Os investidores acompanham um dia marcado por tensões geopolíticas e decisões de política monetária. Enquanto o impasse entre Estados Unidos e Irã mantém o Oriente Médio no centro das atenções, os mercados também aguardam as definições de juros nos EUA e no Brasil. Por volta das 8h30, o barril do Brent, referência internacional, marcava alta de 3,01%, cotado a US$ 114,61. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançava 3,23% no mesmo horário, a US$ 103,16. ▶️ Apesar do foco no Oriente Médio, o principal evento econômico do dia são as decisões de juros nos EUA e no Brasil. Nos EUA, o Federal Reserve divulga sua decisão às 15h, seguida pela coletiva do presidente Jerome Powell, às 15h30. As projeções são de que os juros sejam mantidos entre 3,50% e 3,75%. ▶️ Ainda na agenda nacional, o Ministério do Trabalho divulga às 14h30 os dados do Caged, que foram antecipados para esta quarta-feira. A publicação estava inicialmente prevista para quinta-feira (30). Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar Acumulado da semana: -0,32%;Acumulado do mês: -3,80%;Acumulado do ano: -9,24%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,11%;Acumulado do mês: +0,62%;Acumulado do ano: +17,06%. Guerra no Oriente Médio O presidente Donald Trump voltou a ameaçar o Irã publicamente, demonstrando insatisfação com as propostas apresentadas nas negociações e indicando a possibilidade de novos ataques militares. As conversas para encerrar o conflito seguem travadas, sem avanço concreto. Ao mesmo tempo, os EUA avaliam diferentes estratégias, incluindo declarar vitória e reduzir sua presença militar na região. Do lado iraniano, o país afirma que a guerra não acabou e que responderá com mais intensidade caso seja atacado novamente. Durante o cessar-fogo, Teerã tem aproveitado para reorganizar sua capacidade militar, incluindo a recuperação de equipamentos e a produção de drones. Outro ponto central da crise é o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. O Irã mantém restrições à passagem de navios e condiciona a reabertura total ao fim definitivo da guerra e a garantias de segurança. 🛢️ A passagem permanece, na prática, fechada, o que impede que petroleiros sigam viagem até seus destinos.⏳ A interrupção já dura semanas e ocorre mesmo após um cessar-fogo frágil no conflito regional, mantendo investidores em alerta. Decisões de juros O mercado financeiro espera que o Banco Central do Brasil realize um novo corte na taxa básica de juros nesta quarta-feira (29), durante reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). 🔎A projeção majoritária é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano — o que marcaria o segundo corte consecutivo. A decisão ocorre em um cenário mais delicado. A guerra no Oriente Médio tem pressionado a inflação global, principalmente por meio da alta do petróleo, que já impacta os preços dos combustíveis no Brasil. Esse contexto faz com que parte dos analistas defenda mais cautela ou até uma pausa no ciclo de queda dos juros. O Banco Central, no entanto, toma suas decisões com base nas projeções futuras de inflação. Com a meta contínua fixada em 3% (com tolerância entre 1,5% e 4,5%), a autoridade monetária avalia se há espaço para estimular a economia sem perder o controle dos preços. Hoje, o mercado projeta inflação de cerca de 4% para o próximo ano, acima do centro da meta. O Federal Reserve realiza nesta “superquarta” a última decisão de juros sob o comando de Jerome Powell, que encerra seu mandato como presidente em 15 de maio, após oito anos à frente do Fed. 🔎 A expectativa do mercado é de manutenção da taxa na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. A gestão de Powell foi marcada por choques relevantes, como a pandemia, a guerra entre Rússia e Ucrânia, além das tensões mais recentes no Oriente Médio, que mantiveram a inflação sob pressão. Nesse cenário, o Fed alternou ciclos de alta e queda de juros para tentar equilibrar controle de preços e atividade econômica. Mercados globais Os mercados globais tiveram um dia misto, com desempenho positivo na Ásia e queda na Europa, refletindo tanto fatores internos quanto o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, puxadas por setores ligados a tecnologia e transição energética. Em Xangai, o índice SSEC subiu 0,71%, aos 4.107 pontos, enquanto o CSI300 avançou 1,10%, aos 4.810 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 1,68%, aos 26.111 pontos. Em Seul, o Kospi subiu 0,75%, aos 6.690 pontos. Já Taiwan registrou queda de 0,55%, aos 39.303 pontos, e Singapura também caiu 0,55%, aos 4.860 pontos. Em Sydney, o S&P/ASX 200 recuou 0,27%, aos 8.687 pontos, enquanto o mercado de Tóquio permaneceu fechado. O desempenho positivo na China foi impulsionado principalmente por ações de terras raras, baterias e energia limpa, com ganhos expressivos após resultados fortes de empresas do setor. Ainda assim, investidores mostraram cautela após o Politburo do Partido Comunista Chinês sinalizar continuidade das políticas atuais, sem novos estímulos imediatos. Na Europa, o cenário é negativo. Nesta manhã, o índice pan-europeu STOXX 600 caía 0,3%, aos 605 pontos, pressionado tanto por balanços corporativos quanto pela aversão ao risco ligada à guerra no Oriente Médio. Em Londres, o FTSE 100 recuava 0,82%, aos 10.248 pontos. Em Frankfurt, o DAX caía 0,39%, aos 23.924 pontos. O CAC-40, de Paris, perdia 0,82%, aos 8.038 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuava 0,72%, aos 47.695 pontos, enquanto em Madri o Ibex-35 caía 1,06%, aos 17.587 pontos. Já em Lisboa, o PSI20 recuava 0,72%, aos 9.198 pontos. Dólar — Foto: Heloise Hamada/G1
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