Flávio Bolsonaro apaga posts com críticas ao Bolsa Família

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apagou publicações antigas feitas em seu perfil no X (ex-Twitter) em que criticava o Bolsa Família, programa de transferência de renda para famílias em situação de pobreza. A exclusão foi verificada pelo jornal Estado de S.Paulo, que baixou em junho todas as postagens de Flávio realizadas na plataforma. Procurada por email nesta terça-feira (20), a campanha do candidato não respondeu até a publicação desta reportagem. Em uma das postagens excluídas, de novembro de 2011, Flávio chamou o Bolsa Família de “bolsa-farelo”. Na época, ele era deputado estadual do Rio e publicou uma série de mensagens para defender o voto contrário à criação de um programa do governo estadual para pagar até R$ 300 para quem já recebia o benefício federal. “Fui o único voto contra na @alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro] ao projeto ‘Renda Melhor’, q [que] chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral”, escreveu em um dos posts. O termo “bolsa farelo” foi usado em mais de uma ocasião. Nas publicações, o hoje candidato ao Planalto também insinuou que o Bolsa Família seria usado para conseguir votos de forma eleitoreira e fez ataques ao PT -partido de Lula, com quem disputará o segundo turno no próximo domingo (25). “3% da população tem ensino superior, 30 milhões recebem bolsa-família, 80% dos eleitores votam em troca de alguma coisa”, dizia um conteúdo de março de 2010. “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente”, afirmou em tweet de abril do mesmo ano. Flávio Bolsonaro também chegou a compartilhar uma notícia intitulada “Governo faz acordo com oposição e aprova reajuste do Bolsa Família” e escreveu: “Financiamento púb [público] de campanha do pt!”. A exclusão dos conteúdos com críticas ao benefício, bandeira das gestões petistas, está sendo usada por aliados de Lula para criticar Flávio Bolsonaro nas redes sociais. O perfil do PT no X afirma que os posts mostrariam que o senador não apoiaria o Bolsa Família. “Você não engana ninguém, Flávio”, escreveu. Nesta semana, uma declaração da coordenadora-geral do plano de governo do candidato do PL, Daniella Marques, a respeito do Bolsa Família também gerou repercussão negativa para a campanha de Flávio, sob o entendimento de que ele defenderia limitar o período em que um beneficiário poderia receber o valor. Segundo Daniella, caso seja eleito presidente, o senador propõe aumentar o período da regra de transição para que beneficiários do programa possam continuar recebendo o recurso por dois anos após terem conseguido uma alta da renda, seja por entrarem no mercado formal de trabalho ou por abrirem o próprio negócio. Essa medida já existe. Denominada regra de proteção, ela prevê que o beneficiário ainda terá direito a 50% do valor do Bolsa Família, mesmo quando a renda domiciliar ultrapassar os R$ 218 por pessoa ao conseguir um emprego ou abrir um negócio, por um período de 18 meses. Até o ano passado, esse tempo de transição era de 24 meses. Em resposta às acusações, Daniella Marques e Flávio publicaram vídeos nas redes sociais afirmando que eram notícias falsas espalhadas pela campanha petista. “O que estou fazendo de proposta é para incentivar você, caso queira, quando arrumar um emprego de carteira assinada, você continua recebendo o Bolsa Família por até dois anos”, afirmou. Leia Também: Amigo de Flávio, Willer Tomaz movimentou R$ 5 bi em bets, diz Fazenda

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