EUA analisam proposta para reabertura do estreito de Hormuz, e Trump diz que Irã está ‘em colapso’

EUA analisam proposta para reabertura do estreito de Hormuz, e Trump diz que Irã está ‘em colapso’

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A Casa Branca anunciou que está analisando a proposta mais recente do Irã para reabrir o estreito de Hormuz, rota marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, dois meses após o início da guerra. As negociações de paz entre Washington e Teerã para acabar com o conflito não apresentaram resultados até o momento. A mais recente rodada de negociações fracassou em meio a um frágil acordo de cessar-fogo em vigor. O presidente Donald Trump se reuniu na segunda-feira com seus principais conselheiros de segurança para discutir a nova proposta de Teerã. Segundo a agência estatal iraniana Fars, a República Islâmica enviou “mensagens escritas” a Washington com a ajuda do país mediador, o Paquistão. O plano contemplaria a flexibilização de seu controle sobre Hormuz e o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos, mas adiaria as negociações sobre a questão nuclear. Nesta terça, Trump foi às redes sociais dizer que o Irã “está em estado de colapso”. “O Irã acaba de nos informar que está em um ‘estado de colapso’. Eles querem que ‘abramos o estreito de Hormuz’ o mais rápido possível, enquanto tentam resolver sua situação de liderança (o que acredito que conseguirão fazer!)”, escreveu Trump, sem dar detalhes de como teria sido esse contato. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou anteriormente em conversa com jornalistas que a oferta estava “sendo discutida”. De acordo com a agência Reuters, que ouviu relatos de funcionários do governo Trump, o presidente estaria insatisfeito com o plano apresentado. O republicano quer que as negociações em torno de um acordo nuclear sejam tratadas desde o início, enquanto Teerã defende que o tema seja deixado de lado até que a ofensiva militar seja encerrada e as disputas sobre o transporte marítimo no Golfo sejam resolvidas. A proposta prevê negociações em etapas, ainda de acordo com esses relatos.  Um primeiro passo exigiria o fim da guerra e garantias de que os EUA não possam retomá-la. Em seguida, os negociadores tratariam do bloqueio naval americano aos portos iraniano e do futuro de Hormuz, que o Irã pretende reabrir sob seu controle. Somente depois disso as negociações abordariam outras questões, incluindo a disputa sobre o programa nuclear iraniano, com Teerã ainda buscando algum tipo de reconhecimento por parte dos EUA de seu direito de enriquecer urânio. Um acordo anterior, firmado em 2015 entre o Irã e vários outros países, incluindo os EUA, restringiu fortemente o programa nuclear iraniano, que Teerã sempre afirmou ter fins pacíficos e civis. Mas o pacto ruiu quando Trump se retirou unilateralmente dele durante seu primeiro mandato. Enquanto a Casa Branca analisa a proposta, o porta-voz do Ministério de Defesa do Irã, Reza Talaei Nik, afirmou que os EUA “já não estão em condições de ditar sua política” a outros países. Segundo a televisão estatal, ele ainda disse que Washington terá que “aceitar que deve abandonar suas exigências ilegais e irracionais”. Ao ser questionado sobre os termos da proposta do Irã, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse ao canal Fox News que era “melhor” do que Washington pensava, mas questionou a sinceridade do plano. “Temos que garantir que qualquer acordo que seja feito, qualquer acordo que seja alcançado, seja um que impeça definitivamente que desenvolvam uma arma nuclear a qualquer momento”, afirmou. Na segunda (27), o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, culpou as “exigências excessivas” de Washington pelo fracasso das negociações de paz. Ele viajou à Rússia, onde o presidente Vladimir Putin prometeu o apoio de Moscou para acabar com a guerra. Araghchi desembarcou em São Petersburgo após visitar Omã e Paquistão. Islamabad recebeu a primeira rodada de negociações entre as duas partes, que fracassaram, e a visita de Araghchi no fim de semana havia suscitado esperanças de novos diálogos. Trump, no entanto, cancelou a viagem prevista de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner à capital paquistanesa.”Eles podem nos ligar”, justificou o republicano. Em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador do Irã disse que o país exige “garantias críveis” para sua segurança antes de uma normalização na passagem no Golfo. O Parlamento iraniano prepara uma lei que pretende colocar Hormuz sob a autoridade das Forças Armadas. Segundo o texto, os navios israelenses serão proibidos de passar pela via estratégica e os pedágios deverão ser pagos na moeda iraniana. “Não podemos tolerar que os iranianos tentem instaurar um sistema em que eles decidam quem pode utilizar uma via marítima internacional e quanto deve ser pago a eles para utilizá-la”, disse Rubio ao canal Fox News. Entre 125 e 140 navios costumavam cruzar o estreito diariamente antes da guerra, mas apenas sete o fizeram no último dia, segundo dados da Kpler e análise de satélite da SynMax – e nenhum transportava petróleo destinado ao mercado global. Com a queda em seus índices de aprovação, Trump enfrenta pressão interna para encerrar a guerra. EUA vão emitir passaportes comemorativos com rosto e assinatura de Trump Ilustrações do presidente aparecerão na parte interna do documento, segundo Departamento de Estado americano. Republicano já colocou sua imagem em moedas, seu nome em departamentos e suas fotografias em prédios do governo Folhapress | 07:50 – 29/04/2026

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