas de uso coletivo passa a ser obrigatória em BH
Lei que obriga presença de guarda-vidas em clubes de Belo Horizonte vai entrar em vigor
A lei que obriga a presença de um guarda-vidas em clubes e locais que tenham piscinas coletivas vai entrar em vigor neste sábado (21) em Belo Horizonte. A medida é para prevenir acidentes. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) prometeu fiscalização rigorosa e severas multas.
Além de guarda-vidas com certificado, qualquer estabelecimento público ou privado com piscinas a partir de 1.250 m² devem ter desfibrilador, colar cervical, prancha longa, máscaras de respiração, kit de primeiros socorros e placas de sinalização com informações de segurança e profundidade.
O tamanho estabelecido pelo decreto equivale ao padrão de uma piscina olímpica e, segundo os bombeiros, corresponde ao perímetro de alcance de visão e a distância mínima para o deslocamento do salva-vidas e do resgate da vítima.
O decreto municipal, que regula a lei de 2010, vale para clubes, hotéis, academias e alguns condomínios. Os responsáveis pelos estabelecimentos que descumprirem a regra vão ser penalizados.
A falta de um profissional e placas de segurança gera uma multa de R$ 500. O valor dobra se o guarda-vidas que estiver trabalhando no local não for habilitado ou se não tiver equipamentos de segurança. Em alguns casos, se houver reincidência, a piscina é interditada.
Segundo a PBH, a fiscalização será de responsabilidade da Secretaria Municipal de Política Urbana (SMPU). Há vistorias programadas em clubes sociais e esportivos. Todos os estabelecimentos cadastrados estão sendo comunicados sobre as novas regras.
Tribunal de Justiça de MG rejeita recurso e mantém Eduardo Azeredo preso

Eduardo Azeredo na quadra do batalhão do Corpo de Bombeiros, em Belo Horizonte.
Pedro Ângelo/G1
O ex-senador e ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB) teve seu pedido de cautelar para relaxamento da prisão rejeitado pela 3ª vice-presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargadora Mariangela Meyer Pires Faleiro. Azeredo foi condenado a 20 anos e um mês de prisão pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, no mensalão tucano, em agosto passado. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (19) e divulgada nesta sexta (20).
A defesa pediu o relaxamento da prisão enquanto aguarda julgamento do recurso em instâncias superiores. Os advogados alegam que o fato de o réu ter sido governador de Minas Gerais impactou na fixação da pena tanto na primeira como na segunda instância, o que não pode acontecer por prejudicar excessivamente o réu, contrariando entendimentos das cortes superiores.
Na mesma decisão, a desembargadora aceitou que a defesa recorra ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas negou recurso no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado Castellar Guimarães Neto, que representa Eduardo Azeredo, disse nesta sexta-feira (20) que vai recorrer ao STJ.
De acordo com o Tribunal, a magistrada considerou que era possível admitir esse recurso especial porque a turma julgadora valorou a condição de agente político que exerce cargo de influência ou gerência em duas fases da aplicação da pena.
A defesa de Azeredo também apresentou ao TJMG um recurso extraordinário, em questionava o fato de os desembargadores terem dado uma condenação maior do que a pedida pelo Ministério Público e requeria a nulidade da sentença e do acórdão.
Segundo o TJMG, a desembargadora rejeitou o pedido da defesa, com fundamento na jurisprudência do STF que estabelece que o julgador não está vinculado ao MP nem é obrigado a alinhar-se ao posicionamento defendido pelo órgão.
As decisões de primeira e segunda instância que condenaram Azeredo consideraram que o crime de peculato foi praticado sete vezes – cinco vezes no caso do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) (uma em cada empresa do grupo financeiro), uma vez na Copasa e uma vez na Comig. Para o procurador, porém, o crime em relação ao Bemge deveria ter sido considerado uma única vez.
Mensalão tucano
De acordo com a denúncia, o mensalão tucano teria desviado recursos para a campanha eleitoral de Azeredo, que concorria à reeleição ao governo do estado, em 1998.
O esquema envolveria a Companhia Mineradora de Minas Gerais (Comig), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e teria desviado ao menos R$ 3,5 milhões por meio de supostos patrocínios a três eventos esportivos: o Iron Biker, o Supercross e o Enduro da Independência. Todos os réus negam envolvimento nos crimes.
Histórias em quadrinhos podem ajudar no debate racial em sala de aula
Fã de histórias em quadrinhos (HQ) desde a infância, a doutoranda e professora Fernanda Pereira da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolveu um estudo que confirma como as graphic novels podem provocar reflexões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros professores do Curso Normal, fortalecendo a educação antirracista. ![]()
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As graphic novels são HQ com histórias completas, imagens e textos mais longos.
Doutoranda Fernanda Pereira da Silva acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa discussão Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
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Até o mestrado sobre relações étnico-raciais, baseado em heróis negros de HQs, Fernanda não tinha parado para falar de racismo.
“Me senti uma ignorante, porque nunca tinha parado para tratar de questões raciais. A questão é de todo mundo, independente da cor da pele”, disse Fernanda (19) à Agência Brasil.
Por isso, ela acredita que as HQs têm o poder de atrair as pessoas para essa discussão.
