Rubio avalia renunciar e abandonar governo Trump após midterms, diz agência

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – A agência de notícias Bloomberg e o portal britânico The Independent afirmaram nesta quinta-feira (5), com base em conversas sob reserva com membros do governo dos Estados Unidos, que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, avalia renunciar ao cargo. Segundo ambas as publicações, o republicano faz os cálculos após a derrocada do Partido Republicano nas midterms, as eleições de meio de mandato de terça-feira (3), quando os democratas conquistaram maioria expressiva na Câmara dos Deputados e no Senado. O político nega a intenção. Segundo o New York Times, ele disse em entrevista que seu plano sempre foi ficar na administração da qual faz parte “até o fim”. Também se negou a responder perguntas sobre as eleições presidenciais de 2028. Rubio avaliaria, segundo as publicações, que deixar o governo e se afastar do presidente Donald Trump poderiam ser ações valiosas para poder se candidatar a candidato à Presidência pelo partido em 2028, algo que, no mais, já é uma possibilidade amplamente cogitada no país. Também pesaria na avaliação do secretário de Estado que, com maioria na Câmara, a oposição democrata deve aprovar investigações de membros do governo Trump, o que incluiria as ações militares no Caribe, como a explosão de embarcações, apontadas como ilegais pela oposição. Não haveria uma data para a renúncia, e porta-vozes do governo também negaram essas afirmações. No X, o vice-secretário de Estado Dylan Johnson disse que as notícias são falsas, “totalmente inventadas”. À Bloomberg ele disse que “o secretário não discutiu deixar seu cargo e continuará a servir orgulhosamente na administração Trump” e que “essa notícia falsa será revelada como mais uma farsa infundada”. A hipótese estaria sendo considerada, dizem as publicações, também pelo fato de o principal motivo que parece ter levado à derrota republicana, a guerra do Irã e as suas consequências econômicas, estar no guarda-chuva de Rubio, o Departamento de Estado, que cuida da diplomacia americana. No entanto, ainda que tenha apoiado os ataques ao país do Oriente Médio, Rubio não é a figura que mais participa do tema. Sua atuação está muito mais voltada para a América Latina, tema que prioriza mesmo em sua época de legislador na Flórida e de senador em Washington. Filho de cubanos, Rubio tem o tema como central em sua carreira política. É ele quem cuida da tutela que os EUA exercem sobre o regime de Delcy Rodríguez na Venezuela, por exemplo, e é ele quem trata dos diálogos com a diáspora cubana que cobra uma ação de Washington contra a ilha comunista. Em 2016, quando Trump se elegeu para o seu primeiro mandato, Marco Rubio chegou a disputar as primárias pela indicação republicana para o cargo, mas abandonou a corrida quando Trump conseguiu vencer as primárias na Flórida.O secretário de Estado é um dos nomes mais cotados como possível sucessor de Trump, que devido às regras da Constituição americana não poderia concorrer novamente à Presidência, dado que já terá cumprido dois mandatos em 2028. O outro nome aventado é o do vice-presidente, J. D. Vance. Logo após o resultado das midterms, Vance veio a público criticar a guerra no Irã e dizer que ela foi a culpada pelos democratas conseguirem maioria acachapante no Congresso. É uma sinalização importante para um eleitorado que se mostrou insatisfeito com Trump. Rubio, por sua vez, não se pronunciou ainda. Leia Também: Governo Lula vê tendência de normalização das relações com EUA após vitória democrata

Postagens relacionadas

Mulheres defendem articulação em rede para ampliar participação

Fachin mantém prisão de cunhado de Vorcaro

Equipe da Agência Brasil vence Seleção Petrobras de Jornalismo