O Tribunal do Júri de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, condenou Tiago Ricardo Felber a 83 anos e quatro meses de prisão pela morte do próprio filho, Théo Ricardo Ferreira Felber, de cinco anos. A sentença foi anunciada na noite de quarta-feira (4), após um julgamento que durou aproximadamente 13 horas. O crime aconteceu em 25 de março de 2025, quando o menino foi arremessado ainda vivo de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, de aproximadamente 15 metros de altura. A criança morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado pela queda. De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Tiago cometeu o assassinato para se vingar da ex-companheira, mãe de Théo, que havia iniciado um novo relacionamento após a separação. O réu foi considerado culpado por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça contra a ex-companheira. Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima e o início imediato do cumprimento da sentença. Tiago já estava preso desde março de 2025, quando confessou o assassinato à polícia. Pai tentou matar o filho um dia antes do crime As investigações apontaram que Tiago havia tentado matar Théo por sufocamento no dia 24 de março de 2025, um dia antes de arremessá-lo da ponte. Segundo a Polícia Civil, a criança sobreviveu à primeira agressão. No dia seguinte, o pai levou o menino de bicicleta até a ponte, em São Gabriel, onde cometeu o assassinato. Imagens de câmeras de segurança registraram Tiago circulando com o filho pouco antes do crime. O menino morava com a mãe, mas estava passando alguns dias com o pai. Os dois haviam se separado em novembro de 2024. Conforme as investigações, a mãe da criança já havia procurado a polícia após uma discussão em que Tiago quebrou objetos pessoais dela, incluindo um telefone celular. A motivação apontada pelo Ministério Público foi o desejo de causar sofrimento à ex-companheira. Após o assassinato, Tiago enviou uma mensagem de áudio à mãe do menino. “Viu, guria, seje forte. Fiz uma loucurinha agora, tá?”, disse o homem, segundo a gravação divulgada durante a investigação. Na sequência, comunicou que havia jogado Théo da ponte. Julgamento ouviu oito pessoas O julgamento começou por volta das 10h de quarta-feira e terminou aproximadamente às 23h. Durante a sessão, foram ouvidas oito pessoas, entre testemunhas de acusação e defesa, a mãe da vítima e o próprio réu. Os jurados reconheceram a responsabilidade de Tiago pelos crimes apresentados na denúncia do Ministério Público. A condenação por homicídio consumado considerou qualificadoras como motivo torpe, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Conselho de Sentença também reconheceu a tentativa de homicídio ocorrida no dia anterior ao assassinato e o crime de ameaça contra a mãe da criança. A promotora de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho, que atuou no julgamento, comentou a decisão. “A condenação representa uma resposta firme da Justiça diante da gravidade da violência praticada contra uma criança e, sobretudo, um reconhecimento da importância da vida de Théo e da dor de sua família”, afirmou. A promotora Graziela Lorenzoni também destacou a relação entre o assassinato e a discussão sobre a violência praticada contra crianças para atingir suas mães. Segundo ela, a morte de Théo foi um dos episódios que motivaram a criação do crime de vicaricídio no Brasil. Caso de Théo inspirou mudança na legislação O assassinato de Théo teve repercussão nacional e contribuiu para o debate sobre a chamada violência vicária, caracterizada pelo uso da violência contra filhos ou outras pessoas próximas para provocar sofrimento psicológico a uma mulher. Em abril de 2026, foi sancionada uma lei que criou o crime de vicaricídio no Brasil. A legislação passou a reconhecer especificamente situações em que uma pessoa mata alguém próximo de uma mulher com o objetivo de causar sofrimento a ela. O caso de Théo foi citado entre os episódios que impulsionaram a discussão sobre a necessidade de uma tipificação específica. A nova lei, entretanto, não foi utilizada retroativamente para fundamentar a condenação de Tiago, já que o assassinato aconteceu antes de sua entrada em vigor. “Nordeste é fábrica de pobreza”, diz deputado do PL após eleição de Lula Roosevelt Vilela, deputado distrital do PL, criticou a situação econômica do Nordeste ao comentar a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais. Dados do IBGE e da Fundação Getulio Vargas, porém, mostram redução da pobreza e aumento da renda na região nos últimos anos Notícias ao Minuto | 06:40 – 05/11/2026