Em 2018, no final do mestrado, quando o governo federal lançou HQs com os heróis negros Carolina, Cumbe e Angola Janga no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), ela resolveu que se dedicaria, no doutorado, a pesquisar como as graphic novels poderiam contribuir para o debate racial na formação inicial dos professores do ensino fundamental.
“Vi a importância de trabalhar isso na formação inicial para que esses professores se estimulem no sentido de continuar o debate antirracista na sua formação posterior. Daí o meu interesse de inserir as HQs para trazer a discussão antirracista para dentro da sala de aula”.
A tese de doutorado de Fernanda tem o título Cotidiano, escola e Graphic novel: O papel da mídia no fortalecimento da Educação para Relações Étnico-Raciais e contou com orientação da professora da Faculdade de Educação da UFF, Walcéa Barreto Alves.
A doutoranda Fernanda Pereira da Silva interagindo com os alunos. Foto: Jean Barreto/ Divulgação
Em campo
Fernanda realizou um trabalho de campo no Colégio Estadual Júlia Kubitschek com os alunos do segundo ano do ensino médio, dos quais a grande maioria (95%) eram negros. O que ela constatou foi que as escolas abordam o tema do racismo somente em novembro, mês da Consciência Negra, mas deixam de falar no assunto no resto do ano, enquanto os alunos vivenciam situações de racismo e discriminação cotidianamente, conforme relataram. Não existe também um planejamento escolar para falar da questão do racismo.
Outra constatação é que a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana em estabelecimentos de ensino fundamental e médio, públicos e privados, não é cumprida em 71% dos municípios brasileiros, de acordo com pesquisa do Geledés Instituto da Mulher Negra e do Instituto Alana. Um dos argumentos para a não aplicação da lei é que os professores consideram o tema polêmico e difícil de trabalhar. “E não é polêmico. Faz parte da nossa história”.
Fernanda argumentou que a questão do racismo pode ser trabalhada de várias formas.
“Pode convidar pessoas para fazer palestras na escola. E uma estratégia que eu vi é buscar outros elementos para trabalhar a questão racial. Então, olhei para as HQs e perguntei: por que não levar a história da escritora Carolina Maria de Jesus e, através das graphic novels, apresentar para os estudantes e, contando a história daquela escritora, falar sobre educação antirracista?”, diz.
Imersão
A professora da UFF Walcéa Barreto Alves diz que o trabalho de campo fez uma ação interventiva. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
A professora Walcéa Barreto Alves, da Faculdade de Educação da UFF, destacou que Fernanda teve a atenção de fazer um trabalho de campo que não ficasse só no âmbito teórico, mas fez uma ação também interventiva. A partir dessa imersão em campo, Fernanda pôde observar o dia a dia desses estudantes, verificando se a escola debatia ou não temas de questões étnico-raciais para esses futuros professores e professoras.
“Ela constatou que não havia esse debate cotidianamente e que ele ficava reservado prioritariamente para novembro, que é o Mês da Consciência Negra”, afirmou Walcéa.
A partir das entrevistas e questionários formulados, Fernanda observou que os alunos vivenciam situações de racismo no seu cotidiano individual fora da escola e também no interior desses estabelecimentos.
A preocupação de Fernanda foi preparar esses futuros professores para quando forem lecionar para as novas gerações. “A ideia da Fernanda foi fazer uma prática interventiva, como fez com essas graphic novels, para eles terem acesso a esse material e terem possibilidade de desdobramento na sua prática docente”, destacou a professora Walcéa.
O objetivo foi escutar quem está de fato nesse cotidiano, acrescentou. Fernanda afirmou que essa é uma maneira mais atrativa para trabalhar o tema das relações étnico-raciais, a partir da história de personagens negros, “porque vai puxando várias discussões”.
Walcéa chamou a atenção para uma questão importante que a tese apresenta, que é olhar para a dimensão étnico-racial com uma perspectiva positiva e de liderança dos personagens e das pessoas negras, que foram os protagonistas da história.
“Em muitas obras, percebe-se que as pessoas negras são sempre colocadas de canto; são, no máximo, coadjuvantes. Não há um protagonismo, em especial em material didático, que coloque a identidade positiva da questão racial, da raça negra e indígena, dos povos originários do nosso país. A visão é muito colonialista mesmo”. Já o objetivo é trazer esse material em uma perspectiva decolonial para a visão do debate étnico-racial.
Leveza
Na avaliação da professora da UFF, as HQs constituem uma ferramenta essencial para que o debate sobre racismo seja mais amplificado.
“As HQs trazem uma leveza e, ao mesmo tempo, conseguem trabalhar o tema com profundidade, devido aos recursos visuais, à própria organização textual que facilitam a leitura da criança e do adolescente e, inclusive, dos adultos. Mas elas permitem também que haja um aprofundamento de algumas questões, que se levantem questões paralelas àquela história principal. Com certeza, elas são uma ferramenta importantíssima e muito valiosa”.
Walcéa defendeu que haja um trabalho de conscientização e acesso a esse material, porque pode ser usado em qualquer disciplina para debater, esclarecer e valorizar a questão étnico-racial dentro e fora da escola desde os anos iniciais. Ela reforçou ainda a necessidade de se avançar e usar as HQs no planejamento das escolas, bem como na prática pedagógica.
