Argentina de Milei prepara novo corte de 20 mil funcionários públicos; 77 mil já perderam o emprego

Os cortes se somariam aos mais de 77 mil postos de trabalho eliminados desde que o presidente Javier Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023. O programa terá duração de um mês, a partir de 1º de novembro, e prevê pagamentos que variam conforme a idade e o tempo de serviço dos funcionários, apurou a AFP. Quem aderir ficará proibido de voltar a trabalhar na administração pública por oito anos. O objetivo, segundo decreto publicado no Diário Oficial, é promover uma “adequada e eficiente alocação dos recursos públicos”. “Continuamos buscando maneiras de reduzir o gasto público para continuar baixando impostos”, escreveu no X o ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger. A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), sindicato que representa servidores públicos, anunciou uma marcha contra o plano. “Não é desligamento voluntário, é demissão extorsiva. A rejeição a este decreto é total”, escreveu no X o secretário-geral da entidade, Rodolfo Aguiar. O funcionalismo público é um dos principais alvos da política de redução dos gastos do Estado adotada por Milei, conhecida como “motosserra”. O setor privado cortou 270 mil empregos Segundo dados divulgados por Sturzenegger em setembro, 21% dos postos de trabalho do Estado nacional foram eliminados desde dezembro de 2023, o equivalente a 77,5 mil empregos. Os cortes também atingiram o setor privado formal, que perdeu 270 mil postos de trabalho no período, segundo fontes sindicais. O cenário é marcado por medidas de austeridade fiscal — redução de gastos do governo para equilibrar as contas públicas — e pela queda da atividade econômica. Sturzenegger, por sua vez, afirma que foram criadas 400 mil vagas de trabalho. Esse número, porém, inclui empregos informais e trabalhadores autônomos. A informalidade no mercado de trabalho argentino cresceu três pontos percentuais em três anos e chegou a cerca de 45%. O presidente da Argentina, Javier Milei, participa de uma reunião da coalizão política e de segurança multinacional “Escudo das Américas”, à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026 — Foto: Charly Triballeau/Pool via REUTERS

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