Famílias afetadas pela chuva em Eldorado, no interior de SP, vão para abrigo e relatam drama

ELDORADO, SP (FOLHAPRESS) – Deu tempo apenas de pegar os documentos e sair com a roupa do corpo. Telma Grandchamp, 50, só se lembra de ter sido obrigada por agentes sociais a deixar sua casa quando a água chegou no tornozelo. Deixou uma vida para trás e perdeu o pouco que tinha. Telma, a mãe Isabel, de 78 anos, e os dois filhos adolescentes estão desde sábado em uma sala de aula da Escola Estadual Dr. Jayme de Almeida Prado, um dos 11 abrigos disponibilizados pela Prefeitura de Eldorado (SP) para desabrigados por causa da enchente que cobriu boa parte da cidade no fim de semana. Moradora do Jardim Lorena, ela não faz ideia de quando voltará para casa. Mas sabe que não vai encontrar quase nada. “Meu filho foi lá e viu que perdemos tudo. Agora precisamos esperar a Defesa Civil liberar a gente voltar.” O auxílio do Bolsa Família é a única fonte de renda da casa, que é alugada. Nesta segunda-feira (15), Telma vestia uma roupa doada. Numa outra sala de aula, os armários de Aparecida da Guia Antunes, 56, serviam de divisória do ambiente onde ela tem passado os últimos dias com os netos de 6, 10 e 15 anos. Atrás dos móveis há outra família. Os quatro moram numa casa também atingida pela inundação no Jardim Lorena. Cida, como é conhecida, perdeu as contas de quantas vezes já ficou alojada na escola devido a enchentes que inundaram sua casa. Mas dessa vez deu para salvar os móveis e eletrodomésticos. “Uma empresa de Registro [cidade vizinha a Eldorado] mandou caminhões do tipo caçamba e um vizinho montador de móveis ajudou a desmontar tudo”, diz. Deu para salvar, inclusive, um armário do salão de beleza que tem em casaA mesma sorte não tiveram as irmãs Carla, 35, Carina, 33, e Carolina, 31, das Dores Cravo. Elas moram em casas diferentes no Porto da Balsa e os três imóveis ficaram alagados. Carina foi até a residência ver o que sobrou e há lama para todos os lados. “Foi tudo muito rápido”, diz Carolina. Além das irmãs, três crianças, os cachorros Neguinha e Barão e dois gatos dividem a sala de aula. Na escola, que fica na região central de Eldorado, há pelo menos 25 famílias. Até às 10h30 havia 60 delas desabrigadas em Eldorado, segundo a Defesa Civil estadual. São pessoas que não puderam voltar para casa e estão hospedadas com parentes e amigos. O prefeito Noel Castelo da Costa (Solidariedade) acredita que só em dois ou três dias vai se saber o total de pessoas atingidas, pois nesta terça-feira (15) ainda havia regiões isoladas. Em todo o Vale do Ribeira, onde fica Eldorado, são 130 famílias desabrigadas e 20 desalojadas, essas com residências sem condições de retorno. Em Sete Barras, cerca de 450 imóveis foram afetados e houve 25 desalojados. Em Registro, são cerca de 150 pessoas desabrigadas e 11 desalojadas. Leia Também: 64% apoiam aborto legal para meninas de até 14 anos vítimas de estupro, diz pesquisa

Postagens relacionadas

Apoiado pela EBC, evento debate desenvolvimento do futebol feminino

Paulo Gonet nega proximidade com Daniel Vorcaro

Em carta aos candidatos, Fenaj pede valorização dos jornalistas