→ BELO HORIZONTE — Diante dos impasses e das respostas negativas de nomes que vinham sendo cotados na esquerda e no centro (como a prefeita de Contagem, Marília Campos, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco), o Partido dos Trabalhadores decidiu recorrer às suas origens e à sua força histórica no estado. Caciques da Executiva Nacional do PT telefonaram e sondaram formalmente Patrus Ananias para assumir a missão de disputar o Palácio Tiradentes.
A estratégia carrega o peso do DNA social do partido: Patrus foi o criador do programa Bolsa Família (enquanto ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e prefeito muito bem avaliado da capital nos anos 90. Para o presidente Lula, garantir um palanque forte e leal no segundo maior colégio eleitoral do país é vital.
A reação nos bastidores
Publicamente, Patrus adota a tradicional cautela mineira. Por meio de sua assessoria, ele declarou que mantém o foco na sua pré-campanha de reeleição à Câmara dos Deputados e que cumprirá agendas no Norte de Minas e em sua cidade natal, Bocaiúva. No entanto, fontes internas apontam que uma reunião direta com Lula deve selar o destino da chapa nos próximos dias.
Quem assume o posto de vice? O quebra-cabeça das alianças
Para que a candidatura de Patrus ganhe tração e fôlego competitivo, o PT sabe que o(a) ocupante da vaga de vice precisa ampliar o diálogo para além da esquerda. Duas grandes correntes de articulação estão sobre a mesa:
- A rota do Centro: Gabriel Azevedo (MDB) e o flerte moderado
O PT tenta atrair o MDB para uma composição de peso. O nome do atual presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, surge como uma peça estratégica no radar de alianças que a federação governista busca costurar.
- O impacto: Azevedo traria um tom mais jovem, urbano, conectado à capital e com trânsito entre setores do centro e da centro-direita, ajudando a quebrar resistências históricas ao PT no eleitorado conservador mineiro. Embora o MDB avalie seus próprios rumos locais, o peso do palanque nacional com Lula joga a favor dessa aproximação.
- A rota da união interna: Nomes da Federação ou Cidades Polo
Se as negociações com partidos maiores de centro travarem, a saída será buscar uma composição que consolide a união da esquerda e das prefeituras aliadas:
- Uma liderança feminina do PV ou PCdoB: (Partidos que integram a federação junto ao PT) para trazer o equilíbrio de gênero à chapa.
- Articulação Regional: Um nome forte vindo do Triângulo Mineiro, Zona da Mata ou do Vale do Aço, para compensar o forte apelo que Patrus já possui na Região Metropolitana de BH.
O Relógio Corre: O PT trabalha com o prazo limite de 20 de julho — a abertura oficial do período de convenções partidárias — para apresentar o desenho final dessa chapa ao eleitorado mineiro. O xeque-mestre está nas mãos de Lula e do próprio Patrus Ananias.
As articulações avançaram rápido nas últimas horas e o cenário começou a se desenhar com mais clareza, especialmente após as sinalizações do MDB e de Gabriel Azevedo.
Aqui está o panorama atualizado dos bastidores dessa negociação:
Os Desdobramentos: A Resposta do MDB e de Gabriel Azevedo
A recepção do nome de Patrus Ananias mexeu com as peças do xadrez político, e a costura com o MDB entrou em uma fase de “pragmatismo eleitoral”.
- Gabriel Azevedo mantém o foco na capital, mas abre espaço para diálogo
Fontes ligadas ao presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte apontam que Gabriel Azevedo tem como prioridade consolidar seu espaço na política da capital. No entanto, ele e seu grupo político não fecharam as portas para o diálogo.
- O fator Lula: O MDB nacional, que ocupa ministérios no governo federal, tem pressionado as frentes estaduais para garantir palanques alinhados. Azevedo sabe que uma composição majoritária (seja como vice ou em uma futura vaga ao Senado na chapa) daria a ele uma projeção estadual inédita.
- A ala tradicional do MDB mineiro resiste (por enquanto)
O maior entrave para o anúncio imediato não é o nome de Patrus em si, mas a histórica divisão do MDB em Minas Gerais. Uma ala expressiva do partido no interior do estado tem forte ligação com prefeitos e deputados de perfil mais conservador, que preferiam a neutralidade ou o alinhamento com forças de centro-direita.
- A estratégia do PT: Para vencer essa resistência, emissários de Lula estão oferecendo ao MDB um espaço de destaque não apenas na chapa ao governo, mas também na coordenação de programas de desenvolvimento regional e fatias importantes no palanque majoritário.
O “Plano B”: E se o MDB não fechar a vice?
Caso a federação com o MDB não se concretize por questões regionais, o PT já começou a ventilar um plano alternativo para a vaga de vice, focado em duas frentes:
- O “Fator PSD”: Embora o PSD mineiro flerte com outras candidaturas, o PT ainda tenta atrair uma ala do partido ligada a Alexandre Kalil ou prefeitos do interior para compor a chapa.
- Chapa Puro-Sangue ou Federação Estrita: Um nome do próprio PT ou do PV (como o deputado Reginaldo Lopes ou uma liderança feminina do interior) para garantir uma chapa ideologicamente coesa, focada em defender o legado social de Patrus e as obras do governo federal em Minas.
As próximas conversas, que devem ocorrer em Brasília com a presença de lideranças nacionais, serão decisivas para selar se o MDB topa o desafio ou se Patrus Ananias marchará com uma frente de esquerda mais tradicional.
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Matéria: Gilberto F. Cruz
