Os mercados começam a semana sob pressão após uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. No Brasil, a agenda concentra compromissos ligados ao Orçamento de 2027 e às negociações comerciais com os EUA. ▶️ Nos EUA, os mercados reagem à primeira ofensiva americana contra o Irã desde o fim de julho, que elevou as preocupações com a inflação. Com a nova escalada do conflito, os preços do petróleo avançam nesta segunda-feira (31). Por volta das 8h50 (de Brasília), o Brent subia 3,28%, a US$ 91,01 por barril, enquanto o WTI avançava 3,53%, a US$ 86,17. ▶️ No Brasil, o governo apresenta ao Congresso o projeto do Orçamento de 2027, enquanto a Câmara deve votar à noite a medida provisória que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”. Ao longo do dia, ministros também participam de eventos e reuniões sobre o Orçamento e as negociações comerciais com os EUA. ▶️ Ainda na agenda brasileira, Dario Durigan, ministro da Fazenda, participa de evento do BTG Pactual, e Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, fala sobre o Orçamento de 2027. Durante a tarde, Márcio Elias Rosa se reúne com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, para discutir o tarifaço. ▶️ Nos EUA, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, participa de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar Acumulado da semana: +1%;Acumulado do mês: +2,49%;Acumulado do ano: -5,33%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +2,71%;Acumulado do mês: -1,31%;Acumulado do ano: +9,02%. Fed sinaliza que pode manter juros altos O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira que o banco central americano ainda pode precisar agir para conter a inflação. “Devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer”, disse Warsh durante discurso no simpósio do Federal Reserve, em Jackson Hole. Warsh destacou que o avanço dos preços nos últimos dois anos foi modesto e que os dados recentes “não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”. 🔎 A inflação medida pelo PCE, índice acompanhado pelo Fed, estava em 3,7% em 12 meses até julho, acima da meta de 2%. O presidente do Fed também afirmou que os mercados de crédito e empréstimos mostram “poucos sinais de restrição da política monetária”, o que indica que os juros atuais podem não estar exercendo pressão suficiente sobre a economia. Ao mesmo tempo, ele disse que as expectativas de inflação estão ancoradas, mas precisam ser “acompanhadas de perto”, e ressaltou que suas declarações não representam uma indicação sobre os próximos passos do banco central. Em meio à repercussão do discurso de Warsh, a plataforma FedWatch, do CME Group, passou a apontar 59,5% de probabilidade de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Para Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o discurso teve “um tom mais hawkish” — uma postura mais preocupada com a inflação e mais favorável à manutenção ou até à alta dos juros para conter a pressão sobre os preços —, e reforçou que a inflação ainda não está desacelerando rápido o suficiente. “Warsh também demonstrou preocupação com a pressão das commodities, especialmente do petróleo”, afirmou. Segundo Praça, a reação mais clara apareceu nos juros dos títulos do governo americano, que subiram e atingiram máximas recentes. “O movimento reflete a perspectiva de uma política monetária restritiva por mais tempo”, disse. Bolsas globais Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda, de olho no discurso de Kevin Warsh, do Fed. O Dow Jones recuou 0,02%, o S&P 500 teve perdas de 0,25% o Nasdaq caiu 0,52%. Na Europa, as bolsas encerraram em alta, após terem fechado majoritariamente em baixa na sessão anterior. O índice STOXX 600 subiu 0,51%. Em Londres, o FTSE 100 avançou 0,29% e, em Frankfurt, o DAX ganhou 0,77%. Em Paris, o CAC 40 teve alta de 0,98%. Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa. As perdas nos setores de biotecnologia e fabricação de chips superaram os ganhos das empresas ligadas a commodities. Em Xangai, o SSEC caiu 0,11%, aos 3.952 pontos, e o CSI300 recuou 0,46%, aos 4.609 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,07%, aos 25.584 pontos, enquanto, em Tóquio, o Nikkei avançou 0,40%, aos 66.405 pontos. * Com informações da agência de notícias Reuters. Dólar — Foto: Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
