Suspeito de matar ex-mulher e os pais dela usou IA para simular voz e enganar ex-sogros, diz polícia

Suspeito de matar ex-mulher e os pais dela usou IA para simular voz e enganar ex-sogros, diz polícia

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – O policial militar Cristiano Domingues Francisco, suspeito de matar a ex-mulher no final de janeiro, em Cachoeirinha (RS), teria usado uma ferramenta de inteligência artificial para simular a voz da vítima e conseguir se aproximar dos pais dela, que também teriam sido assassinados por ele, de acordo com a investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, concluída na semana passada. Os corpos dos três ainda não foram encontrados, mas os investigadores acreditam ter elementos suficientes para indiciar Cristiano pelos crimes de feminicídio de Silvana Germann de Aguiar, 48, e o duplo homicídio dos pais dela, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70. O inquérito tem mais de 20 mil páginas. Além dos três assassinatos, Cristiano foi indiciado sob suspeita de ocultação de cadáveres, furto qualificado, falso testemunho, falsidade ideológica, fraude processual, associação criminosa e abandono de incapaz, porque teria deixado sozinho em casa o seu filho de 9 anos, da relação com Silvana, enquanto cometia os crimes. Ele está preso preventivamente. Em nota à Folha, o advogado Jeverson Barcellos, responsável pela defesa do policial militar, disse nesta sexta-feira (24) que a defesa ainda não teve acesso integral ao inquérito policial. “Primeiro a defesa tem que ter acesso a toda a prova indiciária para tão somente ter condições de formar convicção defensiva”, afirmou. Outras cinco pessoas ligadas a Cristiano, mãe, irmão, atual mulher e atual sogra, além de um amigo, também foram indiciadas porque teriam o ajudado a apagar vestígios dos crimes. No caso da atual mulher, ela também teria ajudado Cristiano a pegar dois televisores da casa de Silvana, quando ela já estava desaparecida, o que configuraria furto qualificado. Os nomes deles não foram divulgados. A polícia pediu a prisão deles, mas a Justiça não acolheu. Os investigadores relatam que Silvana e o ex-marido tinham conflitos relacionados à criação do filho do casal e que o policial militar a ameaçava. Como policial militar, ele atuava em Canoas, cidade próxima a Cachoeirinha, também na região metropolitana de Porto Alegre. No inquérito policial, os investigadores mostram imagens de câmeras de segurança e traçam uma linha do tempo exibindo os acessos dos celulares de Cristiano e de Silvana, comprovando que o policial militar passou a usar o celular da ex-mulher após ter ido à casa dela no dia 24 de janeiro, data do desaparecimento. Depois disso, de posse do aparelho da vítima, ele passou a publicar postagens em rede social e a mandar mensagens se passando por ela, ainda segundo a investigação. “Ele armou um teatro”, disse o delegado Ernesto Prestes. Já a utilização da IA para enganar os pais dela teria ocorrido em ao menos três momentos, segundo a polícia. Primeiro, Cristiano teria feito uma ligação para o telefone fixo do comércio dos pais dela usando uma voz falsa da Silvana, que relatava ter sofrido um acidente de carro em uma região serrana. O objetivo era disfarçar o desaparecimento dela. “Na casa do Cristiano, foi apreendido um notebook e nele verificamos que ele acessou e utilizou um software de clonagem de voz que permite que, com uma amostra vocal de uma pessoa, seja possível fazer a clonagem desta voz. E, a partir de textos pré-definidos, podem ser gerados novos diálogos com esta voz dada como exemplo”, explicou Prestes em entrevista coletiva à imprensa.”No celular do Cristiano nós encontramos um bloco de notas com essas frases construídas, um enredo”, acrescentou o investigador. Depois do episódio do falso acidente, Cristiano teria usado novamente a IA para simular um pedido da Silvana ao seu pai, Isail, para que ele fosse consertar um problema elétrico na casa dela.”Pelo enredo, ela já teria voltado de viagem e pedia para o pai ir até a casa dela [de carona com Cristiano] para ajudar com o problema. Cerca de 20 minutos depois, só o Cristiano sai da casa. Isail não foi mais visto”, disse o delegado. Logo em seguida, há também uma falsa mensagem de Silvana para sua mãe, Dalmira, explicando que ela deveria receber Cristiano, que estaria indo até a casa dos pais para buscar mais ferramentas. Dalmira estava sozinha na casa e, depois da chegada do Cristiano, também não foi mais vista. O delegado afirma que seguem as buscas pelos corpos das vítimas. Vestígios de sangue de Silvana e de Isail foram encontrados na casa dela. O carro que teria sido utilizado nos crimes, e é observado nas imagens de câmeras de segurança, também não foi encontrado ainda. Leia Também: Homem é preso após tentar matar a irmã e o cunhado com facão na zona sul de SP

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