SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Ibovespa recuou 1,05%, aos 204.324 pontos, nesta quinta-feira (15), pressionado pelas incertezas eleitorais e pela preocupação com os custos das empresas diante do avanço, no Senado, da proposta que prevê o fim da escala 6×1. No mercado de câmbio, o dólar disparou 1,15%, cotado a R$ 5,088. A moeda fechou no maior valor desde 2 de outubro, quando encerrou a R$ 5,216, antes do primeiro turno das eleições. No pregão seguinte à votação, o dólar caiu para R$ 5,001, em reação à liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT) na apuração. A alta ocorreu na contramão do exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta de divisas fortes, recuou 0,50%. Para Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, a queda da Bolsa reflete a pesquisa Quaest divulgada na noite de quarta-feira (14), após o fechamento do mercado. A reação já havia aparecido nos contratos futuros do índice e se refletiu no pregão desta quinta. O avanço da proposta que prevê o fim da escala 6×1 também aumentou a preocupação dos investidores com os custos das empresas e possíveis efeitos sobre a inflação, diz o especialista. “A redução da jornada de trabalho tende a aumentar os custos de mão de obra das empresas, que deverão fazer novos planejamentos em relação à mudança. Entre os pontos, podemos citar aumento de preços ao consumidor final, caso optem por repassar custos, ou contratar mais para não diminuir o tempo de abertura da loja, o que tende a gerar inflação”, afirma Xavier. Ele acrescenta que setores ligados a turismo e lazer podem se beneficiar da medida, já que os trabalhadores teriam mais tempo livre para atividades pessoais. A nova pesquisa Quaest mostrou empate técnico entre Flávio Bolsonaro, com 46% das intenções de voto, e Lula, com 44%, em um eventual segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Votos em branco ou nulo somaram 9%, enquanto 1% dos entrevistados se declarou indeciso. Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, afirma que a combinação de incertezas eleitorais e preocupações com os custos das empresas pressiona os ativos brasileiros. O mercado vê com bons olhos uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de maior compromisso com o ajuste fiscal. A agenda política desta quinta inclui ainda a sabatina de Lula na Globo e a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha, cujos resultados podem influenciar os negócios nesta sexta-feira (16). Um estudo da Warren Investimentos estima que a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderia elevar o IPCA em 0,38 a 0,42 ponto percentual ao longo da implementação da medida. Segundo a análise, a redução das horas trabalhadas sem corte proporcional dos salários elevaria o custo por hora de trabalho. Parte dessa despesa poderia ser repassada aos preços. A queda do Ibovespa também foi influenciada pelo desempenho das ações da Petrobras, em meio à volatilidade do petróleo no mercado internacional. Após começar o dia em forte baixa, o barril do Brent, referência global para os preços da commodity, caía 0,23% às 17h14, cotado a US$ 105,82. Papéis de bancos e da Vale, outra empresa de peso no índice, também recuaram, contribuindo para o desempenho negativo da Bolsa. Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, afirma que o movimento também reflete a perda de força da Bolsa, que já vinha sendo observada desde a véspera. Segundo ele, a pesquisa Quaest contribuiu para uma realização de lucros após a valorização recente de ações diante da perspectiva de mudança de governo. O pregão também foi influenciado por um cenário externo desfavorável, marcado pelas tensões no Oriente Médio e pelas pressões inflacionárias nos Estados Unidos. Os juros futuros brasileiros fecharam em alta. Na ponta curta da curva, os contratos com vencimento em janeiro de 2028 eram negociados a 12,915%, com avanço de 0,21 ponto percentual. Na ponta longa, os contratos para janeiro de 2035 estavam em 12,860%, com variação de 0,24 ponto percentual. O movimento ocorreu na direção contrária à dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries e usados como referência para o mercado global de juros. Os títulos de dez anos tinham rendimento de 5,087%, com queda de 0,09 ponto percentual, enquanto os de 30 anos rendiam 5,427%, com recuo também de 0,09 ponto percentual. Ainda no cenário doméstico, o IBGE informou que as vendas no varejo cresceram 0,1% em agosto ante julho e 0,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. Os resultados ficaram abaixo das expectativas de economistas consultados pela Reuters, que projetavam altas de 0,7% na comparação mensal e de 1,45% em 12 meses. No exterior, o destaque da agenda econômica foi a divulgação do PPI (índice de preços ao produtor) de setembro nos Estados Unidos. O indicador mede a variação dos preços recebidos pelos produtores e ajuda a monitorar as pressões inflacionárias na economia americana, oferecendo pistas sobre os próximos passos do Fed (banco central americano). O PPI subiu 1,3% em setembro, acima da expectativa do mercado, de 0,5%, após alta de 0,5% em agosto. Foi a maior elevação mensal desde março de 2022. Em 12 meses, o índice acelerou para 6,3%, ante 5,6% em agosto e expectativa de 5,3%, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2022. O núcleo do indicador, que exclui componentes mais voláteis, como alimentos e energia, subiu 0,7% no mês, acima da projeção de 0,3%. Em 12 meses, acumulou alta de 5%, ante expectativa de 4,4%. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os dados mostram que as pressões sobre os preços nos Estados Unidos seguem fortes. “A energia é o principal vetor, como já havia sido no CPI de setembro, mas o núcleo também veio acima da projeção, sinal de que o movimento não se limita aos combustíveis”, afirma. Em Wall Street, as Bolsas fecharam em alta. O Dow Jones avançou 1,09%, enquanto o S&P 500 subiu 0,33% e o Nasdaq teve alta de 0,08%. Leia Também: Como consultar o FGTS e o que fazer se a empresa não depositar o valor
