O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar. ▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa na história. A expectativa é de forte alta do dólar e queda substancial da bolsa nesta segunda-feira. Já os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos. ▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar. ▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado. Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40% perto das 7h40, cotado a US$ 115,09. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha perdas de 1,95%, a US$ 101,26 o barril. ▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar Acumulado da semana: -1,57%;Acumulado do mês: -3,50%;Acumulado do ano: -9,03%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,17%Acumulado do mês: +10,06%;Acumulado do ano: +27,28%. Vitória de Lula muda projeções do mercado A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26). Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Segundo analistas afirmaram à Reuters, a expectativa é que a B3 ative os mecanismos de interrupção de negociações logo cedo. “Nenhuma pesquisa estava dando vitória de Lula, e quando olhamos a metade da tarde do pregão de sexta-feira, parece que o mercado realmente se posicionou para a vitória de Flávio”, comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research. “Vimos na sexta-feira um estirão do dólar para baixo e a bolsa para cima. Nesta segunda-feira, dado que houve essa alavancagem, é possível que haja circuit breaker na bolsa e parada de negócios no dólar”, acrescentou. Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Uma terceira paralisação ocorre no caso de queda de 20%. “A gente viu um movimento na sexta-feira, com o mercado apostando em uma vitória do Flávio, mas como isso não aconteceu, a tendência é de que se faça compras de defesa no câmbio”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Ações brasileiras caem no exterior Risco de disputa na Justiça Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça. Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito. “Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado? A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como “circuit breaker”, foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais. Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão: 1997 – Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.1999 – Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.2008 – Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.2020 – Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira. Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram: Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa na história Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. — Foto: Arte/g1 Bolsas Globais Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta segunda-feira, conforme investidores adotavam uma postura mais cautelosa diante de uma semana movimentada, marcada por importantes reuniões de bancos centrais. O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,19%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,46%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,51%. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar. — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução