Mesmo assim, concluiu que esses “eventos recentes não impediriam o prosseguimento” do ciclo de corte de juros e avaliou que uma redução de 0,25 ponto percentual, como registrado na semana passada, seria “mais adequada”. Foi o segundo corte seguido da Selic, que serve de referência para os juros bancários (leia mais abaixo). Vídeos em alta no g1 “As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”, informou o Banco Central. Acrescentou que, desde março, “ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”. Mesmo assim, o BC julgou ser apropriado continuar cortando os juros porque o “período prolongado” de manutenção da taxa em 15% ao ano, o mais alto em 20 anos, que durou até março de 2026, gerou desaceleração da economia e criou condições para que essa redução seja compatível com a redução das expectativas de inflação nos próximos anos. A autoridade monetária também não deu indicação de suas próximas decisões sobre a taxa de juros. Banco Central decreta liquidação extrajudicial de 3 empresas ligadas à Entrepay — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução “Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, informou o BC, na ata do Copom. Os economistas do mercado financeiro projetam novos cortes na taxa básica de juros da economia. A previsão dos analistas é de que a Selic termine esse ano em 13% ao ano. Como as decisões são tomadas Para definir os juros, o Banco Central atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic. Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o ano de 2027 fechado.Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4%, ou seja, acima da meta central de 3%. Veja outas análises do Copom A incerteza com relação ao cenário externo seguiu em níveis elevados, informou o Banco Central. “Além das indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas, colaborou para esse cenário a permanência de incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos”, acrescentou.A atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento, ou seja, de desaceleração, algo buscado pelo Banco Central. “O Comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”.A política fiscal, ou seja, de gastos públicos, tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, ou seja, de pressão inflacionária. “Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, avaliou.O BC reafirmou que no cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, “serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo de tempo”.
Inflação se afasta da meta, mas Banco Central julga decisão de cortar de juros como ‘mais adequada’
Inflação se afasta da meta, mas Banco Central julga decisão de cortar de juros como ‘mais adequada’