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‘Washington Post’, de Jeff Bezos, promove demissões em massa e reduz um terço da equipe

por Redação
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Segundo a agência, a decisão foi comunicada aos funcionários pelo editor-chefe executivo, Matt Murray. Os cortes atingem as editorias internacional, de edição, cobertura local e esportes e devem reduzir em cerca de um terço o quadro de funcionários do jornal. A medida ocorre poucos dias depois de o jornal, fundado há mais de 145 anos, reduzir sua cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 diante do aumento das perdas financeiras. “Por muito tempo, operamos com uma estrutura muito ligada à época em que éramos quase um monopólio como jornal local”, afirmou Murray na ligação. “Precisamos encontrar um novo caminho e construir uma base mais sólida.” Entre os profissionais afetados estão a repórter responsável pela cobertura da Amazon, Caroline O’Donovan, a chefe do escritório do Cairo, Claire Parker, além de outros correspondentes e editores do Oriente Médio, segundo publicações feitas por elas na rede social X. Em nota à Reuters, o jornal afirmou que as demissões fazem parte de uma reestruturação ampla. “O Washington Post está adotando hoje medidas difíceis, porém decisivas, para o seu futuro. Essas ações buscam fortalecer a empresa e concentrar esforços em um jornalismo diferenciado, que nos distingue e, principalmente, envolva nossos leitores”, informou o comunicado. Todos os setores afetados No ano passado, o Washington Post anunciou mudanças em áreas administrativas e cortes de pessoal, afirmando que a redação não seria afetada. Em 2023, o jornal do fundador da Amazon ofereceu um plano de demissão voluntária após registrar prejuízo de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 525 milhões). “Se Jeff Bezos não está mais disposto a investir na missão que definiu este jornal por gerações e a servir os milhões que dependem do jornalismo do Post, então o jornal merece outro responsável”, afirmou o sindicato dos jornalistas do veículo (WaPo Guild) em publicação na rede X. Na semana passada, a equipe responsável pela cobertura da Casa Branca enviou uma carta a Bezos afirmando que as reportagens mais relevantes dependem da colaboração com setores ameaçados pelos cortes e que uma redação diversa é essencial em um momento de crise financeira. Jeff Bezos e a aquisição do Washington Post Jeff Bezos acena para fotógrafos na chegada a Veneza para seu casamento — Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters O bilionário adquiriu apenas a divisão de imprensa do grupo, que à época manteve outros negócios como a empresa educacional Kaplan e emissoras de rádio e TV. A venda foi motivada pelas dificuldades financeiras enfrentadas pelo setor de jornais, afetado pela queda de assinaturas e pela migração do público para a internet. O então presidente do grupo, Donald Graham, afirmou que Bezos poderia ser um dono mais adequado para conduzir o jornal nesse novo cenário. Na ocasião, Bezos prometeu preservar os valores editoriais do Washington Post e destacou que a internet transformava profundamente o negócio das notícias, exigindo inovação e experimentação. Ele manteve Katharine Weymouth como presidente executiva e editora do jornal. A compra ocorreu em meio a uma crise mais ampla da imprensa tradicional nos EUA, com outros jornais também sendo vendidos, como o Boston Globe. O Washington Post é um dos jornais mais influentes do país, conhecido por reportagens históricas como a investigação do caso Watergate. Nos últimos anos, o jornal enfrentou tensões internas após a decisão de não apoiar nenhum candidato na eleição presidencial de 2024, o que gerou críticas e a perda assinantes digitais. Em 2024, passou por mudanças editoriais com a nomeação de William Lewis como diretor-executivo e a reformulação da seção de opinião, que passou a priorizar temas como liberdades individuais e livre mercado. Veja os vídeos que estão em alta no g1

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