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‘Vamos atuar com rigor, sejam políticos ou empresários’, diz diretor da PF sobre operação contra o PCC

por Redação
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Segundo ele, não há possibilidade de blindagem de agentes públicos ou privados. “Não descarto a possibilidade de participação de agentes políticos. Faremos essa investigação com a sobriedade e energia necessária para identificar todos aqueles envolvidos, seja na questão das fraudes da cadeia de combustível ou do uso desse esquema para lavar dinheiro oriundo de um crime anterior”, disse. Rodrigues destacou que a PF não fará distinção entre os investigados. “Não faremos a seleção de investigados. Vamos investigar quem encontrarmos provas: sejam políticos, empresários, funcionários públicos ou da iniciativa privada. Vamos atuar com o rigor e a responsabilidade de sempre”, afirmou Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, em entrevista à GloboNews. — Foto: Reprodução/ GloboNews Em entrevista à Globonews, o diretor-geral também defendeu a adoção de medidas regulatórias para reduzir brechas no sistema financeiro e comercial que permitem a lavagem de dinheiro. Entre os mecanismos citados está a instituição da carteira de identidade nacional com biometria. “Vamos alertar setores para que adotem medidas regulatórias, como a instituição da carteira de identidade nacional com biometria, para evitar fraudes e diminuir a vulnerabilidade do INSS”, disse. “No sistema financeiro, agora identificamos a vulnerabilidade de camadas que dificultam a identificação de quem é quem no processo.” Os investigadores apontam que a facção chegou a controlar 40 fundos de investimento, com patrimônio superior a R$ 30 bilhões, usados para lavar dinheiro, blindar patrimônio e financiar a compra de ativos estratégicos. Foragidos do PCC “A gente não sabe se esses foragidos estão no Brasil ou fora. Essa é uma informação que não temos ainda”, disse Rodrigues ao Estúdio i, da GloboNews. Apesar da falta de informação sobre a localização, Rodrigues ressaltou que a PF tem capacidade para realizar uma busca global pelos alvos. “A Polícia Federal trabalha com toda a sua rede de parceiros não só no Brasil, mas também no exterior. É importante lembrar que a Polícia Federal tem adidâncias em todos os países da América do Sul e tem adidâncias nos cinco continentes. Participamos da Ameripol, da Europol, da Interpol”, afirmou o diretor. Investigação da PF Entre os oito foragidos, de um total de 14 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça Federal, estão os principais suspeitos de comandar a poderosa rede criminosa que contaminou o setor de combustíveis: Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Delegados e agentes que acompanharam os inquéritos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da Polícia Federal (DICOR) têm se reunido desde quinta para entender como foi possível que não apenas os principais, como a maioria dos alvos, tenham conseguido fugir. Em casos complexos, que implicam pedidos de prisão autorizados, os investigados costumam ser monitorados com antecedência. Deslocamentos, viagens dentro e fora do país. Exatamente para serem surpreendidos e capturados na deflagração das ações policiais. Isso é praxe no trabalho da PF e estava sendo feito nas operações contra o crime organizado de quinta. “O que nos causa grande estranheza é que muitos dos alvos monitorados escaparam de véspera. Temos indicativos de que fugiram de casa um dia antes da operação ou poucos dias antes”, disse um dos investigadores. O inquérito vai apurar se houve facilitação de agente público ou vazamento de informações. Foram investigações extremamente complexas e que envolveram muitos órgãos e corporações. Polícias. Fiscais fazendários estaduais e federais. Integrantes do Ministério Público de várias regiões. Agentes da ANP. Foi necessário juntar todas as forças porque muitos alvos coincidiam nas apurações do MP e da PF. Nos encontros feitos desde a tarde de quinta entre delegados e diretores da PF, o que se busca agora é decifrar o que aconteceu. “Já temos algumas pistas, alguns indícios de por onde pode ter vazado informação que favoreceu a fuga dos alvos. Vamos aprofundar a partir de agora. É uma questão de honra entender o que houve e prender quem continua foragido”. Facção criminosa se infiltra na cadeia produtiva do álcool Apreensões Investigadores da Polícia Federal acreditam que as apreensões realizadas na megaoperação desta quinta vão revelar novos grupos envolvidos em esquemas milionários de adulteração de combustíveis e sonegação de impostos. O material recolhido é considerado farto e relevante. Viaturas da PF e da Receita em frente a prédio na Faria Lima durante megaoperação que investiga fraude do PCC em postos de combustíveis — Foto: Amanda Perobelli/Reuters Rastreamento de fintechs O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o crime organizado terá que buscar novos caminhos para esconder e multiplicar suas fortunas. Segundo Haddad, a atuação de fintechs e fundos de investimento como instrumentos de lavagem está com os dias contados. Haddad anuncia que ‘fintechs’ serão monitoradas de perto “Usaremos a inteligência artificial que já dispomos para rastrear e acompanhar o que entra e o que sai das fintechs. Quem abastece as contas, como se dão as movimentações, para onde foi o dinheiro. Quem está fazendo o quê”, disse o ministro. Ele garantiu que a fiscalização sobre essas empresas será tão rigorosa quanto a aplicada ao sistema bancário tradicional. O ministro também destacou que movimentações atípicas, entradas e saídas sem identificação clara serão detectadas pela tecnologia. “Tudo isso a nossa IA vai pegar e vamos para cima de quem estiver fazendo coisa errada. Vamos seguir o dinheiro do criminoso”, completou.

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