O sistema é um híbrido plug-in “às avessas”, em que o motor a combustão não movimenta as rodas, mas funciona como gerador para recarregar a bateria que alimenta o motor elétrico. O B10 utiliza um motor 1.5 aspirado como gerador de eletricidade e tem bateria de 18,8 kWh. Com o tanque cheio e a bateria totalmente carregada por meio do sistema plug-in, o B10 promete autonomia de até 900 km. O g1 percorreu quase 120 km pelas proximidades de São Paulo (SP) para entender se o modelo tem vantagens suficientes para fazer seu nome. Agora no g1 Como anda o Leapmotor B10 A tecnologia do Leapmotor B10 híbrido não faz com que o carro se destaque pelo desempenho. Ele segue sendo um SUV focado no conforto, com bom espaço interno e adequado para famílias. São 4,53 metros de comprimento, 1,88 metro de largura e 2,73 metros de entre-eixos, dimensões típicas de SUVs médios, como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. É na autonomia de 900 km que está o diferencial, graças à tecnologia REEV. Quando depende da gasolina para gerar eletricidade, o B10 faz 13,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada. Mas a eficiência pode chegar a quase o triplo se o proprietário mantiver a bateria carregada na tomada. Outra curiosidade é que o B10 tem tração traseira, mas, mesmo no modo de condução esportivo, os 218 cv de potência e os 24,5 kgfm de torque pareceram mansos. Não há atraso entre o comando no acelerador e a resposta, mas fica a impressão de que a entrega de força foi calibrada para evitar reações muito ariscas. A tração traseira tende a exigir mais cuidado em curvas acentuadas e velocidades mais altas, mas, ao volante, o controle de estabilidade se mostrou bastante atuante e reduziu o receio típico desse tipo de tração. A suspensão continua mais macia do que a de marcas alemãs, como Volkswagen e Audi, mas parece ter passado por ajustes para se adaptar melhor à forma de dirigir do brasileiro. A carroceria balançou bem menos do que no B10 elétrico testado pelo g1. O resultado é um carro confortável para quem dirige e para os passageiros, com preço abaixo da tabela de seus principais concorrentes híbridos, como o BYD Song Pro (R$ 196.990), Geely EX5 EM-i (R$ 191.490), o Jaecoo 7 (R$ 189.990) e o GWM Haval H6 PHEV19 (R$ 250.000). Pouca novidade por fora e por dentro Galerias Relacionadas 1/6 Leapmotor B10 REEV — Foto: divulgação/Leapmotor Linhas discretas e visual minimalista em toda a carroceria;Grade frontal de dimensões reduzidas;Maçanetas escamoteáveis, embutidas na carroceria;Lanternas traseiras interligadas em linha reta. Há, sim, um ar de modernidade pouco comum em carros ocidentais, mas o modelo também segue uma receita de design amplamente adotada por outras marcas chinesas. Por isso, o visual do Leapmotor B10, seja na versão elétrica ou REEV, já não parece tão criativo. Há algumas firulas dignas de nota: o B10 adota uma solução inspirada na Tesla para a chave, usando um cartão com tecnologia de aproximação por NFC. Cartão que abre as portas e liga o Leapmotor B10 — Foto: divulgação/Leapmotor É o cartão que destranca a porta ao ser encostado no retrovisor esquerdo. Também é possível configurar uma chave digital no celular e usar o aparelho no lugar do cartão. É diferentão, mas ainda menos prático do que uma chave física tradicional. Depois de entrar no carro, continua presente o minimalismo exagerado comum em modelos chineses. Não há botões para: Controle do ar-condicionado;Abertura e fechamento da cortina do teto solar;Ajuste dos retrovisores laterais;Controle dos faróis. A inspiração na Tesla segue no interior. Vai do teto solar sem abertura ao volante, que tem duas pequenas rodas ao alcance dos dedos para cumprir múltiplas funções. São elas que ajustam os retrovisores laterais após a seleção da função correspondente na central multimídia. No uso normal, controlam o volume do sistema de som e a velocidade do piloto automático adaptativo. Assim como nos Tesla, ativar o piloto automático adaptativo exige baixar duas vezes a alavanca de câmbio, que fica atrás do volante. Ainda bem: desta vez, a Leapmotor não levou a inspiração ao extremo e manteve o câmbio fora da central multimídia. Galerias Relacionadas 1/7 Leapmotor B10 REEV — Foto: divulgação/Leapmotor Nota-se que o forte do carro é o conforto ao perceber as superfícies macias nos principais pontos de contato e acabamento em couro que transmite uma sensação mais refinada. Há poucas costuras aparentes e, nas que aparecem, a linha tem exatamente a mesma cor do acabamento. A intenção é que passem despercebidas. Sentar nos bancos da frente ou da segunda fileira dá a sensação de estar em um sofá que abraça, e não no banco de um carro. Até quem viaja no meio da segunda fileira está bem servido. O piso é plano, o banco não é elevado nessa posição e o console central não avança muito para trás. Dá para acomodar os pés sem disputar espaço com os ocupantes das laterais. E o tapete que vem de série é macio, como os de casa. Por fim, o porta-malas poderia ser maior. São apenas 350 litros. Para comparar, o Jeep Renegade, conhecido pelo porta-malas pequeno, tem apenas 20 litros a menos do que o B10. Ou seja: oferece conforto para viagens longas, mas exige algum minimalismo na hora de montar a bagagem. Leapmotor B10 — Foto: divulgação/Leapmotor Leapmotor B10 híbrido: vale a pena?