Diabetes do doador não reduz sucesso de transplante de rim, diz estudo da Unifesp

PATRÍCIA PASQUINISÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O fato de um doador de órgãos ter tido diabetes em vida não significa que o desempenho dos seus rins será inferior após transplante no paciente que irá recebê-los. É o que conclui o estudo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Five-Year Outcomes and Clinicopathological Correlations of Kidney Transplants From Deceased Donors With Diabetes, publicado na revista científica Clinical Transplantation. Os pesquisadores avaliaram os resultados de 3.058 adultos com 18 anos ou mais, do Hospital do Rim, em São Paulo. A análise acompanhou transplantes realizados entre janeiro de 2013 e dezembro de 2017. Do total de pacientes, 244 receberam órgãos de doadores com diabetes e com KDPI (Kidney Donor Profile Index, ou Índice de Perfil de Doadores de Rins) superior ao daqueles sem a doença. O KDPI é um sistema de pontuação em percentuais que avalia a qualidade e estima a longevidade de um rim de doador morto. Para garantir uma comparação adequada e sem distorções nos resultados, cada doador com diabetes foi pareado com dois sem a condição, mas com características de saúde semelhantes. O estudo acompanhou o desempenho do rim transplantado por até cinco anos após a cirurgia. Segundo Lúcio Roberto Requião Moura, professor adjunto da disciplina de Nefrologia da EPM/Unifesp e coautor da pesquisa, inicialmente, foram identificados resultados inferiores de função renal no grupo que recebia rins de doadores com diabetes. Entretanto, o estudo revelou que o perfil clínico dos doadores era mais complexo –em média, dez anos mais velho, com o dobro de incidência de hipertensão arterial e histórico de morte por AVC (acidente vascular cerebral).Para isolar o impacto do diabetes e impedir a interferência de outras variáveis, foi utilizado o pareamento por escore de propensão (propensity score matching). A metodologia estatística comparou os grupos como se os indivíduos tivessem idade, níveis de pressão arterial e causa da morte iguais –o diabetes era a única diferença. A função renal ao final de cinco anos foi equivalente entre os receptores de rins de doadores com e sem a doença. “O estudo tem duas grandes mensagens: quando você inclui no processo de decisão sobre doadores falecidos que têm potencialmente uma contraindicação para ser doador a biópsia renal, desperdiça menos órgãos, aproveita mais órgãos que sem a biópsia você desperdiçaria. A outra coisa é que não pode olhar uma característica isoladamente, mas o conjunto todo”, diz o professor. COMO É O PROTOCOLO O diabetes não é um critério de exclusão para a doação de rim de falecido, desde que a pessoa não tenha apresentado insuficiência renal crônica antes da morte encefálica. A equipe médica avaliará o tempo de evolução da doença, o histórico clínico, além de realizar biópsias ou exames físicos detalhados no órgão para descartar nefropatia diabética grave ou danos macroscópicos severos. Em vida, para a segurança do doador, a doença é uma contraindicação para o procedimento. “Doadores com diabetes tendem a ser menos aceitos considerando que a condição é a principal causa de doença renal. Há a percepção de que o desfecho do paciente, se receber um rim com diabetes seria pior. Na verdade, a comparação a ser feita é receber um rim com diabetes ou continuar em diálise? Alguns estudos avaliam que é melhor do que o paciente permanecer em diálise”, afirma o pesquisador. Vale esclarecer que o sistema eletrônico apenas direciona e envia o rim disponível. A decisão de aceitar ou recusar um órgão com riscos pertence à equipe do centro transplantador. Para o professor e pesquisador Lúcio Roberto Requião Moura, não há o que mudar no SNT (Sistema Nacional de Transplantes). Desde 2010, ele prioriza a compatibilidade genética como o principal pilar biológico de desempate. “A legislação foi revisada no ano passado. O sistema de alocação está sendo planejado para colocar as regras de distribuição em vigência. Deve começar em fevereiro do próximo ano. Além da compatibilidade genética, também ganhou peso um valor que eu classifico como social: o tempo em fila de espera. Pessoas com mais tempo na lista de espera terão maior probabilidade de transplantar”, explica. “O sistema de transplante brasileiro é uma das políticas públicas mais bem-sucedidas. É justo, transparente e correto. As regras são baseadas em evidências científicas. O Brasil tem o maior programa público de transplante do mundo. Os serviços estão preparados para transplantar doadores que não são considerados ideais, mas podem ser aproveitados e garantir um resultado clínico melhor do que a diálise”. Motorista infarta e morre ao volante na Dutra; engavetamento deixa ao menos 10 feridos A concessionária Ecovias Rio Minas, responsável pela administração da rodovia, registrava cerca de 10 quilômetros de congestionamento no sentido Rio de Janeiro, entre os km 183 e 173, na manhã desta sexta-feira. Estadao Conteudo | 09:48 – 30/10/2026

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