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Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? Entenda o que o mercado tenta antecipar

por Redação
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As movimentações refletem as apostas do mercado sobre os rumos da economia no próximo governo. Não à toa, o resultado do 1º turno já teve impacto no dólar e no Ibovespa. Na segunda-feira (5), um dia após a apuração das urnas mostrar Flávio Bolsonaro (PL) à frente, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula (PT), o dólar caiu mais de 4% e terminou o dia cotado a R$ 5, o menor patamar desde maio. Agora no g1 “Os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal. A eleição deixa essas variáveis em aberto, e cada pesquisa ou declaração muda as probabilidades de cada cenário”, explica o chefe de investimentos do ASA, Rogerio Freitas. O mercado costuma sofrer grandes oscilações em momentos como esse porque tenta antecipar os efeitos que as propostas e as chances de vitória de cada candidato podem ter sobre a economia. Dados históricos mostram que o Ibovespa, o dólar e os juros futuros costumam reagir com maior intensidade em períodos eleitorais e diante de notícias políticas, principalmente quando aumentam as incertezas sobre as contas públicas e os rumos da economia. 🔎 Os efeitos aparecem de formas diferentes em cada mercado. A bolsa reage às expectativas dos investidores para a economia e para o desempenho das empresas. Já o dólar responde à percepção de risco e aos movimentos de entrada e saída de recursos do país. Da mesma forma, pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos meses, que mostraram um avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa, também tiveram repercussão nos mercados. Em 10 de setembro, uma pesquisa que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula (PT) em uma eventual disputa de segundo turno coincidiu com queda de 0,18% do dólar, a R$ 5,1026, e alta de 1,42% do Ibovespa, aos 188.268 pontos. “A volatilidade tende a crescer perto das eleições, mas os primeiros atos do eleito pesam mais que o discurso de campanha. Mas cada eleição precisa ser lida no seu próprio contexto”, diz Freitas, do ASA. Essa maior volatilidade, no entanto, não se limita aos períodos eleitorais. O noticiário político também pode mexer com os mercados, especialmente quando envolve medidas capazes de afetar a inflação, os juros e a atividade econômica. “Há períodos em que, mesmo diante de escândalos políticos, outros fatores pesam mais, como o fluxo de capital estrangeiro para o país”, afirma Alvaro Maia, banker da StoneX. O analista lembra que o Mensalão, em 2006, teve forte repercussão política, mas influência limitada sobre os mercados. “Isso porque havia mais dinheiro circulando nos mercados internacionais, os bancos no exterior estavam mais dispostos a emprestar recursos, as commodities estavam em alta e as ações brasileiras eram negociadas a preços relativamente baixos em relação aos resultados das empresas. Então, a política acabou ficando um pouco em segundo plano”, explica Maia. Abaixo, o g1 mostra o histórico das cotações do dólar e do Ibovespa desde 1994, com destaque para alguns períodos de maior oscilação. Em seguida, confira dicas para investir em momentos de maior volatilidade. Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026. — Foto: Arte/g1 Como investir em momentos de volatilidade? Na hora de investir, uma das recomendações é recorrer à renda fixa para atravessar períodos de maior volatilidade com mais segurança. “Em um momento em que temos juros em dois dígitos, a renda fixa está especialmente atrativa. São várias opções, com destaque para os títulos públicos prefixados ou para os fundos de renda fixa”, comenta Maia. Para quem planeja investir na bolsa de valores, a recomendação é evitar montar uma carteira de ações com base em pesquisas eleitorais ou em apostas sobre o resultado das urnas. “O melhor é manter a estratégia de longo prazo e fazer ajustes na carteira sem agir por impulso. Grande parte do resultado vem da forma como os investimentos são distribuídos”, diz Freitas. “Diversificar, inclusive no exterior, ajuda a reduzir riscos, enquanto uma reserva de fácil acesso evita que o investidor precise vender ativos em momentos de queda. O tempo é o maior aliado”, completa. Outro cuidado é adequar a carteira ao perfil de cada investidor e à sua tolerância ao risco. Quem tem um perfil mais conservador, por exemplo, tende a concentrar uma parcela maior dos recursos em investimentos menos sujeitos a oscilações. Já quem aceita correr mais riscos pode ter uma fatia maior em ativos como ações.

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