CLAYTON CASTELANISÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Policiais que conduziram a uma delegacia do interior paulista três suspeitos de tráfico de drogas que usavam camisetas em apoio ao presidente Lula (PT) atuam em uma divisão sem câmeras corporais à disposição dos seus integrantes. A 1ª Companhia do 10º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior) não recebeu equipamentos para gravação das ações, segundo o cronograma de distribuição dos dispositivos publicado no site da Secretaria de Segurança Pública da gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A apreensão de um adolescente de 17 anos e as prisões de dois jovens de 21 e 24 anos ocorreram na última quarta-feira (21) na favela Vitória Pantanal, em Piracicaba. A mãe do menor diz que o filho não tinha trajes da campanha do petista e que o rapaz foi forçado a vestir a roupa. Na mesma comunidade e no mesmo dia, mulheres que usavam camisetas idênticas às vestidas pelos suspeitos disseram que foram forçadas a entregar as peças para um grupo de policiais militares. Incursões em comunidades vulneráveis, como é o caso da favela Vitória Pantanal, devem obrigatoriamente ser feitas por policiais equipados com câmeras. A norma faz parte da Diretriz n.º PM3-001/02/25, assinada pelo Comando-Geral da Polícia Militar. O documento define as regras de uso dos equipamentos. A Secretaria da Segurança Pública do governo Tarcísio informou, em nota, que a distribuição das câmeras seguiu critérios técnicos da Polícia Militar validados pelo STF (Supremo Tribunal Federal). A pasta declarou que a prioridade de entrega considerou as áreas de maior risco. O órgão argumentou que três dos quatro batalhões da região de Piracicaba já trabalham com câmeras portáteis. A ação ocorreu poucos dias antes do segundo turno da eleição presidencial e no momento em que o candidato Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa, tem defendido a redução da maioridade penal. Aliado de Flávio, o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) publicou em uma rede social imagens dos três detidos com camisetas da campanha petista. Derrite é ex-secretário de Segurança Pública da gestão Tarcísio. A Corregedoria da Polícia Militar apura se os agentes envolvidos forçaram os detidos a vestir as roupas. O PT pediu investigação à Procuradoria-Geral Eleitoral e à Polícia Federal por abuso de poder e fraude eleitoral. O cronograma de entrega, disponível no portal de transparência do programa Muralha Paulista, mostra que outras divisões foram contempladas na região de Piracicaba. Essas unidades são o 10º Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) e o 48º BPM/I. Somadas, as unidades possuem mais de 200 aparelhos. Mas o 10º BPM/I, ao qual pertencem os policiais da ação na favela, não aparece na lista. A ampliação e modernização do sistema de câmeras corporais faz parte de um acordo firmado pelo governo paulista com o STF. O acerto previa a entrega de 15 mil novos equipamentos. O governo bateu a meta em maio deste ano, mas há batalhões territoriais inteiros sem a tecnologia de monitoramento. A regra de distribuição exige cobertura integral das unidades de alta e média prioridade. O plano abrange todos os batalhões da Região Metropolitana de São Paulo, o Choque e todos os Baeps do estado. No interior e no litoral, o acordo prevê o envio de dispositivos apenas para as unidades classificadas como de alta e média prioridade na matriz de risco. MÃE DIZ QUE FILHO FOI OBRIGADO A VESTIR TRAJE DE CAMPANHA PETISTAA mãe de um adolescente de 17 anos apreendido por suspeita de tráfico de drogas em Piracicaba afirma que policiais militares obrigaram o filho dela a vestir uma camiseta em apoio a Lula. Outros dois homens foram presos na abordagem. Imagens dos três usando camisetas do petista foram divulgadas no Instagram do senador eleito Guilherme Derrite. As camisetas tinham aparência de novas e eram idênticas, conforme noticiou a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Na mesma data e na mesma comunidade, a deputada estadual reeleita Professora Bebel (PT) diz que PMs intimidaram e agrediram mulheres que entregavam materiais da campanha do PT. Os agentes, segundo a deputada, teriam obrigado as mulheres a entregar-lhes camisetas em apoio a Lula que estavam vestindo. A blusa usada por elas tinha estampa vermelha e os dizeres: Professoras e professores da Apeoesp com Lula. O modelo era o mesmo usado pelos homens detidos na data, segundo as imagens divulgadas por Derrite. Apeoesp é o sindicato dos professores do estado paulista. A Professora Bebel é ligada à entidade, mas, segundo ela, as mulheres que denunciaram a agressão não fazem parte do sindicato e são militantes do PT. Um dos suspeitos presos deu uma entrevista ao site TV TodoDia, negando envolvimento no caso e o uso da camiseta do PT. A coluna também recebeu um vídeo em que duas mulheres afirmam que sofreram intimidação e agressão de PMs para tirarem as camisetas que vestiam em apoio a Lula. Na ocasião, a gestão Tarcísio disse que o adolescente e os dois jovens foram detidos a partir de uma denúncia via 190 com a descrição dos três. Foram encontradas 23 porções de cocaína com o adolescente e um revólver e mais 137 porções da droga com os adultos, segundo o governo. Meu local de votação mudou no 2º turno? Tire essa e outras dúvidas O eleitor deve confirmar o local do voto antes de sair de casa. A Justiça Eleitoral alterou 102 endereços de votação. As alterações ocorreram por problemas na estrutura dos imóveis, e as causas incluem reformas prediais, estragos causados por temporais, alagamentos e falta de segurança. Folhapress | 08:48 – 24/10/2026