Betim inicia soltura de mosquitos com Wolbachia para combater dengue, zika e chikungunya

A cidade de Betim dá um passo decisivo no combate às arboviroses com a introdução dos mosquitos com Wolbachia, uma estratégia segura para proteger a população.

Por: Gilberto Cruz | Jornalista
→ A prefeitura de Betim, em uma parceria estratégica com o World Mosquito Program Brasil, a Fiocruz e o Governo de Minas, iniciou a liberação dos chamados Wolbitos. Esses mosquitos possuem a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão de doenças.

O projeto foi estruturado desde janeiro deste ano. O objetivo central é reforçar o enfrentamento às arboviroses, reduzindo o número de casos e óbitos por dengue, chikungunya e zika em todo o território municipal.

Conforme informações divulgadas pelo World Mosquito Program Brasil e pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a medida busca prevenir surtos, especialmente diante de cenários de calor intenso e mudanças climáticas.

Como funciona a tecnologia Wolbachia

Os Wolbitos são produzidos em uma biofábrica situada em Belo Horizonte e liberados de forma controlada. Quando esses mosquitos cruzam com a população local de Aedes aegypti, eles transmitem a bactéria para as gerações seguintes.

Essa bactéria reduz drasticamente a capacidade do mosquito de transmitir vírus como os da dengue, zika e chikungunya. É importante destacar que o método é seguro, não envolve modificação genética e não oferece riscos para humanos ou animais.

Bairros contemplados e cronograma de ação

Nesta fase inicial, a escolha dos locais baseou-se em critérios técnicos rigorosos, como o alto índice de infestação e a incidência de casos. Os bairros Jardim Teresópolis, Santo Antônio, Vila Boa Esperança, Amazonas e Renascer foram os selecionados.

As liberações ocorrem em ruas e avenidas acessíveis por veículos. O trabalho terá uma duração estimada entre 16 e 20 semanas por área, com operações semanais realizadas sempre às quartas-feiras, a partir das 5h30 da manhã.

Investimento e compromisso com a saúde pública

A iniciativa é financiada com recursos do Acordo Judicial de Brumadinho, firmado entre o Governo de Minas, o Ministério Público e a Vale. O projeto faz parte das ações de reparação social e ambiental previstas após o rompimento da barragem em 2019.

A Secretaria de Saúde de Betim reforça que o método é complementar. Ou seja, a população deve continuar mantendo os quintais limpos, eliminando criadouros de água parada e mantendo a vacinação para o público de 10 a 14 anos sempre em dia.

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