Agora, o lançamento Jaecoo 5 bebe na mesma fonte dos pontos fortes do “irmão”: parece maior do que realmente é e traz um preço agressivo (a partir de R$ 154.990) para colocar uma dúvida na cabeça de compradores de SUVs tradicionais a combustão, como Hyundai Creta e Volkswagen T-Cross. O g1 testou o Jaecoo 5 por mais de 200 km para descobrir seu potencial de mercado e se ele chega para embolar a briga dos SUVs compactos. Galerias Relacionadas 1/4 Jaecoo 5 — Foto: divulgação/Omoda&Jaecoo Maior do que parece? O visual quadradão, que lembra uma Land Rover em miniatura, ajuda na sensação de que o carro é maior. Tem também uma posição de dirigir mais elevada e uma ampla área envidraçada para o motorista. Mas seus 4,38 m de comprimento são apenas 9 centímetros a mais que um Jeep Renegade. Motorista e passageiro da frente têm bastante espaço até as laterais do console. No banco de trás, com o banco dianteiro ajustado para uma pessoa de 1,65 metro, sobrava mais de um palmo entre os joelhos e a parte traseira do encosto. Galerias Relacionadas 1/4 Jaecoo 5 — Foto: divulgação/Omoda&Jaecoo Na largura, a sensação era a mesma e, graças ao assoalho plano, há conforto para um terceiro ocupante até em viagens mais longas. A disposição faz com que o Jaecoo pareça mais confortável para os ocupantes do que o Omoda 5, que é seis centímetros mais longo. O acabamento continua privilegiando superfícies macias ao toque em vez de plástico rígido, mas esse cuidado não se estende às portas traseiras. Nelas, a percepção é de um acabamento mais simples e menos refinado. O porta-malas também é mais espaçoso: são 410 litros de capacidade, contra 372 litros do Omoda 5. A diferença significa espaço para uma mala a mais em viagens. O porém é que a bateria de 12V fica acomodada abaixo do assoalho do porta-malas. Ela rouba espaço e deixa o carro sem lugar para um estepe. Jaecoo 5 — Foto: divulgação/Jaecoo A experiência para o motorista começa a perder pontos no painel de instrumentos. Ele é digital, mas tem mostradores fixos que lembram o display do Renault Kwid que antecedeu a atual versão do compacto. Esse tipo de painel está presente em todas as versões do Jaecoo 5, que chegam perto dos R$ 180 mil. Se, por um lado, esse painel deixou uma impressão negativa, por outro há um ponto positivo. O Jaecoo 5 manteve o acabamento minimalista visto no Jaecoo 7, mas trouxe o ajuste dos retrovisores para onde precisa estar: o apoio de braço da porta do motorista – no Jaecoo 7 os ajustes estão dentro da central multimídia. No restante, a lista de equipamentos é um dos destaques do novo SUV. Como é comum nos carros chineses, há uma central multimídia generosa, de 13,2 polegadas — a maior entre os concorrentes —, além de seis alto-falantes na versão de entrada e oito na topo de linha. — Foto 1: divulgação/Omoda&Jaecoo — Foto 2: divulgação/Omoda O sistema de assistência ao motorista também é bem completo. Ele conta com auxílios na frenagem automática para evitar acidentes, alerta de ponto cego e no piloto automático adaptativo. Fica devendo só no centralizador de faixa que ficou de fora. Ao volante O Jaecoo 5 tem o mesmo motor 1.5 turbo de 224 cv de seu irmão maior, o Jaecoo 7. Mas é perceptível o trabalho da marca no isolamento acústico da cabine e na calibração do conjunto para deixá-lo menos barulhento. A atuação do motor elétrico também é mais frequente, o que ajuda a reduzir os ruídos e o consumo de combustível. Um ponto negativo chamou a atenção: há um atraso considerável entre o comando no pedal do acelerador e a resposta do Jaecoo 5 nas arrancadas. O Jaecoo 7, que é um híbrido plug-in, pareceu mais ágil, já que o motor elétrico entra em ação mais rapidamente e seu torque instantâneo deixa as respostas mais ariscas. Ainda assim, na comparação com os SUVs a combustão, nenhum concorrente tem um conjunto mecânico semelhante. O mais potente da lista é o Honda HR-V, com 177 cv. A média entre os rivais é de 115 cv, quase a metade dos 224 cv oferecidos pelo Jaecoo 5. Em uma faixa de preço semelhante, o Renegade é o único “híbrido” disponível. Ele utiliza um sistema leve, bem mais simples e em que o motor elétrico não movimenta as rodas. Ele até ajuda a economizar combustível, mas o ganho é bem menor do que em um híbrido pleno. Na estrada, onde a potência extra faz diferença, foi possível realizar ultrapassagens com mais segurança, mesmo com a demora na resposta do sistema ao acelerar com mais força. Foi preciso adotar uma margem maior de cautela nas manobras, mas o resultado foi satisfatório para um motor que ultrapassa os 200 cv. Ficha técnica do Jaecoo 5 — Foto: arte/g1 Um problema dentro de casa Há um problema para o Jaecoo 5 dentro da própria linha da marca: Jaecoo 5 Prestige (topo de linha): R$ 179.990 no lançamento e, depois, R$ 184.990;Jaecoo 7 Elite: R$ 189.990. Com uma diferença de preço ínfima, de apenas 2,7% no preço, o Jaecoo 7 tem sistema híbrido plug-in e uma bateria 10 vezes maior, o que permite rodar 80 km apenas no modo elétrico e amplia significativamente a economia de combustível. A autonomia total passa de 800 km para 1.200 km. No Jaecoo 7, o painel de instrumentos oferece mais opções de personalização. A central multimídia tem o mesmo tamanho, de 13,2 polegadas, mas fica na posição horizontal, em vez da vertical. O motor também é mais potente, com 279 cv, e o porta-malas passa de 410 para 500 litros. O Jaecoo 7 ainda é maior em todas as dimensões, inclusive no espaço para as pernas dos ocupantes da segunda fileira. Jaecoo 5 — Foto: divulgação/Jaecoo Vale o passe? No fim das contas, o Jaecoo 5 reúne mais qualidades do que defeitos, a ponto de fazer seus problemas parecerem menos relevantes. Com potência quase duas vezes maior que a dos rivais movidos apenas a combustão, sem aumento no consumo graças ao sistema híbrido, único na faixa dos R$ 155 mil, o modelo oferece uma economia que acompanha o proprietário durante toda a vida útil do veículo. O acabamento mais caprichado e o espaço interno, normalmente encontrados em utilitários que disputam o segmento de SUVs médios, completam a lista de pontos positivos. Os pontos positivos são suficientes para compensar o painel de instrumentos, que transmite a impressão de estar bem atrás do que oferecem Volkswagen, Hyundai e até mesmo a Chevrolet, a mais simples entre as três. Seus principais rivais estão dentro da própria marca. O Omoda 5 reúne quase todas as qualidades do Jaecoo 5, mas aposta em um visual que deixa de lado a inspiração nos utilitários tradicionais e segue uma proposta mais alinhada ao uso urbano. Também há o Jaecoo 7, que custa menos de 3% a mais que a versão mais cara do Jaecoo 5 e entrega um conjunto mais atrativo, com maiores dimensões, mais equipamentos e um sistema híbrido mais avançado.