A empresa afirmou que usará recursos próprios para compensar os prejuízos e garantir que os clientes não sejam afetados financeiramente. Segundo a Binance, dez criptomoedas, incluindo bitcoin (BTC) e ether (ETH), já estão com seus valores totalmente cobertos. A corretora informou que continuará comprando os demais ativos até repor 100% do valor roubado. Os 10% restantes correspondem a criptomoedas menos negociadas no mercado, o que dificulta a compra de grandes quantidades e pode atrasar a reposição. “Nosso compromisso permanece o mesmo: a Binance cobrirá integralmente o impacto financeiro dos fundos roubados neste incidente”, declarou a corretora em comunicado. Como a Binance pretende cobrir as perdas? Para compensar os prejuízos, a Binance informou que está utilizando recursos de um fundo de emergência criado para proteger os clientes, parte de um fundo de seguro destinado a operações com criptomoedas, além do dinheiro do próprio caixa da empresa. Entre esses recursos está o Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), criado em 2018 para proteger investidores em situações excepcionais, como ataques hackers. A corretora pretende recompor seu saldo para aproximadamente US$ 1 bilhão. A empresa também utilizou parte de um fundo de seguro para operações com criptomoedas, afirmando que a retirada não compromete a proteção dos investidores. Segundo a Binance, a partir de terça-feira (3), os clientes poderão conferir se a corretora possui recursos suficientes para garantir o valor total de suas criptomoedas. A verificação deve ser concluída na mesma data. A previsão é que os saques sejam liberados neste domingo (1º), após a suspensão temporária do serviço em decorrência do ataque hacker. Entenda o ataque hacker à Binance O ataque à Binance ocorreu na quinta-feira (29) e é considerado o maior roubo já registrado na história do setor de criptomoedas. Segundo as empresas americanas TRM Labs e Chainalysis, especializadas em rastrear movimentações de criptomoedas, os responsáveis seriam hackers ligados à Coreia do Norte. A Binance, porém, afirmou que sua investigação ainda não identificou os criminosos. De acordo com a Reuters, a corretora está trabalhando com autoridades policiais de diferentes países, incluindo o Departamento Federal de Investigação (FBI, na sigla em inglês) e o Serviço Secreto dos Estados Unidos (USSS). Até sexta-feira (30), cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em criptomoedas roubadas haviam sido localizados. Parte desses recursos foi bloqueada com a ajuda de outras empresas do setor, mas isso não significa que o dinheiro tenha sido recuperado. Inicialmente, a Binance suspeitou que o ataque tivesse começado pelo computador de um de seus engenheiros. O equipamento teria sido invadido, permitindo que os hackers acessassem os sistemas da empresa. Posteriormente, a corretora informou que identificou outras possíveis falhas de segurança exploradas pelos criminosos. (veja mais aqui) Segundo a TRM Labs, os invasores conseguiram comprometer o sistema responsável por autorizar transferências de criptomoedas. A maior parte do roubo aconteceu em aproximadamente 20 minutos, por volta das 17h (horário de Brasília), segundo registros das transações analisados por especialistas. Após o desvio, os criminosos começaram a movimentar rapidamente os recursos para dificultar o bloqueio e o rastreamento do dinheiro. Criptomoedas voltam a subir Neste sábado (31), o Bitcoin voltou a subir, após a queda generalizada das criptomoedas na sexta-feira (30), atribuída ao ataque hacker à Binance. Por volta das 12h, o Bitcoin registrava leve alta de 0,22%, cotado a US$ 77.430. O ether, criptomoeda da rede Ethereum, avançava 0,44%, a US$ 2.247,99, enquanto a solana subia 1,25%, a US$ 95,77. O logotipo da Binance é visto em um smartphone, em 28 de fevereiro de 2023, em Marple Township, Pensilvânia. — Foto: Matt Slocum/AP
