Esse acordo, que tem duração de quatro anos, foi fechado há cerca de um ano para substituir um empréstimo anterior ainda maior, de US$ 44 bilhões. 🔎Na prática, o dinheiro serve para dar fôlego ao governo do presidente Javier Milei, permitindo reorganizar as contas do país e desmontar restrições antigas ao uso de dólares, conhecidas como controle cambial. A Argentina tem um longo histórico com o FMI — este é o 23º acordo com o organismo internacional, que tem sede em Washington. Isso mostra a dificuldade recorrente do país em equilibrar sua economia e evitar crises. Segundo o próprio FMI, as medidas adotadas pelo governo ganharam força nos últimos meses. O órgão destacou que Milei conseguiu mais apoio político para implementar mudanças e avançou em áreas importantes, como o controle da inflação e da taxa de câmbio. Esses avanços começaram a ajudar o país a recompor suas reservas internacionais, que funcionam como uma “poupança” em moeda estrangeira. Essas reservas são fundamentais porque garantem que a Argentina consiga pagar dívidas e manter a estabilidade da economia. Por isso, investidores e analistas acompanham de perto se o país está conseguindo aumentar esse caixa. Quando aprovou a primeira etapa do programa, em julho do ano passado, o FMI chegou a reduzir a meta de reservas, já que a Argentina não conseguiu cumprir o objetivo inicial. Ainda assim, nos últimos meses, o Banco Central argentino voltou a comprar dólares no mercado para reforçar suas reservas e pagar compromissos da dívida. Só em 2026, essas compras já somam mais de US$ 5,5 bilhões. Mesmo assim, o nível total de reservas ainda é considerado baixo, porque o país continua usando parte desse dinheiro para quitar dívidas. Esse novo repasse do FMI acontece em um contexto mais amplo de ajuda internacional. Em 2025, por exemplo, a Argentina recebeu uma primeira parcela de US$ 12 bilhões dentro desse mesmo acordo, e o total de apoio de organismos internacionais chega a cerca de US$ 42 bilhões. Na ocasião, o governo conseguiu flexibilizar o controle sobre o dólar, que existia há anos. Agora, a moeda americana pode variar dentro de uma faixa de valores, o que dá mais liberdade ao mercado e facilita transações, como importações, exportações e envio de lucros para o exterior. Ainda assim, o sucesso do plano depende justamente da capacidade do país de continuar fortalecendo suas reservas e manter a confiança de investidores. Inflação aagentina celera a 3,4% Entenda por que, na Argentina, jornal e DVD contam mais que streaming na inflação A inflação na Argentina ficou em 3,4% em março, acelerando em relação aos 2,9% de fevereiro e atingindo o maior nível mensal em um ano. Apesar disso, no acumulado de 12 meses, o índice desacelerou levemente para 32,6%. Os maiores aumentos de preços vieram de educação, transporte e serviços básicos como energia e habitação, além de alimentos. Após uma melhora ao longo de 2024, a inflação voltou a mostrar resistência em 2025, mantendo-se entre 2% e 3% ao mês e voltando a subir gradualmente. O controle da inflação é um dos principais objetivos do governo, que busca mantê-la abaixo de 2% ao mês para avançar na flexibilização do mercado de câmbio e consolidar a recuperação econômica do país. Com informações da agência Reuters*
