Criminoso admite usar conta bancária de terceiro para vender material de abuso sexual infantil: ‘É de uma menina’

Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram A negociação do conteúdo, porém, é feita dentro do aplicativo de mensagens Telegram. Em um dos casos identificados pelo g1, um criminoso admite usar a conta bancária de um terceiro, a quem chama de “menina”. Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal ouvidos pelo g1. (entenda mais abaixo) “Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk”, afirmou o criminoso. Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil e diz que comprador não será rastreado. — Foto: Reprodução Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material. O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. “Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens”, completou. As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem. Criminosos usam contas das próprias vítimas, diz PF Conteúdo de abuso infantil é divulgado no TikTok A PF aponta que os agressores costumam utilizar contas bancárias de ex-namoradas ou da própria criança ou adolescente que foi vitimado por eles, buscando eliminar qualquer vínculo direto entre o autor do crime e a transação. Para evitar exigências de órgãos de controle como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central, as redes criminosas migram para bancos digitais e fintechs com regulamentação mais frágil. Em alguns casos, elas abrem empresas no setor financeiro para movimentar os recursos sem guardar dados ou responder às autoridades, explicaram os investigadores da PF. O criminoso que disse usar a conta de “uma menina” também informou como chave PIX um endereço de e-mail com final “@estudante.rs.gov.br”. O g1 não conseguiu localizar a pessoa mencionada no endereço, que tem nome feminino. Procurada pelo g1, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que “está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso”. Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores. Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas. Pacotes são vendidos a partir de R$ 10 no Telegram Criminoso vende conteúdo até de abuso sexual em chat no Telegram. — Foto: Reprodução/Telegram Em um dos canais monitorados pelo g1, um dos pacotes custa US$ 25 (cerca de R$ 130) e dá acesso a um grupo privado no Telegram com milhares de vídeos. No mesmo endereço, outros pacotes são vendidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo. Em um deles, que aceita PIX, um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35. Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual, como estupro e incesto. Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores. Por R$ 20, o grupo oferece acesso “vitalício”, segundo o anúncio. (veja na imagem abaixo) Antes da compra, os criminosos costumam enviar uma prévia do conteúdo por meio de um vídeo autodestrutivo, que é apagado após a primeira visualização. Depois, após a confirmação do pagamento, enviam os arquivos na própria conversa. Grupo vende acesso vitalício a grupo de conteúdo de abuso sexual infantil por R$ 20. — Foto: Darlan Helder/g1 O que dizem as empresas “A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram, e dedicamos esforços significativos para erradicá-la de nossa plataforma. Mais de 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil foram removidos em 2026. Além da moderação humana, o Telegram escaneia todas as mídias enviadas para sua plataforma pública, comparando-as com um banco de dados de hashes de conteúdo de material de abuso sexual infantil previamente removido por moderadores, complementado por conjuntos de dados da Internet Watch Foundation e denúncias de ONGs de todo o mundo. Como resultado desses esforços, o Telegram praticamente eliminou a disseminação pública de material de abuso sexual infantil em sua plataforma. O fato de agentes maliciosos precisarem anunciar em outras plataformas significa que eles não conseguem existir publicamente no Telegram como resultado dos esforços de moderação do Telegram. Estatísticas diárias e mais informações: Telegram.org/safety” “Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens. Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas). Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras. 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma.” Veja como denunciar casos de violência infanto-juvenil: Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;Qualquer delegacia de polícia;Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;Ministério Público;Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo Discord: o que é a rede social que terá lives suspensas no Brasil após decisão da ANPD

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