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Chefe do Fed adota tom mais duro e sugere alta de juros nos EUA para conter inflação; veja impactos

por Redação
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A declaração foi considerada um sinal mais claro em relação a comentários feitos anteriormente por Warsh sobre a situação dos EUA. O chefe do banco central americano disse que dados recentes indicam melhora, mas pregou cautela. “Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, disse Warsh, durante conferência anual do Fed. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”. ➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio. (leia mais abaixo) Agora no g1 Warsh não sinalizou que uma alta dos juros esteja próxima, mas destacou que o combate à inflação continua sendo prioridade. O índice oficial de preços dos EUA permanece acima da meta de 2% definida pelo Fed. O presidente do BC americano afirmou ainda que não deseja fornecer o que analistas chamam de “orientação futura” sobre a taxa de juros, mas sugeriu que o patamar atual não restringe a atividade econômica dos EUA. Após a repercussão do discurso de Warsh, a plataforma FedWatch, do CME Group, passou a apontar 59,5% de probabilidade de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. O BC se reunirá novamente para discutir a taxa de juros dos EUA nos dias 15 e 16 de setembro. Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o discurso teve “um tom mais hawkish” — uma postura mais preocupada com a inflação e favorável à manutenção ou até à alta dos juros para conter os preços — e reforçou que a inflação ainda não está desacelerando rápido o suficiente. “Warsh também demonstrou preocupação com a pressão das commodities, especialmente do petróleo”, afirmou. Segundo Praça, o efeito mais claro apareceu nos juros dos títulos do governo americano, que subiram e atingiram máximas recentes. “O movimento reflete a perspectiva de uma política monetária restritiva por mais tempo”, disse. Impacto sobre os mercados O movimento aumenta a atratividade dos investimentos nos EUA, o que tende a fortalecer o dólar e enfraquecer as bolsas. O índice da bolsa brasileira foi beneficiado pela alta das ações de empresas como Petrobras (+1,99%), em meio às oscilações dos preços do petróleo, e Banco do Brasil (+1%). Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda, também repercutindo o discurso de Kevin Warsh. O Dow Jones recuou 0,02%, aos 53.559,99 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,25%, aos 7.711,76 pontos, e o Nasdaq recuou 0,52%, aos 26.402,42 pontos. Efeito dos juros no Brasil — e nos mercados Juros elevados nos EUA mantêm os rendimentos das Treasuries, os títulos públicos americanos, em níveis mais atraentes. Por serem considerados os investimentos mais seguros do mundo, as Treasuries com rentabilidades elevadas despertam o interesse de investidores estrangeiros, que direcionam recursos aos EUA e fortalecem o dólar. Em outra perspectiva: apesar de diversas variáveis interferirem nessa lógica, o movimento tende a reduzir o volume de investimentos estrangeiros no Brasil, desvalorizando o real em relação à moeda americana. Além disso, o dólar em nível elevado aumenta a pressão sobre a inflação por aqui, com reflexos na manutenção de juros altos pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil.

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