“Desmonte da escola pública”: Entenda a polêmica que mobiliza pais e alunos da EE João Paulo I em Betim

→ A Câmara Municipal de Betim realizou uma audiência pública, na noite de quinta-feira (9 de julho), no Plenário Carino Saraiva, para debater a eventual conversão da Escola Estadual João Paulo I em uma nova unidade do Colégio Tiradentes da Polícia Militar (CTPM). A discussão, motivada pelo Requerimento nº 726/2026 do vereador Professor Alexandre Xeréu, reuniu parlamentares, lideranças sindicais, estudantes e a direção da instituição para contestar a falta de diálogo do Governo de Minas Gerais sobre o remanejamento da comunidade escolar.

Durante o encontro, o Professor Alexandre Xeréu criticou a ausência de autoridades estaduais convidadas e considerou arbitrária a decisão do governador Matheus Simões de desalojar a escola tradicional. O parlamentar ponderou que apoia o modelo de orientação militar, mas questionou o destino dos atuais alunos e cobrou união das lideranças políticas locais para conter a iniciativa.

A deputada estadual Beatriz Cerqueira informou que transferiu o debate para a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A parlamentar apontou que o Executivo não apresentou diagnóstico técnico para justificar a escolha das escolas afetadas e atribuiu a medida à desorganização da Secretaria Estadual de Educação. Representando o deputado estadual Mauro Tramonte, o Professor Sidão relatou a apresentação de um requerimento para garantir que as vagas de novas unidades militares sejam integralmente destinadas a moradores dos próprios municípios.

Impactos na comunidade escolar

O coordenador da subsede do Sind-Ute Betim, professor Luiz Fernando de Oliveira Souza, argumentou que a mudança inviabilizaria o acesso de estudantes de baixa renda devido aos custos associados ao Colégio Tiradentes, classificando a medida como um desmonte da escola pública. A diretora da instituição, Janaína de Paula Oliveira, ressaltou o clima de incerteza gerado pela ausência de informações oficiais e defendeu o modelo atual da escola, que atua em tempo integral com foco em cursos profissionalizantes.

A presidente da União Municipal dos Estudantes de Betim (Umes), Samara Letícia Bigão dos Santos, alertou para o impacto da transição brusca sobre estudantes neurodivergentes e alunos de cidades vizinhas que frequentam as opções técnicas do colégio. O vereador Dudu Braga também se manifestou contra a militarização da unidade e colocou o mandato à disposição do movimento estudantil.

Como encaminhamento da audiência pública, o Professor Alexandre Xeréu anunciou que protocolará no Poder Legislativo uma Moção de Repúdio contra a decisão do governo estadual e uma Moção de Apoio à permanência da Escola Estadual João Paulo I em sua estrutura atual.
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